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Fusões e tecnologia são receita do ensino privado para enfrentar crise

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Fusões e tecnologia são receita do ensino privado para enfrentar crise iStock
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Fundado na relação presencial, o setor educacional foi um dos mais afetados com as restrições impostas pela pandemia por Covid-19. Levantamento do Sebrae mostrou que 97% dos estabelecimentos independentes de ensino sofreram com queda de receita no período e, na educação infantil, 76% das escolas têm como principal preocupação a renovação das matrículas para o próximo ano letivo.

A vulnerabilidade financeira das instituições menores e a imposição de um ensino virtual em tempos de salas de aula fechadas intensificaram dois fenômenos: o de fusões e aquisições e o de catalisação de tecnologias de ensino à distância.

Os movimentos econômicos já estão acontecendo. Em setembro, o grupo Ser Educacional, que tem forte presença nas regiões Norte e Nordeste, anunciou a aquisição dos ativos da americana Laureate no Brasil. Com a operação, que girou em torno dos R$ 4 bilhões, entre pagamento de caixa e recebimento de dívida líquida, o grupo se tornou o quarto em número de alunos no Brasil e chegou ao patamar da Cogna (COGN3), ex-Krotus, e YDUQS (YDUQ3), ex-Estácio, dois dos principais grupos educacionais do Brasil.

Entre as empresas de porte menor, a Ânima Educação, que em janeiro levantou R$ 1,1 bilhão numa oferta de ações e que, no mês passado comprou a mineira Faseh por R$ 110 milhões, segue de olho em outras oportunidades. “Com a crise a oferta de ativos aumentou e continuaremos atentos ao mercado”, disse Marcelo Battistella Bueno, presidente da Ânima, em entrevista ao Valor.

Dentro da sala de aula, a experiência do ensino virtual, embora desafiadora, tem sido vista com bons olhos. Para 68% das escolas ouvidas pelo levantamento do Sebrae, o ensino remoto adotado na pandemia se tornará política permanente.

“A educação a distância é um caminho sem volta e todos os membros da nossa sociedade terão de se adaptar a essa modalidade de ensino”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, Frederic Litto.

Para Sylvia de Moraes Barros, coordenadora da Comissão de Educação da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor demonstrou capacidade de reinvenção e tem conquistado a confiança de pais e alunos com a metodologia de ensino online. “O setor conseguiu se adaptar a essa nova realidade numa velocidade que muitos imaginavam que não fosse possível”, observa. Segundo ela, as aulas presenciais não podem ser simplesmente substituídas pelo ensino online. “Não substitui a interação social e a face a face que são fundamentais para a aprendizagem”.

Customização

Para o futuro, a Arco Educação, um dos unicórnios brasileiros (startups que valem acima de US$ 1 bilhão) e que oferece soluções educacionais para mais de cinco mil escolas no país, aposta na análise de dados e no ensino personalizado.

Entre as possibilidades, a de aplicar provas individualizadas que ataque fragilidades de cada aluno além de um material didático personalizado. “Antigamente, tínhamos livros didáticos impressos que eram iguais para todos os alunos, mas não é certo. Se cada um tem um perfil personalizado na Netflix, com todas as preferências, por que não pode ter isso no ensino?”, questiona o fundador e CEO da empresa, Ari de Sá Neto, em live promovida pelo site PEGN. O empresário frisa, no entanto, que o principal ativo segue sendo o professor. “A tecnologia sozinha não faz nada”.

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