clique para ir para a página principal

Como é feita a pesquisa do preço da cesta básica de alimentos?

Atualizado em -

Como é feita a pesquisa do preço da cesta básica de alimentos? Pixabay
► Guedes diz que governo pretende zerar tarifa de alimentos e materiais de construção se preço subir demais ► IPCA de outubro sobe 0,86%, segundo IBGE

O preço da cesta básica de alimentos é assunto recorrente na mídia e nos jornais, pois é algo que impacta toda a população. Entre os alimentos que a compõem, o arroz é um dos alimentos que mais ganhou destaque no noticiário pelo aumento dos preços nos supermercados desde setembro. Além disso, o custo da cesta básica de alimentos no geral aumentou nas capitais brasileiras.

Já que o preço varia entre mercados, feiras e localidade, você sabe como é feita a pesquisa de preço da cesta básica no Brasil?

O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) é a entidade criada pelo movimento sindical brasileiro responsável por realizar a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.

Metodologia

Os itens básicos que compõem a cesta são definidos pelo Decreto Lei nº399 que determina que esta seja composta por 13 alimentos em quantidades suficientes para garantir, durante um mês, o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta. Esta seleção procura fazer a distinção entre regiões e hábitos alimentares locais.

Estes alimentos são: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, legumes (tomate), pão francês, café em pó, frutas (banana), açúcar, banha/óleo e manteiga. A quantidade base de cada alimento depende de cada região. A tabela abaixo mostra essa relação.

tabela de alimentos da cesta básica

A região 1 é composta pelos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. A região 2 é composta pela Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Por fim, a região 3 é composta pelo Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na perspectiva nacional se encontra a cesta normal média para todo o território brasileiro.

Essa pesquisa é realizada nas cidades de: São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Fortaleza, Recife, Belém, João Pessoa, Vitória, Natal, Goiânia, Aracaju, Manaus, Campo Grandes, Cuiabá, Palmas, Maceió, São Luís, Teresina, Macapá, Rio Brando, Porto Velho e Boa Vista.

Devido à pandemia do coronavírus, o DIEESE suspendeu a coleta presencial de preços, realizando uma tomada de preços à distância.

O preço é pesquisado em locais onde famílias que recebem de um a três salários mínimos adquirem esses produtos, tais como supermercados, feiras, açougues e padarias.

Os estabelecimentos são pesquisados no mesmo dia da semana de cada mês. Isso ocorre porque alguns locais fazem ofertas em determinados dias da semana, o que pode causar variação nos preços. Assim, um estabelecimento que é pesquisado na primeira semana do mês em uma 2ª feira, deverá ser visitado no mês seguinte também na 2ª feira da 1ª semana do mês.

arroz e feijão cesta básica

Tipos e Marcas

A pesquisa toma cuidado também em diferenciar os alimentos por tipo, marca e unidades de medida. O feijão, por exemplo, é o tipo carioquinha nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de Belo Horizonte e São Paulo. Já na região Sul, Rio de Janeiro e Vitória, leva-se em consideração o preço do feijão preto.

A recomendação é que se pesquise, para cada produto, três marcas, sendo duas fixas e uma em aberto. Foi feita uma pesquisa nos estabelecimentos para definir quais são as marcas mais ofertadas e em qual unidade de medida cada produto é mais frequentemente comercializado para usar como base.

Resultados

Com os dados coletados, o DIEESE faz o cálculo do custo mensal e horas de trabalho para adquirir a cesta básica. Para isso, a entidade utiliza o preço médio de cada produto, multiplicado pelas quantidades definidas no decreto mostrado anteriormente.

Em seguida, é feita a relação entre o salário mínimo vigente, a jornada de trabalho adotada na constituição (220 horas por mês), e o custo da cesta básica.

Último resultado

O último resultado divulgado pelo DIEESE, em setembro de 2020, apresentou um aumento do preço da cesta básica em todas as capitais pesquisadas. Sendo as maiores altas em Florianópolis, R$ 582,40 (+9,80%), Salvador, R$ 459,33 (+9,70%) e Aracaju, R$ 426,97 (+7,13%).

O tempo médio necessário para um indivíduo adquirir os produtos da cesta, em setembro, foi de 104 horas e 14 minutos. Maior que o mês anterior que ficou em 99 horas e 24 minutos.

Entre as principais variações, o óleo de soja apresentou elevação em todas as capitais. O valor médio do arroz agulhinha ficou maior nas 17 capitais, com destaque para Curitiba, Vitória e Goiânia, que sofreram alta de 30,62%, 27,71% e 26,40%, respectivamente. O principal fator que influenciou a alta foi a baixa nos estoques brasileiros e o elevado volume de exportação.

Entre os produtos que sofreram retração, o destaque ficou para a batata, pesquisada no Centro-Sul, que teve o valor médio reduzido em 7 das 10 cidades.

Inflação

A inflação está intimamente ligada com essa pesquisa do aumento de preços da cesta básica, uma vez que ela é o índice que mostra o aumento contínuo e generalizado de preços na economia.

As últimas leituras de inflação foram acima do esperado, e o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou sua projeção para os meses restantes de 2020. Contribuem para essa revisão a continuidade da alta nos preços dos alimentos e de bens industriais, consequência da depreciação persistente do Real, da elevação de preço das commodities e dos programas de transferência de renda.

Por um lado, a normalização parcial dos preços ainda deprimidos deve continuar, em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade. Por outro lado, espera-se a reversão na elevação extraordinária dos preços de alguns produtos, afetados por redução provisória na oferta em conjunção com um aumento ocasional na demanda. Dessa forma, apesar de a pressão inflacionária ter sido mais forte que a esperada, o Comitê mantém o diagnóstico de que esse choque é temporário, mas monitora sua evolução com atenção.

O último boletim Focus divulgado pelo Banco Central apresentou a projeção do IPCA de 1,97% para 2020.

Relacionados:

► Guedes diz que governo pretende zerar tarifa de alimentos e materiais de construção se preço subir demais ► IPCA de outubro sobe 0,86%, segundo IBGE

Leia mais: