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Ipea: Investimentos em infraestrutura são essenciais para a retomada da economia pós-Covid

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Ipea: Investimentos em infraestrutura são essenciais para a retomada da economia pós-Covid Sondem/123RF
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A crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus fez o governo brasileiro e o setor privado adotarem medidas para tentar manter a economia o mais estável possível. Com a queda do número de infectados e a flexibilização da quarentena no Brasil, a recuperação econômica volta a ser uma das pautas mais importantes neste momento. Um estudo publicado em julho pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou soluções para acelerar o desenvolvimento sustentável no país após a pandemia e elencou os investimentos em infraestrutura como essenciais para a retomada da economia.

Apesar da importância do setor para a geração de empregos, o país tem um problema crônico quando se trata do assunto. O Brasil foi a nação da América Latina que teve menos investimentos públicos em infraestrutura no ano passado - o aporte no setor foi um pouco menos que 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A instituição financeira divulga que as melhorias na infraestrutura são capazes de diminuir as disparidades sociais e ajudar as populações mais vulneráveis, justamente as mais atingidas pela pandemia da Covid-19.

“A infraestrutura será um componente crítico para construirmos nossas economias pós-pandemia e buscarmos a redução da desigualdade. Os orçamentos estarão apertados, portanto precisamos investir em infraestrutura voltada para a próxima década, não para a passada. Nosso relatório recomenda áreas em que as políticas governamentais podem promover inovações e trazer para a infraestrutura uma visão orientada para os serviços”, afirma o economista-chefe do BID, Eric Parrado.

Mesmo realizando baixos investimentos públicos na área, o Brasil recebe cerca de 25% do que é aplicado pela iniciativa privada no setor na América Latina. O país também está acima da média quando assunto é acesso à internet. O percentual de brasileiros que não têm plano de internet no celular é inferior a 10% – menor percentual entre os países latino-americanos. Em contrapartida, apenas 32% dos moradores de municípios brasileiros com população entre 50 mil e 141 mil habitantes têm acesso a esgoto. Nas grandes cidades esse percentual mais que dobra e chega a 73,3%, segundo o Instituto Trata Brasil. 

“O potencial de ganhos da transição de um modelo pautado em obras para um baseado em serviços é especialmente grande no Brasil. O país tem conquistas importantes, por exemplo, a universalização da eletrificação rural em 20 anos. Mas ainda tem desafios importantes em infraestrutura: 16% da população ainda não tem água encanada, o transporte público é caro demais para uma parcela da população e pouco atrativo para outra. A saída é não só mais investimento, mas investimentos mais qualificado”, diz Morgan Doyle, representante do BID no Brasil.

A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) e a consultoria EY divulgaram, através da Coluna Broadcast, do Estado de S. Paulo, uma pesquisa realizada em setembro deste ano com gestores de investimentos e especialistas sobre as expectativas para o setor de infraestrutura. Segundo o estudo, 85,2% dos executivos acreditam que a promoção dos investimentos em infraestrutura nos últimos seis meses ficou aquém do esperado. Apesar disso, 52,1% acreditam em um cenário mais favorável para a realização de investimentos nos próximos seis meses, percentual que já supera o do período pré-pandemia.

Nesta quarta-feira (4), o Congresso Nacional aprovou, por 307 a 126, o projeto de lei (PNL) que abre crédito de R$ 6,1 bilhões para os ministérios da Infraestrutura e do Desenvolvimento Regional, o que pode fomentar ainda mais os investimentos privados. Esse montante foi solicitado pelo governo federal no início de outubro e está previsto no plano Pró-Brasil, ainda não lançado oficialmente. A iniciativa é uma estratégia do governo de Jair Bolsonaro para a retomada da economia.

O relator da medida, senador Marcelo Castro, disse que o projeto é importante para que obras tocadas por esses dois ministérios não sejam paralisadas. Ele citou a conclusão de trechos da transposição do Rio São Francisco e a continuidade de obras de rodovias tocadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

"Esse PLN tem uma importância muito grande porque tem um valor muito expressivo, de pouco mais de R$ 6 bilhões. O grosso dos recursos estão destinados à Saúde, Infraestrurura e Desenvolvimento Regional. Foi um processo estudado e cuidadoso. Tem a finalidade de não deixar obras importantes, estruturantes, paralisadas", disse Marcelo Castro.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, é preciso eliminar obstáculos, como atrasos das obras, excesso de burocracia e, ainda, modernizar as regras do licenciamento ambiental. Segundo ele, investimentos novos no setor de infraestrutura são a principal forma de gerar novos empregos.

“Quando se privatiza rodovias, portos e aeroportos, podemos atrair empresários com apetite para investir. Isso, sim, pode gerar emprego. Nós precisamos fundamentalmente da reforma tributária porque é preciso que as empresas saibam de que maneira vão pagar e quanto vão pagar de impostos. O nosso sistema tributário atual não dá essa segurança. Ao contrário, ele cria um receio no investidor. A nossa posição é essa, queremos uma reforma tributária para o Brasil, não é para a indústria”, afirmou Andrade.

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