clique para ir para a página principal

Pandemia, dólar alto e inflação não impedem crescimento recorde do e-commerce

Atualizado em -

Pandemia, dólar alto e inflação não impedem crescimento recorde do e-commerce Gerd Altman | Pixabay
► Privatização dos Correios gera interesse de gigantes varejistas e incertezas para pequenos empresários► Para reforçar e-commerce, Magazine Luiza conclui aquisição da GFL Logística► Mercado de cerveja sente a crise do coronavírus, mas espera resultados positivos nos próximos meses

Há um chavão econômico que diz que toda crise é também uma oportunidade. Em meio à onda de incertezas trazida pela pandemia por Covid-19, ao menos um setor se estabeleceu não apenas como bote salva-vidas na turbulência atual mas também como porto seguro para desafios futuros: o e-commerce. No ano, o faturamento das vendas online cresceu 56,8%, chegando a quase R$ 42 bilhões. Mais de 135 mil novos estabelecimentos aderiram à venda pela internet nos últimos nove meses e pelo menos 14% dos usuários fez uma compra virtual pela primeira vez.

Se por um lado, o setor foi ‘impulsionado’ pelo fechamento dos shoppings e comércio de rua imposto pelas regras sanitárias de combate ao Covid, por outro, a explosão na cotação do dólar e a inflação de determinados componentes importados surgiram como desafio para manter as vendas em alta. Outro componente de incerteza foram as questões envolvendo uma possível privatização dos Correios, além da greve de funcionários da categoria, como mostramos em outra reportagem aqui.

Um estudo realizado pelo Conselho Nacional do Comércio (CNC), a pedido do jornal Estado de S. Paulo, cruzou informações de vendas do varejo do IBGE com as variações de preços medidas pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). O resultado mostra que os dez subgrupos de produtos e serviços que registraram as maiores altas de preços nos últimos seis meses foram justamente os mais demandados pelo consumidor. Juntos subiram, em média, 5,80% no varejo, resultado equivalente a quatro vezes a inflação medida pelo IPCA-15, que foi de 1,35%.

Segundo o levantamento, o subgrupo que reúne TV, aparelhos de som e itens de informática foi o que teve maior alta (18%), seguido por eletrodomésticos e equipamentos (8,88%), seguido por joias e bijuterias (7,2%). As altas nos preços coincidem com altas nas vendas online: eletrônicos cresceram 68,4%; eletrodoméstico 51%; e Beleza e Perfumaria 107,4%.

A Black Friday, que acontece no fim do mês, deve incrementar ainda mais esses números. Segundo o levantamento Data Stories, realizado pela Kantar Ibope Media e publicado no Estadão, 46% dos entrevistados pretendem comprar na Black Friday esse ano. Dentro desse percentual, 15% dos consumidores vão fazer a sua primeira compra na data promocional.

Novo normal

Paulo Arruda, diretor de Novos Negócios da Kantar Ibope Media, explica o impulsionamento do e-commerce durante a pandemia.

“Depois de 66 dias, um comportamento de consumo pode se transformar em um hábito. Durante a pandemia, as pessoas passaram a utilizar aplicativos com mais frequência, fazendo com que uma série de novos consumidores entrasse nesse modelo”, afirma Arruda.

Levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) vai na mesma direção e acrescenta que o aumento das compras pela internet e a redução das idas aos pontos de venda pode gerar transformações de longo prazo nas estratégias das empresas. Segundo a pesquisa, 91% dos consumidores se disseram satisfeitos com a experiência online e 53% dos entrevistados estão frequentando menos o varejo físico.

Maurício Salvador, presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), ratifica que empresas com operação restrita ao ambiente físico estão em uma situação de desvantagem ampla e correm sérios riscos de sobrevivência. “É possível começar a vender on-line de forma rápida e simples, sem a necessidade de grandes investimentos. É preciso correr pela presença digital”.

Relacionados:

► Privatização dos Correios gera interesse de gigantes varejistas e incertezas para pequenos empresários► Para reforçar e-commerce, Magazine Luiza conclui aquisição da GFL Logística► Mercado de cerveja sente a crise do coronavírus, mas espera resultados positivos nos próximos meses

Leia mais: