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Levantamento do Sebrae e FGV aponta melhoria no acesso ao crédito para pequenos negócios

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Levantamento do Sebrae e FGV aponta melhoria no acesso ao crédito para pequenos negócios Pixabay
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O mês de setembro registrou uma melhora no acesso ao crédito por parte dos pequenos negócios. É o que aponta uma pesquisa feita pelo Sebrae, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. Segundo o levantamento, entre as micro e pequenas empresas que buscaram empréstimos, 31% tiveram o pedido aprovado pelas instituições financeiras. É o melhor resultado para a série iniciada em março e está 9 pontos percentuais acima do indicador obtido na pesquisa feita na última semana de agosto.

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O aumento identificado na pesquisa feita entre a última semana de setembro e o dia 1º de outubro, na avaliação do Sebrae, ocorreu em virtude da retomada da maior parte das empresas à atividade (segundo a mesma pesquisa, 83% das empresas já voltaram a operar). Com isso, os pequenos negócios puderam apresentar um histórico de faturamento às instituições financeiras, melhorando as chances de aprovação do crédito. Outro fator relevante foi o lançamento da 2ª fase do Pronampe (programa do governo federal para acesso a crédito), no início de setembro, que disponibilizou mais recursos para novos empréstimos. Neste questionário, foram ouvidos 6.033 empresários de todos os 26 estados e do Distrito Federal.

Apesar do quadro econômico ainda ser preocupante, a pesquisa mostra que os pequenos negócios tiveram melhora no quadro geral. O percentual de empresas que registraram queda no faturamento baixou para 74% (em março, o resultado era de 89%) e a perda média ficou em 36%, quando comparado ao período anterior à crise. Ainda de acordo com o levantamento, cerca de 23% dos negócios já conseguiram igualar ou até mesmo superar o faturamento que tinham antes da chegada da pandemia do coronavírus.

Ainda segundo o levantamento, empresários que desenvolveram práticas inovadoras tiveram mais sucesso na melhora do nível de faturamento. Enquanto pequenos negócios inovadores registraram perda de 32%, as empresas que não inovaram tiveram um percentual de perda maior (39%).

De acordo com o presidente do Sebrae, Carlos Melles, ainda há muito o que melhorar no acesso das pequenas empresas ao crédito, mas os avanços precisam ser comemorados.

"Se olharmos os dados gerais, vamos perceber que os donos de pequenos negócios ainda têm bastante receio na hora de procurar um empréstimo. Tanto que apenas metade deles buscaram esse recurso, mesmo com todas as dificuldades impostas com a perda de faturamento. E, ainda assim, só 31% deles tiveram sucesso. De todo modo, ações como o Fampe e o Pronampe se mostraram fundamentais e precisam ser consolidadas", comenta.

Melles destaca também a maior participação de instituições financeiras não bancárias, como cooperativas de crédito, sociedades de crédito direto, bancos regionais e agências de fomento na concessão de crédito para pequenos negócios. Segundo o presidente do Sebrae, essas instituições financeiras aumentaram sua participação no volume total de crédito e alcançaram, inclusive, melhores taxas de aprovação.

Crédito mais barato

No início de outubro, o governo federal anunciou a extensão da isenção das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito até o fim do ano. Desde abril, a perda de arrecadação do governo com a medida é estimada em mais de R$ 14 bilhões. Em 2019, o imposto gerou uma arrecadação total de R$ 41,7 bilhões.

Na opinião do Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, os dados do cenário econômico atual mostram que o mercado de crédito está aquecido.

"Seja por conta da queda da Selic, seja por conta do fechamento da curva longa de juros, seja por conta da necessidade das empresas em repor capital de giro e repor caixa por conta da desaceleração econômica ocasionada pela pandemia no primeiro semestre. Portanto, a boa notícia é que, aparentemente, esse crédito está mais barato", analisa o sócio da VLG Investimentos.

Para Leonardo Milane a morosidade para a concessão de crédito aos empresários faz parte de um histórico de concentração do serviço nos grandes bancos. No entanto, com a entrada de novos agentes distribuidores de crédito como fintechs, corretoras e outras empresas digitais de serviços financeiros o cenário vem mudando.

“Uma vez que esse oligopólio tenha sido quebrado, a gente pode esperar que a concessão de crédito seja cada vez menos burocrática daqui para frente”, avalia Milane.

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