clique para ir para a página principal

O fim do dinheiro em espécie pode não estar tão próximo quanto você imagina

Atualizado em -

O fim do dinheiro em espécie pode não estar tão próximo quanto você imagina Getty Images

PIX, pagamento por aproximação, QR code, pulseiras com tecnologia contactless, bitcoin, etc. Quando o assunto é pagamento, a inovação tecnológica vem avançado em um ritmo acelerado, se reinventando a cada dia. Entretanto, essa realidade não atinge toda a população. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva mostrou que existem no Brasil 45 milhões de pessoas desbancarizadas, ou seja, a cada três brasileiros, um não possui conta bancária. A conta daqueles que só possuem conta para receber salário ou algum benefício é ainda maior e mais difícil ainda de ser calculada.

Uma das características para que algo seja aceito como meio de pagamento é que as pessoas acreditem que poderão utilizá-lo para comprar o que quiserem, antigamente esse era o papel era exercido pelo ouro, agora é vez do papel moeda, no futuro, isso é algo que pode mudar.

A crise causada pela Covid-19 vem alterando profundamente rotinas e hábitos, incluindo a forma como as pessoas realizam transações financeiras, como o uso de canais digitais e pagamentos por aproximação. Segundo relatório da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), no primeiro semestre de 2020, o total de pagamentos por aproximação aumentou 330% no país ante igual período em 2019.

Um estudo realizado pela Capgemini, em 2019, mostra a evolução em pagamentos feitos por outras vias que não o dinheiro em espécie nos últimos anos e a projeção para os próximos. O gráfico abaixo apresenta essa evolução na América Latina, África e Oriente Médio, Ásia emergente, Ásia e Pacíficos amadurecidos, Europa, América do Norte e o Total, respectivamente.

gráfico, pagamento digital, pagamento

Além da barreira dos desbancarizados, o contexto social é importante. No Brasil, o acesso à tecnologia, a distribuição da internet e a questão da idade também interferem para a digitalização do dinheiro. Um mapeamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), realizado em outubro de 2019, mostra que o uso da rede digital é acima de 90% nos lares mais abastados, enquanto 48% das residências das classes D e E desfrutam desses serviços. Hoje, são 67% o total de residências conectadas e, no ranking de 100 países, o Brasil aparece em 31º lugar.

Isso acaba gerando demanda para diferentes tipos de serviços financeiros e de pagamentos. O grande questionamento é como incluir essas pessoas no sistema financeiro digital.

Um dos fatores que mostram como o dinheiro em espécie é necessário no Brasil foi a criação da nota de R$ 200. A nova nota foi criada, de acordo com o Banco Central, por uma demanda por cédulas para serem usadas no saque do auxílio emergencial, e também pelo entesouramento feito pela população em um momento de crise.

PIX e auxílio emergencial

O PIX e o auxílio emergencial estão fazendo um papel de aceleração desse processo, que deve acontecer a médio e longo prazo.

O sistema de pagamentos instantâneos, PIX, que estreou neste ano, trouxe a transferência e pagamento em até dez segundos, sendo que essas ações podem ser realizadas 24h por dia, durante toda semana, incluindo feriados. Para realizar as transferências basta saber a “chave PIX” da outra pessoa, que pode ser um número de celular, CPF ou outra informação.

Em novembro deste ano, o Banco Central anunciou que o PIX teve 5,2 milhões de operações em 3 dias.

Dados mais recentes da Caixa Econômica Federal, mostram que 40% dos brasileiros (24 milhões de pessoas) que estão recebendo o auxílio emergencial não possuíam conta em banco antes da pandemia. Para alguns, isso significou o primeiro contato com o meio digital, pagamento de contas pelo celular e transferência à mão, para outros, o resultado foi ter que encarar filas quilométricas nas agências bancárias para conseguir sacar o valor.

O caso chinês

A China sofreu uma grande revolução digital financeira. A Alipay, que mais tarde se tornaria o Ant Group, plataforma de pagamento online, foi fundada em 2004 por Jack Ma, e teve como objetivo facilitar a transferência de dinheiro e pagamento entre vendedores e compradores.

O acesso à tecnologia permitiu a digitalização do dinheiro de forma acelerada, mesmo para a população da zona rural. Nos dias de hoje, dificilmente se acha um lugar no país que não aceita o pagamento digital. Mesmo em feiras de alimentos, os vendedores possuem e aceitam a tecnologia, e muitos lugares chegam a não aceitar mais o pagamento em dinheiro, ficando somente com o meio digital. Ou seja, quem não dispõe de um cartão de crédito ou débito ou de um celular habilitado para fazer transações, fica impossibilitado de fazer pagamentos.

A consultoria Bain & Company realizou uma pesquisa que mostra que 48% dos brasileiros estão predispostos a mudar a forma de pagar depois da pandemia, principalmente aumentando o uso de celulares e cartões. Em conclusão, com as questões sociais e estruturais, o Brasil ainda tem um longo caminho para percorrer e chegar na sonhada digitalização financeira.

Relacionados:

Leia mais: