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Privatização dos Correios gera interesse de gigantes varejistas e incertezas para pequenos empresários

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Privatização dos Correios gera interesse de gigantes varejistas e incertezas para pequenos empresários Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta semana encerrar a greve dos funcionários dos Correios, que acontecia desde o dia 17 de agosto. Um dos motivos para a categoria parar os serviços de entrega é a possibilidade de privatização da companhia. Apesar do término da paralisação, os prejuízos continuam para os pequenos e médios empresários, que dependem quase que exclusivamente desse serviço. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), mais de 70% das lojas online de pequeno porte utilizam a empresa para fazer suas entregas.

Em pesquisa recente, a revista Exame divulgou que 40% dos brasileiros apoiam a privatização, sendo que 14% se mostraram neutros e 37% contrários à venda da companhia. O levantamento foi realizado com 1.235 pessoas, por telefone, em todas as regiões do país, entre os dias 24 e 31 de agosto, depois do início da greve. Sobre esse resultado, o presidente dos Correios, Floriano Peixoto, afirmou que a estatal foi prejudicada por sucessivas gestões incapazes de conduzi-la de maneira adequada, somado às sucessivas greves, que trouxeram impactos negativos em vários aspectos para a estatal.

"O processo de privatização já está em andamento. A consultoria contratada para realizar os estudos sobre a empresa entregará, até novembro deste ano, a primeira parte do trabalho. Essa fase dos estudos inclui, entre outras providências, o envio de proposta de projeto de lei ao Congresso", justificou em entrevista à Exame.

O cenário para a venda da companhia se intensificou ainda mais na semana passada quando o ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou que cinco empresas estariam interessadas na venda dos Correios, sendo uma delas o Magazine Luiza.

O Magalu integra um grupo de gigantes varejistas que investiram muito em tecnologia para desenvolver a sua própria estrutura logística, com integração de suas lojas físicas, postos de distribuição em vários estados e até a indexação de startups e transportadoras. Mesmo com a maior parte das lojas fechadas por conta da Covid-19, a rede varejista de Luiza Helena Trajano ultrapassou em maio deste ano, pela primeira vez, a marca de R$ 100 bilhões em valor de mercado desde que estreou na B3, em 2011.

Na quinta-feira (24), Fábio Faria voltou a falar sobre a venda da companhia e reforçou que o projeto que abre caminho para a privatização está em fase de finalização e será encaminhado ao Congresso até o fim do ano. Segundo ele, a venda dos serviços postais brasileiros tem potencial de atrair mais de dez empresas e poderia render cerca de R$ 15 bilhões aos cofres públicos.

"Podíamos fazer uma PEC ou um projeto de lei, optamos pelo projeto de lei que deve ser finalizado no Ministério das Comunicações nos próximos 15 dias e enviado ao Palácio do Planalto para ajustes. Até o fim do ano, o Executivo terá feito e entregue o seu dever de casa e o projeto estará no Congresso para ser aprimorado pelos deputados e senadores”, afirmou em entrevista à Bloomberg.

Para Alexandre Sam, que vende artigos vintages há dois anos no Mercado Livre, a greve fez com que suas vendas caíssem mais de 50% no período, algo que ele afirma não ter acontecido na pandemia.

"Eu gosto do serviço dos Correios, mas ele tem tido pequenas falhas. Eu acho que a empresa fica muito fragilizada no período da greve. Como vendo há um tempo, e já tenho certa experiência, já aviso ao comprador para que tenha paciência porque as entregas estão demorando no PAC (entrega econômica disponibilizada pelos Correios para o envio exclusivo de produtos). É muito difícil para mim pensar em um cenário sem a estatal. O que será dos pequenos comerciantes?", questiona.

Já o consumidor Tiago Medina, que atua no ramo da construção civil, diz que nunca teve experiência negativa com a estatal e ressalta que a questão política está interferindo no desenvolvimento da companhia.

"Eu sempre achei bons os serviços prestados pelos Correios e acho que a greve foi válida nesse contexto. Não concordo com privatizações para fazer caixa. O melhor caminho é uma busca por melhores gestões e investimentos. Eu discordo em falar que os Correios tenham monopólio. Eles só possuem nas correspondências particulares. Existem diversas empresas de entrega atuantes no mercado online que fazem o mesmo serviço da estatal. Enquanto ela estiver envolvida em um contexto político como este, acho que as greves irão continuar, assim como as incertezas para os consumidores como eu", afirmou.

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