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Mourão diz que é preciso buscar alternativas de financiamento para o Renda Cidadã

Atualizado em -

Mourão diz que é preciso buscar alternativas de financiamento para o Renda Cidadã Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil
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Depois de sugerir a flexibilização do teto de gastos para custear o Renda Cidadã, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta terça-feira (6) que é preciso fazer cortes de gastos e buscar alternativas de financiamento para o novo programa social do governo que respeitem os limites da lei orçamentária.

"A gente tem que buscar, dentro dos limites do orçamento, recursos para isso. Como eu falei para vocês, ou se corta recursos de alguma área ou se descobre alguma nova forma de obter esse recurso dentro dos limites que nós temos, ou seja, dentro da lei", comentou.

Segundo o general, é preciso respeitar o teto de gastos porque ele é a "âncora fiscal que o Brasil tem hoje", mas ponderou que o país não possui mais "gordura" orçamentária para queimar.

"Não temos mais gordura, essa é a realidade. A partir do momento que o orçamento ele avança anualmente pela inflação, nós temos uma inflação baixa, e as despesas obrigatórias avançam inercialmente, muitas vezes acima da inflação, elas comprimem as demais despesas", explicou.

O novo programa social gerou impasses no governo nas últimas semanas. O principal embate foi entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que teria dito em reunião com investidores que era Guedes o autor da proposta de usar dinheiro de precatórios para financiar o Renda Cidadã. Guedes se pronunciou sobre o caso e chegou a dizer que Marinho seria um "despreparado, desleal e fura teto", caso ele realmente tivesse dito isso.

Um outro ponto de tensão era a briga pública entre o chefe da pasta econômica e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O imbróglio mais recente entre os dois ocorreu na última quarta-feira (30), quando o Maia chamou o ministro da Economia de "desequilibrado".

Na noite de ontem, contudo, os dois pediram desculpas mútuas após um jantar convocado por parlamentares.

"Na minha última eleição [para presidência da Câmara], a única pessoa do governo que me apoiou foi o ministro Paulo Guedes. Nos dias seguintes à presidência, por divergências, por erros — e assumo os meus —, nós fomos nos afastando e, agora, na pandemia, mais ainda. Até na semana passada, deixo o meu pedido de desculpas, fui indelicado e grosseiro. Não é do meu feitio, ao contrário", pontuou Maia.

Já a resposta de Guedes foi motivada pela pergunta de um jornalista, quando Maia já havia deixado o local.

"O presidente Rodrigo Maia falou: 'Olha, você está atrasando a reforma tributária'. E eu: 'Olha, e as privatizações aí?' Isso são trocas de opinião. Não tem ofensa. Agora, eu, caso eu tenha ofendido o presidente Rodrigo Maia ou qualquer político que eu possa ter ofendido inadvertidamente, eu peço desculpas também. Não é um problema", declarou Guedes.

Sobre o selamento de paz entre os dois, Hamilton Mourão ressaltou que, com isso, a reforma tributária e as discussões sobre o Renda Cidadã irão andar no Congresso. Ele lembrou, no entanto, que é preciso "acertar os pontos de convergência, porque com muita gente é difícil ter a mesma visão do problema".

"Dizem que o falecido Ulysses Guimarães é autor dessa frase: em política, até a raiva é combinada. As coisas acontecem mais ou menos por ai. Acertando os pontos de convergência, pode não ser a reforma que todos gostariam, mas é a reforma que é possível. Vamos ver se a gente coloca mais velocidade, porque o Brasil precisa dessa velocidade, finalizou.

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