clique para ir para a página principal

Como as eleições dos EUA impactam o mercado financeiro?

Atualizado em -

Como as eleições dos EUA impactam o mercado financeiro? Frederic J. Brown | AFP
► Banco Mundial aprova empréstimo de US$ 1 bilhão para ampliação do Bolsa Família► Ibovespa cai 2,72%; pregão foi marcado por desmonte de posições antes das eleições dos EUA

A maior economia do mundo está prestes a eleger um novo presidente. Na próxima terça-feira, dia 3 de novembro, será definido o novo líder dos Estados Unidos da América.

O acontecimento, por si só, já é importante. Mas neste ano, uma reviravolta nas previsões econômicas mundiais para 2020 - por conta da pandemia de coronavírus – deve influenciar a escolha de quem será o grande vencedor das eleições presidenciais nos EUA.

O republicano e atual presidente Donald Trump tenta a reeleição enquanto luta para reerguer um país afetado duramente pela Covid-19. Pedidos de seguro-desemprego chegaram a níveis históricos, o número de internações continua aumentando 7 meses após o início da pandemia e uma vacina ainda parece longe de ser realidade.

Do outro lado, o democrata Joe Biden – que já foi vice-presidente dos EUA no governo Barack Obama – tenta se destacar e usar as fraquezas de Trump para lidar com o vírus como trunfo para sua vitória.

Se antes o cenário indicava que Trump era favorito para continuar no cargo, o “efeito dominó” causado pelo coronavírus mudou essa realidade.

E o mercado financeiro? A vitória de Trump ou de Biden pode influenciar setores da economia? Os investidores estão atentos ao novo presidente dos Estados Unidos?

A resposta é SIM.

Como presidente da maior economia do planeta, o líder dos Estados Unidos toma decisões que podem afetar o mundo inteiro, inclusive as bolsas de valores. Desde a decisão de corte de impostos para empresas até os acordos feitos com outros países, tudo pode mexer com o dólar e com a economia do mundo.

Embora o presidente americano não tenha o poder de controlar o mercado, o ambiente de estabilidade gerado pela postura do líder faz diferença na reação dos investidores e na volatilidade do mercado.

Se Trump se reeleger, por exemplo, sua postura deve agradar o mercado em relação à redução de impostos para empresários, o que já aconteceu durante o seu primeiro mandato.

Em dezembro de 2018, Donald Trump sancionou uma lei que mudou o sistema tributário dos EUA e permitiu a redução dos impostos pagos pelas empresas de 35% para 21%, o maior corte de dos últimos 30 anos. A medida agradou empresários, que conseguiram aumentar os investimentos, salários e vagas de trabalho.

Por outro lado, uma vitória de Biden pode criar legislações mais duras para as empresas, mas também deve estabelecer uma política ambiental mais sólida e aumentar os investimentos em saúde pública, o que pode agradar investidores. Como democrata, Biden deve tentar conseguir do Congresso um aumento de impostos, especialmente sobre o lucro das empresas e a renda dos mais ricos.

Trump sofre com pandemia

A economia americana estava crescendo de forma consistente no mandato de Donald Trump. O PIB (Produto Interno Bruto) americano teve alta de 2,4%, 2,9% e 2,3% em 2017, 2018 e 2019, respectivamente. Além disso, a taxa de desemprego estava próxima ou abaixo dos 4%.

Mas a pandemia mudou a realidade e o vitorioso PIB e o baixo desemprego ficaram no passado. O desempenho da economia no segundo trimestre deste ano foi impactante: o PIB registrou queda de 31,7%. Foi a maior contração desde a Grande Depressão, no início do século passado.

Apesar do resultado ruim do segundo trimestre, o país dá sinais de que vai retomar sua economia: depois da injeção de mais de US$ 3 trilhões em medidas de alívio à pandemia, a economia dos Estados Unidos registrou crescimento recorde de 33,1% no 3º trimestre. Esse foi o ritmo mais forte desde que o governo iniciou os registros em 1947. Leia mais aqui.

Depois de atingir um pico de 14,7% em abril, a taxa de desemprego começou a cair. Em setembro, a taxa foi de 7,9%, segundo dados do Departamento do Trabalho.

Embora tenha conseguido acordo para pacotes de estímulos econômicos trilionários, a postura de Trump foi criticada ao longo dos meses e essa visão pode ter influenciado na opção de voto dos norte-americanos.

Pesquisas apontam Biden vencedor

Se as pesquisas de opinião estiverem corretas, no dia 03 de novembro os Estados Unidos terão um novo presidente. Joe Biden está vencendo as pesquisas e tem usado a postura de Trump na pandemia para conseguir votos.

O atual presidente minimizou a doença em diversos momentos, acabou contraindo o vírus, foi internado em um hospital para tratamento e toda a situação atrapalhou sua campanha eleitoral. Nos dois debates presenciais feitos pelos candidatos, a troca de acusações foi intensa. Em ambos episódios, veículos de comunicação apontaram que Biden saiu vencedor.

Pesquisa eleitoral feita pelo Centro de Pesquisa Eleitoral da Universidade de Winsconsin-Madison analisou as intenções de voto de Joe Biden e de Donald Trump nos estados de Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. Os três estados formam a chamada “Parede Azul”, considerada crucial para a vitória de um republicano, já que historicamente a população dessa região tende a votar em democratas. Segundo a pesquisa, divulgada em 26 de outubro, Biden tem mais de 50% das intenções de voto nas três federações, enquanto Trump está próximo dos 40%.

Já uma previsão do site Fivethirtyeight, que leva em conta dados de pesquisas e tendências históricas, aponta que Joe Biden vence em 87 de cada 100 simulações eleitorais, enquanto Trump vence em 12 de cada 100.

E para o Brasil?

Por aqui, a vitória de Trump poderia trazer mais tranquilidade em relação ao cenário político, já que o presidente Jair Bolsonaro se posiciona a favor de Trump e já manifestou o interesse de aumentar as parcerias com os norte-americanos.

Como o M1M mostrou em 20 de outubro, o EximBank, Banco de Exportação de Importação dos Estados Unidos, assinou memorando de entendimento para investimentos de aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) no Brasil. Clique aqui para ler mais.

O câmbio é outro fator importante a ser considerado em relação ao cenário econômico brasileiro. O real é a moeda que mais se desvalorizou em relação ao dólar em 2020 - perdeu 28% do seu valor perante o dólar americano desde 31 de dezembro de 2019. Um dos motivos que explica essa desvalorização é a dificuldade do Brasil em lidar com a crise econômica gerada pela pandemia.

variação cambial frente ao dólar

Fonte: FGV

Relacionados:

► Banco Mundial aprova empréstimo de US$ 1 bilhão para ampliação do Bolsa Família► Ibovespa cai 2,72%; pregão foi marcado por desmonte de posições antes das eleições dos EUA

Leia mais: