clique para ir para a página principal

Guedes diz que governo pretende zerar tarifa de alimentos e materiais de construção se preço subir demais

Atualizado em -

Guedes diz que governo pretende zerar tarifa de alimentos e materiais de construção se preço subir demais Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
► Bolsonaro afirma que país não aumentará impostos após a pandemia► Tesouro informa que contas do governo registram déficit de R$ 76,1 bi em setembro

Durante audiência no Congresso Nacional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (29) que o governo pretende reduzir o imposto de importação de produtos cujos preços subirem muito, citando o arroz e o óleo de soja.

"Já estamos estudando quais as tarifas de importação que vão descer. Começou a subir demais o preço do arroz? Zero tarifa de arroz. Vai começar a subir soja, óleo de soja? Zero tarifa de importação", disse o ministro.

Guedes pontuou que os preços subiram como “outro lado da moeda” do aumento da capacidade de consumo da população, causada pelo auxílio emergencial. Para ele, a iniciativa do governo de reduzir as tarifas de importação de arroz “travou” o preço do produto, ainda que em patamar alto.

“Agora a safra vem aí, mais dois, três meses, e ele vai começar a ceder de novo, e tudo bem”, ressaltou.

Na avaliação do ministro, o mesmo fator de elevação do preço dos alimentos está atingindo os materiais de construção.

"Eles não só estão comendo melhor como eles também estão melhorando a casa deles, comprando materiais de construção. Então, começou um boom de compra de material de construção. Houve um boom do setor, e os preços subiram. Agora, esses preços justamente vão trazer mais produção de todos esses insumos, tudo isso vai começar a entrar e do que não entrar nós vamos derrubar a tarifa de importação", finalizou.

Imposto digital

Ainda na audiência, Paulo Guedes defendeu novamente a criação de um imposto sobre transações financeiras realizadas por meio digital, que ele chamou de "digitax", mas reconheceu que esta tributação está "morta".

Segundo ele, sem os recursos que viriam com esse tributo, ele não pode aprovar a proposta de estender, até o final de 2021, a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia.

"As pessoas nem entenderam que tem um futuro digital chegando. O Brasil é a terceira ou quarta maior economia digital do mundo, nós vamos ter que ter um imposto digital mesmo", disse o ministro.

Em seguida, completou:

“O imposto está morto, ele não existe. Então, como eu não tenho fonte, eu não posso aprovar, tendo dado um parecer que, enquanto não tiver o dinheiro, eu não posso aprovar a desoneração", disse. " Do meu ponto de vista, o imposto está morto. Não tem imposto nenhum, não tem desoneração", emendou.

Bolsonaro

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro disse para o ministro da Economia, Paulo Guedes, que o Brasil não aumentará impostos durante e nem depois da pandemia. A declaração foi uma resposta à fala do ministro que, no mês passado, pontuou que o país tem que desonerar a folha de pagamento das empresas e, para isso, precisa buscar "tributos alternativos".

Em setembro, o presidente da comissão mista da Reforma Tributária, o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), já havia alertado que este não é o momento oportuno para uma discussão no Congresso sobre uma nova Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Para o senador, o melhor agora seria votar a Reforma Tributária que já está em tramitação no Congresso.

Outro que se posicionou contra a criação de um novo imposto foi presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Em entrevista à GloboNews, Maia chegou a dizer que avaliava recriar a campanha "Xô, CPMF", lançada em 2007 e que defendia o fim do imposto.

Relacionados:

► Bolsonaro afirma que país não aumentará impostos após a pandemia► Tesouro informa que contas do governo registram déficit de R$ 76,1 bi em setembro

Leia mais: