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5G é rede trilionária de disputas, revolução tecnológica e oportunidades

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5G é rede trilionária de disputas, revolução tecnológica e oportunidades Pixabay
► Huawei pede que decisão sobre 5G "seja técnica e não discriminatória" em reunião com Paulo Guedes► Governo libera R$ 409 milhões para projetos de tecnologia e em soluções para internet 5G

O mundo está prestes a mudar… mais uma vez. Depois da revolução tecnológica induzida pelo avanço das possibilidades de comunicação interpessoal e do tráfego de dados, o planeta se prepara para o início de uma nova era: a comunicação ‘entre as coisas’. Mais do que aumentar a velocidade dos downloads, a tecnologia 5G promove a ‘internet das coisas’, ou IoT (Internet Of Things, na sigla em inglês), que promete mudar para sempre a relação entre os humanos e os objetos que nos cercam.

As cifras trilionárias e a corrida tecnológica entre empresas e países pela dianteira dos estudos da nova tecnologia justificam, de certo modo, as recentes disputas diplomáticas e corporativas que têm marcado o debate sobre o 5G. Segundo a consultoria Deloitte, essa nova tecnologia pode impactar a economia mundial em até US$ 10 trilhões nos próximos anos, além de abrir um número ainda imensurável de oportunidades de negócios.

“No Brasil, o impacto será gradativo, de acordo com a disponibilidade do 5G, e extremamente positivo para o setor de software. Novos modelos de negócios serão desenvolvidos, como carros autônomos, robótica, realidade virtual, mobilidade, dispositivos inteligentes, computação na nuvem, entre outros”, avalia o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software, Rodolfo Fücher.

Para Fücher, as oportunidades no país estão na produção de softwares, mais do que no desenvolvimento de equipamentos. O desafio, no entanto, ainda é grande. Para ele, as empresas brasileiras ainda não são competitivas no mercado internacional, devido ao alto custo no acesso à tecnologia de ponta e escassez de mão de obra especializada. Outro gargalo, aponta, são os altos impostos nos serviços de telecomunicação.

Para ele, de imediato, é necessário enfrentar três questões: “a redução da carga tributária dos serviços de telecomunicação, obviamente incluindo o acesso ao 5G; evitar burocracia na implementação do serviço e instalação de antenas; além de incentivo na aquisição/importação de equipamentos de 5G para pesquisa e desenvolvimento”, enumera.

Investimentos e diplomacia

Na última terça-feira, 24, o Ministério das Comunicações disse que fará investimentos de R$ 409 milhões para o desenvolvimento de tecnologias de internet em sistemas agrícolas, de transporte, de saúde, de segurança e em soluções para internet 5G, como mostramos aqui.

Os recursos irão financiar 17 projetos, em um prazo de 36 meses, a partir de operações de crédito viabilizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Com atraso, o Brasil prepara para o próximo semestre o leilão do 5G, que vai disponibilizar as faixas de frequência para que as operadoras possam atuar. A estimativa é que a operação renda pelo menos R$ 20 bilhões, com a aplicação de pelo menos metade desses recursos na ampliação de infraestrutura, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Em reunião virtual com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no último dia 20 (leia aqui), representantes da Huawei pediram que as decisões sobre a realização do leilão de frequências 5G no Brasil sejam feitas de maneira "estritamente técnica, não discriminatória e em favor do livre mercado".

No mesmo dia, a embaixada da China no Brasil fez uma reclamação formal ao governo brasileiro contra uma publicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que também preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em que ele acusa o Partido Comunista Chinês de espionagem. O deputado federal fez o comentário ao tratar da decisão do Brasil de aderir à chamada Clean Network, articulada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está em fim de mandato, junto a outros países para tentar banir a Huawei dos serviços de tecnologia 5G. Uma das alegações é a de que empresa estaria espionando os usuários do serviço.

Em entrevista para a revista Exame, o diretor global de Cibersegurança da Huawey, Marcelo Motta, negou qualquer irregularidade e disse que seus sistemas estão abertos para auditorias.

”Nós somos a única empresa do segmento de telecom que abre o código-fonte para a inspeção, para auditoria de empresas e governos. Nós temos dois grandes centros globais - um na Bélgica e outro na China – que estão à disposição dos nossos clientes e dos diversos governos para que nossas soluções sejam checadas e analisadas de forma independente”, declarou Motta.

Como funciona?

O professor titular da Escola Politécnica e vice-diretor de Relações Internacionais da USP, Moacyr Martucci, explica que a principal evolução de uma rede 4G para uma 5G é o tamanho da frequência das ondas, que possibilita uma conectividade máquina-máquina, com menor latência (tempo que a informação leva para viajar, o famoso ‘delay’) e aplicações ilimitadas. “É uma tecnologia que depende 80% de software e 20% de hardware”, diz. Daí a constatação de que o Brasil “ainda está no jogo”.

“O Brasil tem uma indústria de software muito importante e a janela de oportunidade está se abrindo. Se 10% desse montante (de US$ 10 tri) vir para o Brasil, já está muito bom”, completa.

Para o professor, um dos pontos sensíveis para a futura regulação dessa tecnologia no Brasil é a figura do orquestrador – que é a empresa, ou empresas, que vão definir as regras de tráfego para não congestionar a banda. "É o coração dessa aplicação tecnológica e precisa ser pensado sem preoconceitos e sem burocracia", observa.

A dianteira das pesquisas está com China, que, segundo estimativa da PwC (PricewaterhouseCoopers), deverá ser responsável por praticamente 50% da movimentação financeira com o 5G na próxima década. Hoje, o país asiático já tem 100 milhões de pessoas usando a nova rede por meio de 600 mil antenas. A título de comparação, o Brasil possui atualmente cerca de 100 mil antenas para replicar a rede 4G.

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