clique para ir para a página principal

Mineração fatura R$ 50 bi no trimestre e projeta crescimento no pós-pandemia

Atualizado em -

Mineração fatura R$ 50 bi no trimestre e projeta crescimento no pós-pandemia Pixabay
► Mineradoras Vale e BHP são acusadas de conluio pelo Ministério Público► Usiminas reverte prejuízo de R$ 395 milhões e reporta lucro de R$ 198 milhões no 3T20

A perspectiva de recuperação econômica pós-pandemia e a sinalização positiva para grandes investimentos de urbanização na Ásia trazem ao setor de mineração projeções otimistas de crescimento. No Brasil, para os próximos quatro anos a expectativa é de investimentos superiores a R$ 200 bilhões.

“Devemos continuar vendo uma demanda crescente de urbanização, o que é bastante positivo para o setor mineral. A Ásia ainda tem patamares bastante inferiores comparados ao resto do mundo”, considerou a vice-presidente sênior da Moody`s, Barbara Mattos, em painel realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

No último trimestre, o setor já apresentou números robustos no país, com faturamento de R$ 50 bilhões e produção de 287 milhões de toneladas de minério – alta de 36% na comparação com o trimestre anterior, segundo dados do Ibram, além de melhorias em vários indicadores, como atração de novos investimentos, exportação e recolhimento de royalties e tributos.

Ouro

A busca por um ativo seguro em tempos de incertezas econômicas e políticas levaram o ouro a um preço recorde e estimularam um aumento de 146%, para US$ 4,5 bilhões, nos lucros das mineradoras de ouro da América Latina.

Em agosto, o ouro ultrapassou a marca recorde de US$ 2 mil/onça após governos de todo o mundo anunciarem pacotes econômicos e fiscais de combate à Covid. Todas as sete empresas que operam na região tiveram aumentos, entre 29% e 290%, no fluxo de caixa, mesmo com a redução da produção em seis desses sete complexos minerário.

No Brasil, o fluxo de caixa operacional da Kinross aumentou de US$ 232 milhões no terceiro trimestre de 2019, para US$$ 544 milhões – uma alta de 134%. A AngloGold Ashanti, que possui uma mina na Argentina e duas no Brasil, teve um aumento de 290% no fluxo de caixa, que passou de US$ 87 milhões para US$ 339 milhões.

A Jaguar Mining, empresa brasileira de capital canadense que extrai no ‘quadrilátero ferrífero’ em Minas, registrou uma alta de 25% na produção de ouro no terceiro trimestre - resultados que estimulam investimentos.

“Nossa equipe passou a investir estrategicamente em nosso futuro. Tanto a equipe de exploração quanto a de desenvolvimento começaram a explorar nossa nova fase de crescimento. A equipe começou a perfuração de diamante de superfície para testar alguns dos nossos alvos de mineração desenvolvidos nos últimos anos”, diz o CEO da Jaguar Mining, Vern Baker, durante a apresentação dos resultados trimestrais.

Dois anos após Brumadinho, Vale valorizou R$ 125 bi

Quase dois anos após o crime da Vale (VALE3) em Brumadinho (MG), quando, em janeiro de 2019, uma barragem de rejeitos rompeu soterrando 270 pessoas, a companhia já tem valor de mercado R$ 125 bilhões maior. Em janeiro de 2019, antes do crime ambiental, a empresa valia R$ 296 bilhões, com suas ações valendo R$ 56,15 cada. No último dia 2, as ações estavam cotadas a R$ 79,59 e o valor de mercado da companhia era de R$ 421,9 bilhões.

No último dia 30, foi divulgado que a Vale foi a empresa que teve maior lucro entre as empresas de capital aberto na América Latina, com ganho de R$ 15,6 bilhões no último trimestre.

Leonardo Milane, Sócio e Economista da VLG Investimentos, acredita que o “momento mágico” da Vale se explica basicamente por quatro fatores: “O preço do minério na máxima histórica; a qualidade do minério que a Vale extrai, sobretudo em Carajás (PA); o custo de extração menor do que o dos concorrentes; receitas em dólar; e alta da demanda chinesa, que, para surpresa de boa parte do mercado, aumentou suas encomendas apesar do período de crise”, diz.

Apesar da saúde financeira, o Repórter Brasil revelou, no mês passado, que a companhia, atualmente a segunda maior produtora de minério de ferro do mundo, propôs ao governo de Minas reduzir em cerca de R$ 30 bilhões o valor a ser pago em indenizações e reparações às vítimas e ao meio ambiente. A proposta da empresa é o pagamento de R$ 21 bilhões – menos da metade dos R$ 54 bilhões pedidos à Justiça pelo governo de Minas.

Em outubro, foi publicada lei (14.066/2020) que impõe medidas para o aumento de seguranças de barragens. Entre elas, a proibição da construção de barragens a montante, protocolo obrigatório em caso de acidente e ampliação de multa para até R$ 1 bilhão.

Mercado1Futuro

Saiba mais sobre o cenário do setor da mineração ouvindo o episódio do nosso podcast Mercado1Futuro. Nele, os professores universitários André Luiz Freitas (UFMG) e Hernani Lima (UFOP) apontam caminhos para uma exploração mais segura e responsável da indústria mineral.

Relacionados:

► Mineradoras Vale e BHP são acusadas de conluio pelo Ministério Público► Usiminas reverte prejuízo de R$ 395 milhões e reporta lucro de R$ 198 milhões no 3T20

Leia mais: