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Previc e Ministério da Economia avaliam aumentar limite para EPFC investir no exterior

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Previc e Ministério da Economia avaliam aumentar limite para EPFC investir no exterior Stephen Chernin/Getty Images
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Em participação no 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, o diretor de Orientação Técnica e Normas da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), José Carlos Chedeak, afirmou nesta terça-feira (17) que a instituição realizou estudos e tem conversado com o Ministério da Economia sobre o aumento do limite de 10% para as entidades fechadas realizarem investimentos no exterior.

Chedeak disse que essa limitação para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) tem relação com o histórico econômico do Brasil, que no passado apresentava taxa de juros que já garantiam a meta atuarial e rentabilidade suficiente para os planos.

“Então, o apetite e a disposição para investir no exterior era menor. Isso passa muito pela questão do nosso processo de taxa de juros, o que pode explicar em parte (o baixo limite)", pontuou.

Segundo o diretor da Previc, os países latinos que atualmente possuem limites altos à exposição internacional, a exemplo do Chile que possibilita 80%, iniciaram esse processo há muito mais tempo e ampliaram esse percentual de forma gradativa.

“Acho que o Brasil está seguindo esse caminho também: o aumento gradual. Tanto é que em estudos internos feitos pela Previc, entendemos que talvez seja a hora de entrar no processo de alteração do limite. Os estudos foram feitos, estamos apresentando e pleiteando isso, e acredito que é possível, que em um futuro próximo tenhamos sucesso nessa possibilidade de ter um aumento no limite para investimento no exterior”, afirmou Chedeak.

Também participando do Congresso, Walter Mendes, da Vivest, acrescentou que o investimento no exterior aumenta o contato das EFPC com melhores práticas de governança e abordagens mais avançadas de gestão, o que só vem a contribuir para a evolução do mercado. Segundo ele, o atual limite do Brasil para investimento no exterior é baixo. Em outros países da América Latina, por exemplo, no México esse teto está em torno de 20%, na Colômbia 40% e no Peru 46%.

“Tudo bem, pode-se argumentar que os mercados no Chile, Peru, Colômbia, são muito pequenos, tem uma liquidez estreita, então se você permitir que os fundos de pensão só invistam no mercado interno, pode-se ter preços irrealistas. Mas o México é uma economia grande, tem um mercado muito maior, e lá o limite é 20%, com todas as restrições e dificuldades dessa economia, que possui porte semelhante à do Brasil. Assim, não vejo razão para o Brasil ainda estar (limitado) em 10%”, observou o Mendes.

Já Alexandre Mathias, da Petros, pontuou que os benefícios da diversificação internacional podem reduzir o risco total da carteira e também contribuir para a performance.

“Por exemplo, no ano passado a Petros teve um resultado muito bom, superamos 20%, bem acima da meta atuarial. Este ano não temos ainda investimento no exterior, e estamos batalhando para melhor retorno. Na composição dos dois anos, o resultado é muito bom. Mas se tivéssemos uma alocação no exterior, ela estaria compensando parte do desempenho deste ano, acrescentando alguns pontos de rentabilidade. Eu vejo como um processo de desenvolvimento. As EFPC vêm se profissionalizando, a oferta de produtos que atendem a esse perfil de diversificação vem melhorando, nos últimos dois anos cresceu muito. Acho que agora estamos prestes a dar o próximo passo”, pontuou.

O presidente da BlackRock, Carlos Takahashi, ressaltou a importância de os gestores estarem cada vez mais preparados, prontos para atender a demanda das EFPC por maior alocação internacional e com veículos diversificados.

“Essa discussão é muito maior nos países desenvolvidos e está chegando para o Brasil. A grande contribuição que players internacionais podem dar é trazer esses veículos já utilizados e experimentados para o mercado brasileiro, disponibilizá-los. E também trazer tecnologia, conhecimento e informação sobre mercados que já tiveram essas experiências. Isso pode nos ajudar a encontrar o tempo certo para fazer essa caminhada com segurança, com base no que já está acontecendo”, justificou.

Takahashi destacou ainda como grande avanço regulatório a possibilidade aberta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aos investidores de negociação de ETFs (fundos de índice internacionais), juntamente com a liberação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), listados na bolsa brasileira, o que diminui custos para os gestores trazerem ETFs para o Brasil.

"A mudança permite aos investidores institucionais ir para essas estratégias diretamente, mas também desenvolver os seus portfólios. Isso significa incorporar e usar os ETFs internacionais no formato de gestão ativa. Então, nós estamos vivendo um momento muito favorável. A discussão desse painel retrata e traduz bem isso”, finalizou o presidente da BlackRock.

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