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Ipea revê para cima a previsão para o PIB agropecuário de 2020; preços sobem 2,2% em setembro

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Ipea revê para cima a previsão para o PIB agropecuário de 2020; preços sobem 2,2% em setembro Foto: Uesley Marcelino/ Reuters
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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) informou nesta quinta-feira (22) que revisou a projeção da taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) do setor agropecuário de 1,6% para 1,9% em 2020. A nova previsão foi motivada pelas estimativas para a produção agrícola divulgadas em outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontaram um cenário mais favorável para este ano. Os pesquisadores também encontraram o mesmo resultado para a previsão do PIB diante da estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A safra de soja teve seu crescimento revisado de 6,6% para 7,0%. Já no caso do café, a estimativa de alta para a produção foi revisada de 19,4% para 21,5%. Na pecuária, a queda interanual da produção de carne bovina deve ser menor, fechando o ano com recuo de 4,3%. Há expectativa de desempenho positivo nos segmentos de suínos (+ 7,8%), ovos (+3,2%) e leite (+0,2%).

O Ipea registra ainda que as projeções para 2021 sinalizam queda de 2,4% para 2,1%, por conta das estimativas mais otimistas para as safras de soja e de milho deste ano, o que eleva a base de comparação e é um indicativo que, devido ao cenário mais favorável, parte da produção dessas culturas deverão ser antecipadas do início do próximo ano para o final deste. O valor adicionado da lavoura deve crescer 1,8% e o da pecuária 3,9%.

Preços

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) informou que, no geral, setembro teve uma elevação nos preços em 2,2%, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS/FIPE. Como base de comparação, em 2019 o acumulado até setembro era 2,2%. O principal motivo da alta está no dólar, que impacta a cadeia de produção, principalmente produtos dependentes da soja, como o óleo que subiu 30,6% (61,7% no acumulado de 2020).

Apesar do recorde de produção em solo brasileiro e americano, a Apas destaca que a demanda chinesa pela soja é muito alta devido à necessidade de o país reconstruir o rebanho de suínos, que necessita da soja para se alimentar.

“A exportação do grão ocasiona a escassez no mercado interno, o que aumenta o custo na produção do óleo e eleva o preço do produto. Acreditamos que o cenário não deve mudar até o início de 2021, para quando está previsto um aumento da safra”, explica o presidente da Apas, Ronaldo dos Santos.

O levantamento da associação de mercados destaca ainda que os reflexos do atual cenário econômico brasileiro acabam se refletindo também nos cortes de carnes mais populares. Contrafilé, acém e coxão duro tiveram um expressivo aumento na demanda e subiram 7,81%, 6,68% e 9,7%, respectivamente.

O principal motivo também vem da China. Diante da dificuldade de não conseguir repor o rebanho suíno afetado pela peste africana, o país tem comprado direto dos frigoríficos brasileiros, que permanecem com o aumento de preços motivados pela venda em dólares.

E a exportação da soja afeta também o mercado de proteína animal no formato da ração, representando de 70 a 80% do custo de produção dos animais. O reflexo disto é o aumento – apenas no mês de setembro - de 4,77% na carne bovina, 6,96% na suína e 1,67% no frango.

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