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Instituições financeiras com mais de 500 mil clientes deverão oferecer PIX como alternativa para transações

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Instituições financeiras com mais de 500 mil clientes deverão oferecer PIX como alternativa para transações Freepik
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O Banco Central (BC) confirmou este mês que o Pix entrará em operação de maneira gradual a partir de outubro, mas o seu funcionamento pleno está previsto oficialmente para o dia 16 de novembro. Todo o sistema vai funcionar 24 horas, sete dias por semana, com envio e compensação em tempo real do dinheiro e sem cobrança de taxas para quem envia os recursos.

As transações serão realizadas de forma mais simplificada e instantânea por meio de QR Code, senhas ou por aproximação. Após o lançamento, bancos e instituições de pagamentos com mais de 500 mil clientes deverão, obrigatoriamente oferecer essa alternativa.

Durante seminário promovido este mês para falar sobre o tema, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos Pix reduzirá os custos para as empresas e proporcionará mais eficiência no fluxo de caixa.

"É muito importante entender essa mudança que estamos passando e como isso tem sido intensificado pela crise, pela pandemia. A gente vê o número de pagamentos digitais crescendo. Há um movimento de inovação que se acelerou em várias áreas", explicou Campos Neto.

De acordo com o presidente do BC, as empresas terão mais facilidade no recebimento de pagamentos e redução de gastos com o transporte de dinheiro. Além disso, o custo operacional para o mercado também será reduzido.

"É um instrumento que faz com que a gestão de fluxo de caixa atinja um novo patamar de eficiência. Menos custos significa mais margem [de lucro] para quem está de um lado e menos preço para quem está no outro", destacou Campos Neto.

Esta nova forma de transação digital tem o potencial de incluir dezenas de milhões de brasileiros no mercado financeiro, e deve se tornar um substituto natural ao uso do dinheiro em muitas situações cotidianas. Vale ressaltar também que os pagamentos serão apenas a porta de entrada deste novo público, que passará a ter acesso a produtos financeiros como crédito, seguros, financiamentos, entre outros serviços.

Transações via aparelhos digitais

O uso de celulares e computadores para efetuar transações bancárias é um hábito que cresce a cada ano. De acordo com um levantamento apresentado no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), o Brasil tinha dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets. Em 2019, o país já contava com 420 milhões de aparelhos digitais ativos. O uso de smartphone se destacava: 230 milhões de celulares ativos no Brasil.

Segundo pesquisa da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) divulgada este ano, a cada dez transações bancárias, seis são realizadas por meios digitais (Mobile/Internet Banking). O estudo também revela que o número de contas ativas com Mobile Banking cresceu 34% em 2019 e que as pessoas jurídicas também aderiram ao canal na mesma proporção.

Reflexos nas receitas dos bancos

O sistema de pagamentos instantâneos é bastante inclusivo também para as empresas que atuam de alguma forma com serviços de pagamentos. Atualmente já existem mais de 800 instituições inscritas junto ao Banco Central entre as diretas (diretamente conectadas ao SPI) e indiretas (conectadas a uma instituição direta). De imediato, a tendência é que todo o universo de pagamentos se torne ainda mais dinâmico aproximando varejistas, grandes indústrias, bancos, instituições de pagamentos, fintechs e big techs, entre outros setores participantes.

Na prática, qualquer pessoa física ou jurídica terá uma liberdade maior de escolha para manter um relacionamento com qualquer um destes entes do mercado financeiro e fazer transações de forma livre com qualquer outros dos participantes do mercado, já que todo o sistema estará completamente interligado.

Nesta quarta-feira (23), em evento promovido pela Itaúsa (holding de investimentos que tem participações no Itaú Unibanco e em empresas como Alpargatas, Duratex e NTS), o presidente do Itaú, Candido Bracher, afirmou que o impacto nas receitas do banco deverá ser afetado com a implantação do novo sistema de transferências.

"O Pix vai trazer reflexos importantes no mercado financeiro e deve beneficiar o Itaú com a bancarização de uma parte importante da população. Por outro lado, é de se esperar que boa parte dessas pessoas passe a usar o Pix ao invés de TEDs e DOCs. Isso deve ter um impacto inicial nas receitas com conta corrente do banco. Mas essas receitas representam menos de 1% e esse impacto deve ser moderado", disse Bracher.

Hoje, no caso de TEDs e DOCs, por exemplo, há restrição de horários e custos com uma média de R$ 10 nas grandes instituições financeiras para clientes que não têm transferências no pacote bancário.

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