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Ministra pede à Câmara de Comércio Exterior cota zero para importação de 400 mil toneladas de arroz

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Ministra pede à Câmara de Comércio Exterior cota zero para importação de 400 mil toneladas de arroz Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quarta-feira (9) que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) irá analisar o pedido para zerar a taxa de importação de arroz para uma cota de 400 mil toneladas do produto até o final do ano.

As tarifas em vigor são de 12% para o arroz beneficiado e de 10% para o arroz em casca de outras origens fora do bloco.

A ministra disse ainda que a grande preocupação do governo é que não faltem alimentos nos supermercados e garantiu que a próxima safra de arroz ajudará a reduzir os problemas de oferta.

"Esse arroz ele começa a ser colhido em janeiro, em meados de janeiro ele já está sendo colhido, e nós teremos uma safra bem maior… ano que vem teremos um estoque bem maior de arroz”, afirmou.

Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, a alta de preços dos alimentos é "transitória e localizada" e não traz risco para o controle da inflação.

“A inflação é uma alta generalizada e recorrente. O aumento que estamos vendo agora não é generalizado, mas localizado em alguns produtos da cesta básica. Vai durar alguns meses e depois retorna à normalidade”, diz Sachsida.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro pediu a donos de supermercados para segurar a alta do preço do arroz e descartou o "tabelamento" dos preços.

“Tenho apelado para eles, ninguém vai usar caneta Bic para tabelar nada, não existe tabelamento, mas estou pedindo a eles que o lucro desses produtos essenciais no supermercado seja próximo de zero. Sei que outras medidas estão sendo tomadas pelo ministro da Economia, bem como pela ministra Tereza Cristina para nós embasarmos então a resposta a esses preços que dispararam nos supermercados”, afirmou o presidente, sem dar detalhes.

Desabastecimento

A alta nos preços de produtos essências na cesta básica brasileira foi levada ao governo federal pela entidade de defesa do consumidor e pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que inclusive alertou sobre a possibilidade de desabastecimento em supermercados, se as condições persistirem.

Além do arroz, os preços do feijão e carne também subiram nos últimos meses. Entre as explicações para ocorrido estão as mudanças de consumo na pandemia e o dólar alto.

A inflação oficial no país até julho é de 0,46%. Mas uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que o custo da cesta básica já subiu bem mais do que a inflação em 16 capitais.

Para a ProconsBrasil, a solução para garantir o acesso à cesta passa por uma ação contundente do governo.

"A gente acionou o governo federal para que acompanhe e monitore a situação e, de repente, estabeleça tetos de exportação, para garantir o abastecimento interno. E invista na agricultura familiar e nas cooperativas rurais, que não vão exportar, vão gerar empregos e ainda movimentar a economia regional", disse o presidente Filipe Vieira.

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