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Fitch reafirma rating "BB-" para o Brasil e alerta para deterioração fiscal

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Fitch reafirma rating "BB-" para o Brasil e alerta para deterioração fiscal Pixabay
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A Fitch, uma das três maiores agências de classificação de risco de crédito, reafirmou a rating do Brasil em "BB-", tido como um grau de não investimento, com perspectiva negativa.

A agência justificou a nota dizendo que há um grande e crescente endividamento governamental e fraco potencial de crescimento econômico com um cenário político difícil que impede o progresso de reformas fiscais e econômicas.

“A perspectiva negativa reflete a severa deterioração do déficit fiscal do Brasil e da carga da dívida pública durante 2020 e a incerteza persistente quanto às perspectivas de consolidação fiscal, incluindo a sustentabilidade do teto de gastos de 2016 dadas as contínuas pressões sobre os gastos […] Os crescentes vencimentos da dívida interna de curto prazo em meio a um pesado fardo da dívida pública tornam o Brasil vulnerável a choques, incluindo mudanças na confiança dos investidores domésticos e nas condições de financiamento. Embora a equipe econômica esteja comprometida em retornar à sua agenda de reformas em 2021, o ambiente político permanece fluido, reduzindo a visibilidade e previsibilidade do processo", continuou a agência.

O encurtamento da dívida pública vem acontecendo conforme o Tesouro Nacional apresenta maiores dificuldades para captar recursos com o receio do mercado sobre as contas públicas e um juro real de curto prazo negativo.

O ambiente político brasileiro permanece fluido, com tensões periódicas entre o Executivo e o Congresso, é o que avalia a agência.

"O governo Bolsonaro tem cortejado o apoio de partidos de centro no congresso fragmentado, mas a capacidade de tal aliança de aprovar reformas econômicas profundas permanece incerta. Embora o Brasil tenha um ambicioso conjunto de reformas em andamento, a falta de uma articulação política clara sobre seu sequenciamento e priorização, bem como interesses adquiridos, pode dificultar seu progresso em 2021”, apontou.

A empresa espera que a economia do Brasil se recupere a partir de 2021, mas que ainda há um clima de incerteza causada pelo cenário político e pelo aumento de infecções globais e nacionais por coronavírus. Já para 2020, a agência prevê uma contração de 5%.

“Existe uma incerteza considerável quanto à capacidade do governo de cumprir o limite máximo de gastos. Em 2021, o governo planeja eliminar totalmente as medidas fiscais de emergência contidas em um “orçamento de guerra” separado; no entanto, a incerteza contínua em torno da evolução da pandemia e as pressões de gastos podem tornar isso desafiador, como destacado pelas recentes discussões sobre a introdução de uma nova transferência social (Renda Cidadã)”, afirmaram.

Alguns dos principais pontos que são avaliados pelas agências são: taxa de juros, fluxo de caixa, nível de alavancagem, solidez do balanço patrimonial, contexto político do país e projeção de resultados futuros. A nota mais baixa do grupo é a nota D, que significa risco de inadimplência, seguido pelas notas C, CC, CCC, B-, B, B+, BB-, BB e BB+ que ainda se encontram na categoria de especulação. As notas acima destas apontam para o grau de investimento.

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