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Descubra como a sigla ESG mudou a forma como as empresas lidam com questões ambientais, sociais e de governança

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Descubra como a sigla ESG mudou a forma como as empresas lidam com questões ambientais, sociais e de governança Freepik
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O que forma uma boa empresa? Além dos funcionários, da boa gestão, dos produtos e serviços de qualidade, uma nova característica tem sido determinante para definir a boa reputação de uma empresa para seus clientes: a importância dada às práticas ambientais, sociais e de governança.

Diante desse novo cenário, a sigla ESG (Environment, Social and Governance) tem sido cada vez mais usada por empresas do mercado financeiro que valorizam essas práticas em sua atuação para conquistar o lucro que desejam. Na tradução, a sigla também pode ser usada como ASG (Ambiental, Social e Governança).

A ESG surgiu pela primeira vez em um relatório de 2005 chamado “Who Cares Wins” (Ganha quem se importa), resultado de uma iniciativa liderada pela Organização das Nações Unidas. Naquele ano, 20 instituições financeiras de 9 países diferentes, incluindo o Brasil, se reuniram para criar orientações sobre como incluir questões ambientais, sociais e de governança na gestão de ativos, serviços de corretagem de títulos e pesquisas relacionadas ao tema.

Vantagens

A empresa que adota boas práticas ambientais, sociais e de governança tem, além da credibilidade construída com seu público, algumas vantagens importantes:

  • Redução de custos com a otimização do uso de seus recursos
  • Mitigação de riscos envolvendo desafios ambientais, por exemplo
  • Aumento da competitividade com o diferencial promovido pela ESG
  • Inovação e oportunidades de novos negócios

Para o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, o tripé formado pelos princípios ESG é um diferencial para as empresas.

“O investidor está cada vez mais atento a isso. Nesse tripé bem estabelecido: o sócio, o ambiental e uma governança muito boa e independente. As empresas que têm esse tripé, normalmente, a gente costuma observar uma dinâmica de valorização mais intensa e até menos volatilidade do que empresas que não têm”, afirma Milane.

ESG para investidores

As práticas ligadas ao ESG são tão importantes que, em setembro deste ano, a B3 e a S&P Dow Jones criaram o índice S&P/B3 Brasil ESG, que utiliza critérios baseados em práticas ambientais, sociais e de governança para selecionar empresas brasileiras para sua carteira. A partir desse índice, o investidor vai saber se a empresa na qual ele quer investir se preocupa com essas características importantes em sua atuação.

“O tema ESG entrou de vez no radar dos investidores à medida que os participantes do mercado percebem cada vez mais a importância e relevância dos índices que incorporam dados e princípios de sustentabilidade”, afirma Reid Steadman, diretor executivo e Chefe Global de Índices ESG da S&P DJI.

ESG para empresas

De olho no crescimento dessas práticas, a B3 lançou o guia “Novo Valor – Sustentabilidade nas Empresas” para ajudar as empresas listadas na bolsa a seguirem esse caminho. Segundo a publicação, a sustentabilidade ganha cada vez mais o status de vantagem competitiva e, ao longo dos anos, a preocupação com esse tema aumenta dentro das empresas. Veja abaixo a evolução do assunto nas empresas nos últimos anos.

Para ter acesso ao guia, clique aqui.

sustentabilidade

“Os índices de sustentabilidade, os fundos de investimento atrelados a tais índices (exchange-traded funds), os segmentos especiais de listagem em bolsas de valores e as agências de pesquisa e rating especializadas em temas ESG tiveram crescimento exponencial nos últimos anos”, aponta o guia.

Segundo a B3, existem alguns passos principais que uma empresa deve tomar rumo à sustentabilidade. O primeiro seria engajar a direção da empresa no tema, com o envolvimento do público interno no processo. Em seguida, são fundamentais atitudes como definir indicadores, assumir compromissos públicos e elaborar uma Política de Sustentabilidade.

Como identificar empresas engajadas?

A principal forma de acompanhar a atuação das empresas em relação às práticas ambientais, sociais e de governança se dá por meio dos relatórios e da transparência das informações. Muitas instituições já disponibilizam relatórios específicos para prestar contas sobre as iniciativas e projetos que têm implantado sobre o tema.

Em setembro deste ano, a XP Investimentos disponibilizou uma lista com as 10 empresas mais comprometidas com os princípios ESG no país:

empresas

Caso Carrefour

Um episódio recente envolvendo o Carrefour (CRFB3) mostra como as questões sociais são importantes dentro de uma empresa e como elas podem impactar na forma como o público enxerga aquela instituição.

A morte de João Alberto de Freitas, que foi espancado por seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre (RS), gerou comoção nacional e trouxe à tona novamente a discussão sobre racismo e diversidade racial dentro das empresas.

O episódio que aconteceu no dia 19 de novembro fez as ações do Carrefour despencarem na semana seguinte, mostrando a reação dos investidores ao tema. Na segunda-feira, dia 23, por exemplo, as ações fecharam em queda de 5,3%, a R$19,30, com o pior desempenho no Ibovespa e uma perda de valor de mercado de aproximadamente R$2,16 bilhões.

Na tentativa de reverter a imagem ruim e de mostrar o engajamento da empresa na questão social, o Carrefour criou um fundo de R$25 milhões para promoção da inclusão racial e combate ao racismo.

“Sabemos que não podemos reparar a perda da vida do senhor João Alberto. Este movimento é o primeiro passo da empresa para que o combate ao preconceito e racismo estrutural, que é urgente no Brasil, ganhe ainda mais força e apoio da sociedade. Acreditamos que poderemos evoluir e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária”, afirmou Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

Além da criação do fundo, a empresa anunciou que todo o lucro da rede no dia 20 de novembro seria usado em projetos de combate ao racismo no Brasil.

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