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Malha aérea brasileira chega a 50%, mas mercado internacional segue impactado pela Covid-19

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Malha aérea brasileira chega a 50%, mas mercado internacional segue impactado pela Covid-19 Pixabay
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A crise desencadeada pelo novo coronavírus mexeu com a rotina da nossa sociedade. Tudo e todos foram afetados, seja direta ou indiretamente. Neste cenário, o setor aéreo foi um dos mais atingidos, especialmente em razão das medidas de restrição à circulação e aglomeração de pessoas, bem como o receio de viajantes em propagar ainda mais a doença. Dados da Consultoria OAG, especializada em aviação civil, mostram a dimensão global do problema. Em abril, por exemplo, as operações aéreas variavam entre 39,4%, no Japão, a 94,1%, na Espanha, com média geral de 65,9%. Na América Latina, não foi diferente. O tráfego aéreo caiu 91% em abril ante mesmo período de 2019, apontou a Alta (Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe).

Já o Brasil viu sua demanda por voos domésticos em abril apresentar uma queda de 93,1%, em relação ao ano passado, sendo que a oferta de assentos nos aviões recuou mais de 91%, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O transporte de passageiros em companhias brasileiras para o mercado internacional viu um tombo ainda maior, de 98,13%.

Em março, as três maiores empresas de aviação que atuam no Brasil - Azul, Gol e Latam - procuraram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o intuito de amenizar os impactos da crise econômica. Na época, a instituição financeira ofereceu a cada uma delas R$ 2 bilhões em empréstimo, em parceria com bancos comerciais e investidores, por meio de emissão de debêntures e bônus de subscrição. Porém, as condições financeiras não agradaram às companhias. O presidente do banco de fomento, Gustavo Montezano, chegou a afirmar que o montante poderia ser disponibilizado em abril, o que acabou não acontecendo até a presente data.

O presidente-executivo da Azul, John Rodgerson, chegou a dizer em agosto que "o pacote de socorro do BNDES ao setor aéreo já não é tão vital". Segundo ele, a companhia avaliou, na época, que pode eventualmente conseguir condições melhores em uma linha de crédito prudencial, para ser usada em caso de necessidade, em melhores condições do que as ofertadas pelo banco.

“No final, a demora para o pacote foi até útil porque conseguimos renegociar 98% das nossas dívidas, não teremos nenhum vencimento importante até o segundo semestre de 2021 e estamos nos tornando uma empresa muito mais eficiente. Se eu tivesse certeza de que as coisas vão continuar evoluindo como agora, não precisaríamos do pacote", justificou.

Na segunda-feira (26), a Azul anunciou que pretende captar R$ 1,6 bilhão, por meio da emissão de debêntures conversíveis em ações, o que pode ser entendido como alternativa à captação de recursos com o BNDES. Esse montante será usado para capital de giro, expansão das atividades de logística e “oportunidades estratégicas”, segundo fato relevante publicado pela empresa. O plano apresenta condições mais favoráveis à companhia, já que o empréstimo sairia a CDI mais 4% ao ano.

Já a Latam informou, via assessoria, que ainda está em negociação com o banco de fomento e que vem tomando todas as medidas necessárias para sair desta crise como uma empresa mais eficiente.

"Desde o início desta pandemia, a Latam revisou toda a sua operação e a forma de trabalhar e a adesão voluntária ao processo do Capítulo 11 [da lei de falências] nos EUA é uma clara demonstração de como a companhia está disposta a se reorganizar de forma profunda. No âmbito deste processo, a Latam obteve a aprovação do financiamento de longo prazo nos EUA, o que assegura para todo o grupo o acesso a US$ 2,45 bilhões necessários para enfrentar os efeitos da pandemia", reportou a empresa.

A Gol foi a única que ainda não buscou recursos no mercado financeiro. A empresa fechou parceria com a Smiles e vendeu antecipadamente R$ 1,2 bilhão em passagens aéreas. Na semana passada, contudo, acionistas da Smiles iniciaram um procedimento arbitral contra a companhia aérea para rever dois contratos de venda antecipada, que somam R$ 1,6 bilhão.

Após longo período de incertezas, o setor aéreo brasileiro dá sinais de força e resiliência frente a maior crise da história da aviação mundial. O ritmo de retomada de voos domésticos vem crescendo lentamente com o passar dos meses. Entretanto, os números são muito inferiores à realidade anterior à pandemia. A estimativa da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) é de que, neste mês de outubro, o Brasil supere os 1200 voos diários dentro do território nacional, utilizando-se da metade da sua malha aérea.

A Latam confirma que vem retomando gradualmente os seus voos, com muito equilíbrio entre a oferta de assentos e a real demanda por viagens aéreas neste momento, e já apresenta ocupação acima dos 80%.

"No mercado brasileiro, as vendas para viagens no mercado doméstico estão 9 vezes maiores do que no pior momento da crise. A Latam já adicionou quase 3 mil voos para a próxima alta temporada de dezembro de 2020 a janeiro de 2021. De forma geral, a demanda tem começado a responder com mais força no mercado doméstico e para viagens a lazer", destacou a companhia.

Em relação ao mercado internacional, a situação ainda é complexa. Os líderes dos países europeus vivem uma segunda onda do vírus e intensificam as medidas de combate, depois da alta de 42% de novos casos da Covid-19 em uma semana. Na quarta-feira (28), por exemplo, os governos da Alemanha e da França anunciaram um lockdown parcial, enquanto a Itália reforçou medidas de restrição para bares e restaurantes. A Espanha declarou estado de emergência sanitária em todo o país por 15 dias, aguardando que o Parlamento aprove sua extensão por seis meses, até 9 de maio.

"O mercado internacional continua muito impactado pela crise, devido às restrições de fronteiras em diversos países da Europa e EUA. Passados quase 8 meses de pandemia, a Latam está operando com menos de 10% de sua capacidade de voos do Brasil para o exterior, sem perspectivas de retomada ou aceleração no curto e médio prazo", confirma a Latam.

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