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Vazamento de arquivos da FinCEN derruba ações de bancos internacionais

Atualizado em -

Vazamento de arquivos da FinCEN derruba ações de bancos internacionais Nikhil Monteiro/Reuters
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Bancos europeus tiveram forte queda em suas ações na manhã desta segunda-feira (21), após o vazamento no fim de semana de documentos que comprovariam uma possível conivência de bancos e empresas financeiras em transações com trilhões de dólares de pagamentos provenientes de atividades ilegais. As ações do HSBC chegaram a atingir o menor nível em 25 anos.

Deutsche Bank (DE:DBKGn), ING (AS:INGA) e Barclays também foram diretamente atingidos nos preços negociados por seus papéis nas bolsas. O HSBC (LON:HSBA), além de ter ganhado amplo destaque no noticiário pelo conteúdo dos arquivos vazados, também foi apontado pelo impresso Chinese Global Times como um provável candidato para a lista oficial da China de "entidades não confiáveis" - podendo gerar sanções penais e colocaria em risco negócios do banco britânico na China.

Além de Londres, as ações do HSBC (LON:HSBA) e do Standard Chartered (LON:STAN) na bolsa de Hong Kong também desabaram. De acordo com a Dow Jones Newswires, na Bolsa de Londres, a ação do HSBC caía 5,94% e a do Standard Chartered recuava 5,18% por volta das 8h05 (de Brasília). Em Hong Kong, os papéis do HSBC e do Standard Chartered fecharam em quedas respectivas de 5,33% e 6,18%.

O conteúdo das alegações contra os bancos é baseado em documentos vazados sobre transações de mais de US$ 2 trilhões ocorridas principalmente entre 2011 e 2017. Todo o material foi analisado pela BuzzFeed News em parceira com organizações noticiosas que incluem o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, pela sigla em inglês).

Todos os documentos foram submetidos à Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN), órgão do Departamento do Tesouro dos EUA, e detalham operações supostamente ligadas a crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e até casos que envolvem organizações terroristas.

"Assumimos nossa responsabilidade de combater crimes financeiros de forma extremamente séria e temos investido substancialmente em nossos programas de conformidade", respondeu o Standard Chartered ao The Wall Street Journal.

Em nota, o HSBC disse que "todas as informações fornecidas pelo ICIJ são históricas" e antecederam a conclusão do Departamento de Justiça em 2017 de que havia cumprido os compromissos de um pacto de acusação diferido.

Entenda o caso

Documentos secretos do governo americano analisados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelam que cinco bancos multinacionais movimentaram 2 trilhões de dólares em operações sinalizadas como suspeitas pelos organismos de controle das próprias instituições financeiras. A suspeição era de que as operações fossem lavagem de dinheiro ou que os recursos fossem provenientes de atividade criminosa. Os documentos vazados, batizados de FinCEN Files, incluem mais de 2.100 relatórios de atividades suspeitas enviados por bancos e outras empresas financeiras à Rede de Execução de Crimes Financeiros do Departamento do Tesouro dos EUA.

A agência, conhecida como FinCEN, é uma unidade de inteligência do sistema global de combate à lavagem de dinheiro. O equivalente no Brasil é o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.

O levantamento do ICIJ se deteve sobre transações realizadas entre 1999 e 2017 – incluindo US$ 514 bilhões de que passaram pelo JPMorgan e US$ 1,3 trilhão movimentados pelo Deutsche Bank. No entanto, também foram analisadas transações do HSBC, Standard Chartered Bank e Bank of New York Mellon.

Embora os relatórios de atividades suspeitas reflitam as preocupações dos auditores dos bancos e não sejam obrigatoriamente evidência de conduta criminosa, os documentos mostram que os cinco bancos seguiram lucrando com a movimentação dos recursos mesmo após terem sido multados pelas autoridades dos EUA por falharem em conter o fluxo de dinheiro suspeito.

Para saber mais sobre todo o conteúdo revelado pela série de publicações do "FinCEN Files" vale visitar o site original do consórcio de jornalistas investigativos .

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