clique para ir para a página principal

‘Segunda onda’ de Covid-19 aumenta desafio para setor automotivo

Atualizado em -

‘Segunda onda’ de Covid-19 aumenta desafio para setor automotivo Divulgação | GM
► Balança comercial registra superávit de US$ 1,579 bilhão na quarta semana de outubro► ONU informa que investimento no Brasil caiu 48% no primeiro semestre

Há setores que sentem primeiro os impactos das patinadas da economia. Um deles é o automotivo. Um dos sinais do desaquecimento da atividade produtiva é a queda na fabricação e venda de veículos novos – e o consequente aumento da venda de seminovos. Este ano, no Brasil, em razão da pandemia, houve queda nas vendas tanto de novos quanto de seminovos e a perspectiva de uma segunda onda de Covid-19 deixa aceso o sinal de alerta.

Em relatório divulgado no último dia 26, a Anfavea, entidade que representa o setor, antecipou que as vendas de veículos novos devem fechar o ano em queda de 31% em relação a 2019, com 1,925 milhão de unidades comercializadas. A associação prevê ainda uma queda de 34% nas exportações e 35% na produção.

Durante participação em congresso virtual promovido pela Autodata, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse que o cenário pode ser ainda pior, em casos de novos lockdowns e aumento do descontrole fiscal. "A gente tem que ser otimista, mas não pode fechar os olhos e não observar riscos relevantes à frente", comentou.

No último dia 28, Bolsonaro sancionou, sem vetos, a lei que prorroga incentivos fiscais para montadoras de veículos e fabricantes de autopeças nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste até o final de 2025. Originalmente, a proposta encaminhada pelo Executivo não incluía as montadoras do Centro-Oeste, mas a alteração foi feita pela Câmara. O impacto do não recolhimento da receita na região é estimado em R$ 450 milhões por ano.

USADOS

O setor de usados é ainda mais sensível às oscilações econômicas porque o carro é um ativo que pode ser usado também para fazer dinheiro.

“Com a crise muitas pessoas precisam vender ou trocar o carro por um modelo inferior para cobrir gastos emergenciais e outras estão querendo um segundo carro para terem mais segurança de se locomover na pandemia”, explica Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto, entidade que representa os revendedores de veículos usados e seminovos.

O setor sofreu com as concessionárias fechadas de março a julho e pelo menos duas mil lojas fecharam em todo o país, com as vendas chegando a quase zero. Os números atuais, porém, já estão nos patamares de março, com vendas acima de 70 mil unidades diárias.

A perspectiva para o próximo ano seria de retomada e otimismo, mas uma possível segunda onda de Covid e um horizonte econômico que demora a desanuviar traz desafios. Um dos pontos sensíveis, sobretudo no estado de São Paulo, foi a edição de um decreto que reduz, a partir de 15 de janeiro, de 90% para 69,3% o desconto de ICMS que o setor possui desde 2017. Santos diz que a medida seria um golpe muito grande para um setor que ainda sofre para sair da crise, além de ser, na sua avaliação, inconstitucional. “Permite ao Legislativo delegar ao Executivo, no estado de São Paulo, um poder para renovar ou reduzir benefícios fiscais por decreto”. A entidade se articula para tentar barrar a proposta.

Por outro lado, a pandemia acelerou um processo que engatinhava: o de vendas de carros pela internet. Embora fosse comum entre proprietários o compartilhamento de anúncios de vendas era raro o consumidor que comprava e pagava o carro em uma loja online para receber em casa.

“Foi um aprendizado que conquistamos e é um mercado que deve crescer bastante no futuro”, diz o presidente da Fenauto.

Relacionados:

► Balança comercial registra superávit de US$ 1,579 bilhão na quarta semana de outubro► ONU informa que investimento no Brasil caiu 48% no primeiro semestre

Leia mais: