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Guedes diz que furar teto de gastos é irresponsabilidade com gerações futuras

Atualizado em -

Guedes diz que furar teto de gastos é irresponsabilidade com gerações futuras Foto: Valter Campanato/Agencia Brasil
► Mourão sugere criação de imposto ou flexibilização no teto de gastos para custear o Renda Cidadã► MP que amplia margem de crédito consignado faz ações de bancos subirem nesta sexta-feira

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (2), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que furar o teto de gastos para "fazer política" e "ganhar eleição" é uma irresponsabilidade com as gerações futuras.

"Uma coisa é você furar o teto porque você está salvando vidas em ano de pandemia, e isso ninguém pode ter dúvidas. Se a pandemia recrudescer e voltar em uma segunda onda, aí sim nós decisivamente vamos fazer algo a respeito. E aí sim, é o caso de você furar o teto. Agora, você furar teto para fazer política, para ganhar eleição, para garantir, isso é irresponsável com as futuras gerações. Isso é mergulhar o Brasil no passado triste de inflação alta", declarou.

O chefe da pasta econômica não poupou críticas ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que teria dito em reunião com investidores que era Guedes o autor da proposta de usar dinheiro de precatórios para financiar o novo programa social do governo, o Renda Cidadã.

"Eu espero que ele não tenha falado nada de mal. Eu vou subir e depois eu desço e explico o que está acontecendo. Eu não acredito que ele tenha falado isso. Eu realmente não acredito que ele tenha falado mal de mim. Agora se falou, falou que está querendo furar teto, falou de precatório, quando eu descer eu explico tudo para vocês, tudo que está acontecendo. Se falou já pode saber: é despreparado, é desleal e confirmou que é um fura-teto, mas eu não acredito que tenha falado", disse Guedes a repórteres na portaria do Ministério da Economia.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, o Ministério do Desenvolvimento Regional afirmou que as informações a respeito da reunião com investidores, em São Paulo, chegaram à imprensa "de maneira distorcida".

"A reunião teve o intuito de reforçar o compromisso do governo com a austeridade nos gastos e a política fiscal. Em sua fala, Rogério Marinho destacou que o governo reconhece a necessidade de construção de uma solução para as famílias que hoje dependem da auxílio emergencial e que essa solução será resultado de um amplo debate com o parlamento, em respeito à sociedade e às âncoras fiscais que regem a atuação do governo", diz a nota.

Criação de um imposto ou a flexibilização do teto de gastos

Ontem, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Renda Cidadã não será custeado com recursos destinados para o pagamento de precatórios e nem com parte do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Segundo ele, o governo praticamente já descartou a possibilidade de financiamento divulgada na segunda-feira (28). Como alternativa, o vice-governador sugeriu a criação de um imposto ou a flexibilização do teto de gastos.

"Vamos olhar uma coisa aqui de uma forma muito clara. Se você quer colocar em um programa social mais recursos do que o existente, você só tem duas direções: ou você vai cortar gastos de outras áreas e transferir esses recursos para esse programa ou, então, você vai sentar com o Congresso e propor algo diferente, uma outra manobra que seja, por exemplo, fora do teto de gastos, um imposto especifico para isso e que seja aceito pela sociedade como um todo. Não tem outra solução, ou então mantém o status quo", disse.

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