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Mudança no perfil dos compradores deixa mercado imobiliário aquecido em meio à alta da inflação

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Mudança no perfil dos compradores deixa mercado imobiliário aquecido em meio à alta da inflação Pixabay
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Enquanto diversos segmentos da economia ainda agonizam por causa da pandemia provocada pelo novo coronavírus, o mercado imobiliário segue aquecido, mas cauteloso. As dificuldades enfrentadas pelo setor não são poucas e o desemprego e a alta dos materiais de construção colocam incertezas em relação ao futuro. Dados divulgados em novembro pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apontam que, apesar da queda de 27,9% nos lançamentos de imóveis e da redução de 13% na oferta, o Brasil registrou um aumento de 8,4% nas vendas nos nove primeiros meses do ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao segundo trimestre de 2020, período de maiores perdas em decorrência da pandemia, o número de vendas no terceiro trimestre subiu 57,5%.

Para a CBIC, o fato de o mercado não ter recuperado o volume de lançamentos represados em função da pandemia, apesar da tendência de crescimento nas vendas, pode ser um indicativo de cautela por parte dos empresários em decorrência do aumento no custo dos insumos.

“A lei da oferta e procura, o aumento de preço e o atraso de entregas geram dificuldades de manutenção do cronograma de obras. Se isso não for resolvido, pode gerar um temor para o setor. Apesar da crise, prevejo que ano que vem a atividade do setor como Produto Interno Bruto (PIB), geração de emprego e renda vai se manter em função do que foi vendido agora. No geral, o setor está em um momento interessante, mantendo empregos, além de ter criado 100 mil novos postos de trabalho. Ano que vem continuaremos crescendo e essa é nossa contribuição para esse momento difícil", disse José Carlos Martins, presidente da entidade.

Com a aprovação das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a pandemia tende a chegar ao fim, mas a influência sobre o comportamento das pessoas será mais duradoura do que se imagina. As medidas de restrições, o trabalho home office e as aulas online acabaram criando um novo movimento no mercado imobiliário. De acordo com a plataforma Quinto Andar, houve um crescimento de 3% e 4% na busca por imóveis de 3 e 4 quartos, respectivamente, enquanto a procura por 1 quarto caiu 12%. Bairros mais afastados dos centros das capitais, onde há maior proximidade da natureza e imóveis amplos, despertaram maior interesse, conforme o levantamento.

"Depois do primeiro momento de retração em março e abril, a retomada tem sido em ritmo mais acelerado do que o previsto. De março até agosto de 2020, o número de imóveis anunciados na nossa plataforma aumentou em 149% e as buscas cresceram 177%", diz Arthur Malcon, gerente-executivo de estratégia do Quinto Andar, confirmando o bom momento do setor. 

Nesta quarta-feira (9), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Taxa Selic em 2% ao ano, seguindo no menor patamar da série histórica. A decisão é fundamental para o setor continuar em crescimento no primeiro trimestre do ano que vem. Segundo o economista Edivaldo Pereira, do Grupo Zap, quanto menor a taxa básica de juros da economia, menor é o custo do empréstimo imobiliário, e mais suaves se tornam as parcelas no orçamento das famílias.

"Os juros baixos são extremamente relevantes para impulsionar a demanda no mercado imobiliário. Merece destaque também mudanças regulatórias ocorridas no país, como a via expansão das linhas de financiamento imobiliário através da Caixa Econômica Federal. Durante a pandemia, e com mais tempo em suas casas, as pessoas passaram a construir relação diferente com a moradia em que vivem, modificando algumas preferências: isso se reflete no desejo por mais espaço, ambiente mais bem dividido, maior contato com a natureza ou uma cozinha maior. Logo, criam-se estímulos para o aumento da demanda no mercado imobiliário", pontua.

O presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Sandro Carlesso, destaca também o papel importante da manutenção da taxa de juros, destacando que o mercado está focando em residências mais modernas com intuito de oferecer mais comodidade às famílias. Segundo ele, os imóveis mais novos têm sido feitos com forte apelo para as conveniências de ter uma planta inteligente, com espaços bem distribuídos, ofertando mais comodidade, praticidade aos moradores.

"Os empreendimentos de dois quartos, na faixa de até R$ 240 mil, permanecem entre os produtos mais buscados. É o que comprovou nossa pesquisa de intenção de compras, realizada agora durante o 27º Salão do Imóvel. Nesse mesmo levantamento, também notamos uma busca por lotes – superando a procura por casas. Esse dado é reflexo da quarentena, quando muita gente passou a vislumbrar a possibilidade de construir uma casa com quintal independente, piscina e toda conveniência de uma edificação projetada de acordo com os hábitos da família", afirma.

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