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Cepal estima queda de 50% do investimento estrangeiro na América Latina em 2020

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Cepal estima queda de 50% do investimento estrangeiro na América Latina em 2020 Cepal/Onu
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A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgou nesta quarta-feira (2) que a América Latina e o Caribe terão queda de cerca de 50% nos investimentos estrangeiros diretos (IED) em 2020 devido ao impacto da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Segundo o levantamento, os valores de investimento estrangeiro direto devem ter queda de 40% este ano e até 10% no próximo. Com isso, em 2021 o IED mundial atingirá seu valor mais baixo desde 2005, sendo que o declínio será ainda mais acentuado na região.

"A América Latina e o Caribe receberam US$ 160,7 bilhões para investimentos estrangeiros diretos em 2019, 7,8% a menos que em 2018, queda que vai se agravar em 2020, já que, em decorrência da crise derivada da pandemia da Covid-19, projeta-se um recuo entre 45% e 55%", informou a Comissão.

Desde 2012, quando foi alcançado o máximo histórico, a queda dos fluxos de investimento estrangeiro tem sido quase ininterrupta na América Latina e no Caribe, o que tornou evidente, principalmente nos países da América do Sul, a relação que existe na região entre os fluxos de IED, o ciclo macroeconômico e os ciclos de preços das matérias-primas, afirma o relatório.

"O IED recebido pela América Latina e Caribe não catalisou mudanças relevantes na estrutura produtiva da região, em grande parte porque as políticas de atração desses fluxos não foram coordenadas com as de desenvolvimento produtivo”, afirmou a secretária executiva, Alicia Bárcena.

Como nos anos anteriores, o estudo mostra grande heterogeneidade nos resultados nacionais e não é registrado um padrão sub-regional: em 17 países há uma queda das entradas em 2019 em relação a 2018 e em 9 países há um aumento. Em 2019, os cinco países que receberam maiores investimentos foram Brasil (43% do total), México (18%), Colômbia (9%), Chile (7%) e Peru (6%).

Sobre o comportamento das empresas transnacionais latino-americanas, conhecidas como translatinas, a publicação da Cepal relata um aumento de 75% na saída de IED da região em 2019. Porém, se for analisada a década de 2010-2019, observa-se que o investimento latino-americano perdeu força, de acordo com a Comissão.

“As contribuições do IED na região têm sido relevantes, como complemento do investimento nacional e fonte de novos capitais, bem como para a expansão das atividades exportadoras e para o desenvolvimento da indústria automotiva, das telecomunicações, alguns segmentos da economia digital e também de setores que hoje adquirem importância estratégica no contexto da pandemia da COVID-19, como é o caso das indústrias farmacêutica e de dispositivos médicos”, destaca o estudo.

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