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Mercado de cerveja sente a crise do coronavírus, mas espera resultados positivos nos próximos meses

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Mercado de cerveja sente a crise do coronavírus, mas espera resultados positivos nos próximos meses Pixabay
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O mercado brasileiro de cervejas tem crescido significativamente nos últimos anos e continua em desenvolvimento, gerando empregos e novos produtos. Uma prova disto são os dados divulgados no início deste ano pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que apontam que, em 2019, foram registradas 1.209 cervejarias em 26 unidades da federação. Isso faz do Brasil o terceiro maior fabricante mundial, com 13,3 bilhões de litros produzidos, atrás, somente, da China (46 bilhões) e dos Estados Unidos (22,1 bilhões). Este setor representa cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, gera R$ 25 bilhões em impostos por ano, é responsável por 2,7 milhões de empregos e tem um faturamento da ordem de R$ 100 bilhões, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

Em meados de março, a pandemia provocada pelo novo coronavírus chegou ao Brasil e medidas sanitárias precisaram ser implementadas para impedir a proliferação do vírus, como o fechamento de determinados setores do comércio. As empresas de bebidas alcoólicas recorreram ao e-commerce e ao delivery para suprir os prejuízos e atender a demanda de clientes que desejavam consumir suas cervejas, mas que mostravam receio para sair de casa.

Moradora do Rio de Janeiro, Emilie Roussille faz parte desse grupo. Ela diz que o isolamento social impactou a forma como ela consome bebidas, mas que isso não a impediu de ter momentos de lazer.

"A gente foi pesquisando novas formas para comprar e arriscando. Alguns supermercados, como o SuperPrix, adotaram o sistema de delivery, coisa que não existia antes da pandemia. Usamos muito também o Zé Delivery, que faz uma entrega muito rápida, eles são imbatíveis nisso. Usamos também o iFood, que sempre traz uma cerveja gelada. Como eu ainda não passei a frequentar bares, eu continuo pedindo por esses meios. O único problema é a taxa de entrega, que acaba encarecendo o preço que você está investindo nessa bebida", disse.

Segundo a rede de supermercados Guanabara, nas últimas duas semanas de março, houve aumento de 20% na venda das bebidas alcoólicas nas 26 lojas do estado do Rio. No Superprix na capital, as vendas durante a quarentena superaram a do Carnaval, período de pico anual, nas 16 lojas na cidade. Na comparação com março de 2019, quando caiu o Carnaval do último ano, 2020 apresentou uma alta de 27%.

Apesar do aprimoramento das entregas por meios digitais e do crescimento das vendas em supermercados, a head de marketing do Grupo Petrópolis, Eliana Cassandre, confirma que o fechamento de bares e restaurantes afetou diretamente o setor, nos primeiros meses de pandemia, por representar cerca de 40% das vendas de cerveja.

"A pandemia nos fez repensar vários processos dentro do Grupo Petrópolis: administrativo, comercial e de logística. Com isso, conseguimos superar as dificuldades e nos mantermos competitivos no mercado. Estamos superando as nossas metas e o mercado de cerveja está voltando a crescer", pontua.

Para ela, as expectativas são positivas para os próximos meses porque nessa época de final de ano as vendas de cervejas aumentam.

"Atrelado a isso, desenvolvemos diversos incentivos para a recuperação do mercado, sendo o principal deles o 'GPcomVocê'. Com o investimento de R$ 40 milhões, estamos beneficiando cerca de 40 mil bares, restaurantes e botequins. E estamos tendo um retorno muito positivo. O programa ajuda a gerar força para movimentar o mercado e dar fôlego aos nossos parceiros nessa retomada do setor de bebidas, contribuindo para a recuperação de muitas famílias", explica.

A Ambev também reportou que suas vendas de cerveja no Brasil caíram durante o perído de isolamento social. No segundo trimestre, a empresa apresentou queda de 1,6% em comparação com o mesmo intervalo de 2019. Sem citar números, a empresa considera que seu desempenho de vendas ficou acima da média da indústria no período. De acordo com a companhia, a receita de cerveja no país caiu 3,2% no trimestre, para R$ 5,13 bilhões. A queda foi associada a um mix de produtos de preços mais baixos, com vendas concentradas em supermercados.

Atualmente, os riscos de contágio pela Covid-19 são bem inferiores aos apresentados no início da pandemia, o que levou as prefeituras de todo o país a adotarem medidas de flexibilização da quarentena e reabertura do comércio. Apesar disso, no Rio de Janeiro os grandes eventos, como o Carnaval e o Réveillon, foram cancelados com o intuito de evitar aglomeração e o que os cientistas chamam de 'segunda onda do vírus'.

A ausência do Carnaval é muito representativa para o setor, segundo dados do ano passado da Kantar Worldpanel, líder global em dados, insights e consultoria. Durante os dias de folia, os brasileiros têm por hábito gastar mais com cerveja em comparação com os mesmos dias nos demais meses do ano. Enquanto que o gasto médio domiciliar com a bebida ficou em R$ 36,18 por mês no ano passado, em fevereiro o valor subiu para R$ 42,87.

Apesar da perda dessas datas comemorativas, Cassandre diz que o Grupo Petrópolis está confiante para os próximos meses, visto que as vendas se estabilizaram e o setor vem mostrado sinais de recuperação, mesmo com todo o contexto que surgiu por causa da pandemia.

"Esperamos fechar 2020 com um crescimento de 1% frente ao ano anterior. Já a expectativa para 2021, é melhor possível. Esperamos um crescimento de volume na maioria das regiões que atuamos, e esperamos crescer em Minas Gerais, onde recentemente investimos em uma nova fábrica para atingirmos uma grande fatia do mercado que ainda não éramos atuante", finaliza.

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