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Como investir em renda fixa com a Selic baixa?

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Como investir em renda fixa com a Selic baixa? Foto: Pexels
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No mês de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a redução da taxa Selic de 2,25% ao ano para 2,00%. A nona redução seguida da taxa básica de juros. Em setembro, o comitê manteve a Selic inalterada na mínima histórica.

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Este movimento fez com que muitos se assustassem e procurassem alternativas em investimentos de renda variável. Entretanto, mesmo com a Selic baixa, é possível encontrar aplicações de renda fixa que gerem um bom retorno para o investidor.

Este cenário econômico, após o último ajuste na Taxa Selic, foi tema de uma live da VLG Investimentos sobre como extrair ganhos da renda fixa no cenário de juros baixos.

Isso significa que não é possível extrair ganhos da renda fixa?

A renda fixa engloba uma série de ativos em que é possível obter ganhos mesmo com a Selic baixa. Um cenário como o atual muda apenas a dinâmica de como você deve planejar a sua carteira de investimentos.

Uma diferença importante para conseguir aproveitar esse momento é saber a diferença entre investimentos pré e pós-fixados. Um investimento é pré-fixado quando a taxa de retorno do investimento já é conhecida no momento em que você faz a aplicação. Já o pós-fixado você só vai saber o quanto vai ganhar no vencimento deste investimento. Há também os títulos híbridos que possuem uma rentabilidade fixa e uma parte variável.

Vale lembrar a máxima de que o ideal é sempre diversificar o portfólio de investimentos. Assessores de investimentos apontam que não se pode manter a mentalidade de que os títulos pós-fixados irão gerar um bom rendimento, igual acontecia na Selic em alta.

“Renda fixa não morreu, o que morreu foi o pós-fixado pagando 1% ao mês. Ele ainda existe, porém não paga praticamente nada”, afirmou o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, durante live realizada pela empresa.

O que esperar para o futuro? E se a taxa cair ou subir?

A pergunta que ficou na cabeça de muitos investidores é o que acontece com a Selic a partir de agora. Para especialistas, é pouco provável que ela aumente muito em um futuro próximo.

“Se subir pouco, nada muda. Entre 2% e 3%, o cenário permanece o mesmo. De 2% pra 7% ou mais, algo que é improvável acontecer no futuro próximo, a situação muda. Quando subir, vai ser pouco, de 2% para 3% ou 2% pra 3,5%”, continua Milane.

Milane ressalta também quais são os fatores influenciam essa taxa e explica como ficar de olho para tentar prever um possível cenário:

“O que tem que ser acompanhado são os fatores de inflação, IPCA mês fechado e o IPCA-15, mas principalmente o Núcleo do IPCA e o Índice de Difusão. A inflação implícita nos títulos públicos também sobe".

O Núcleo de Inflação é uma medida que identifica as tendências dos preços, desconsiderando fatores temporários. Já o Índice de Difusão mostra o percentual de produtos que apontam crescimento ou queda, segundo o indicador mensal. Ambos são divulgados pelo Banco Central.

“Por outro lado, o juro baixo é benéfico para a economia, ele faz com que a economia ande, a bolsa ande, o fundo imobiliário ande, que os empreendedores tenham sucesso no seu próprio negócio”, afirma o sócio da VLG Investimentos.

Quais são os tipos de renda fixa?

Os investimentos de renda fixa são atrelados a um percentual mensal ou seguem algum índice como a própria taxa Selic, a inflação, o CDI ou algum outro.

“A gente não pode confundir renda fixa com CDI. Existem outros tipos de investimentos de renda fixa que não são atrelados ao CDI”, diz Milane.

Existem diversos investimentos em renda fixa, os mais populares são: Poupança, CDB, Tesouro Direto, LCI e LCA, Letra de Câmbio e CRA e CRI.

A poupança é uma das formas mais conhecidas pelos brasileiros para guardar dinheiro, porém o retorno dos juros é geralmente baixo e ainda é necessário descontar a inflação para obter um ganho real.

O CDB (ou Certificado de Depósito Bancário), é um papel de renda fixa emitido pelos bancos, e conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A ideia do CDB é você emprestar dinheiro para instituições bancárias e em troca receber uma taxa de rentabilidade, que é definida no momento da compra.

O Tesouro Direto é um título público de renda fixa, ele é emitido pelo Tesouro Nacional. Eles podem ser pré-fixados, pós ou híbridos.

LCI é a Letra de Crédito Imobiliário, e o LCA é a Letra de Crédito do Agronegócio. As duas são emitidas pelos bancos e a diferença está na alocação dos recursos captados, na LCI, ele é utilizado no setor imobiliário, já no LCA, é utilizado para financiar atividades do setor do agronegócio.

A Letra de Câmbio é um título emitido por financeiras. A ideia é a mesma, você recebe o valor emprestado e mais uma remuneração em uma data definida no momento da aplicação.

O CRA é o Certificado de Recebíveis do Agronegócio, semelhante às LCAs, o objetivo é financiar o setor do agronegócio. A diferença entre eles é que os CRAs são lançados aos investidores por empresas e os LCAs são emitidos por bancos, e, portanto, possuem um risco menor. O CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) seguem a mesma lógica.

As aplicações em renda fixa não são isentas de perdas e é necessário conhecer os riscos que esses investimentos oferecem.

Quais são os riscos da renda fixa?

São três os principais riscos da renda fixa: liquidez, crédito e mercado.

A liquidez representa a rapidez com a qual você consegue resgatar o dinheiro aplicado. Ao colocar o dinheiro em algum investimento, você pode precisar deste recurso por algum motivo ou alguma emergência. Um investimento que possui alta liquidez permite que o saque seja realizado a qualquer momento sem grandes penalidades, porém, a baixa liquidez torna o resgate mais difícil, podendo fazer com que o dinheiro fique preso até o vencimento ou que você perca parte do dinheiro ao realizar sacá-lo.

O risco de crédito é aquele em que o emissor não paga aquilo que foi proposto no investimento. Este risco existe em diferentes graus, há emissores que são “mais confiáveis” do que outros e possuem uma chance menor de não conseguir honrar com o compromisso.

O risco mercado é o que ocorre ao longo do tempo até o vencimento do ativo. Não é possível prever todas os eventos que acontecerão e como elas irão impactar o seu investimento. Portanto, uma dica importante dos assessores de investimento, é escolher ativos que vençam mais ou menos quando você for precisar do dinheiro.

Como avaliar os riscos?

Para avaliar os riscos, é importante se manter informado, acompanhar a avaliação das companhias e as notícias que influenciam tanto as empresas quanto o setor em que atuam.

Além disso, há empresas que se especializam em avaliar os riscos. Geralmente, essas agências olham dois anos para trás, o cenário atual e dois anos para frente, de modo a definir o risco financeiro e o grau de investimento de uma instituição.

Para isso, eles avaliam a estabilidade financeira e capacidade de caixa para operar e realizar pagamento, qualidade dos títulos e as garantias oferecidas por eles, o nível de endividamento de curto e longo prazo, histórico de crédito e existência de calotes, e nível técnico dos executivos e gestores que comandam a instituição.

Essas agências avaliam ainda as condições econômicas de onde a instituição está localizada e o risco do país. Após essa avaliação, elas classificam com uma nota a empresa - o chamado "rating". Em geral essas notas variam entre AAA (mais alta qualidade) e C (inadimplência).

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