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Falta de planejamento com despesas extras de início de ano leva brasileiros à inadimplência

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Falta de planejamento com despesas extras de início de ano leva brasileiros à inadimplência Pixabay
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Juntamente com a chegada das festas de final do ano, também se aproximam as famosas dívidas de início de ano. As pessoas têm que desembolsar dinheiro para pagar IPTU, IPVA, seguros, matrículas e materiais escolares, além do pagamento dos gastos de final do ano. Entretanto, a maioria dos brasileiros não consegue quitar suas dívidas nesse período.

Uma pesquisa divulgada no início de 2020, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), mostrou que apenas um em cada 10 brasileiros consegue pagar todos os seus débitos de início do ano usando apenas seus rendimentos e sem necessidade de fazer reservas.

O economista-chefe da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, explica que devido ao acúmulo de dívidas muitas pessoas recorrem a parcelamentos e empréstimos, porém erram ao fazer isso sem um planejamento.

“Os consumidores que não traçam e não seguem um planejamento podem ter dificuldades em honrar seus compromissos financeiros, surgindo a necessidade de recorrerem à captação de empréstimos e à utilização de modalidades parceladas de pagamento. Quando esse comportamento não é precedido de planejamento e avaliação, a saúde financeira familiar pode ser colocada em xeque, encaminhando muitos à inadimplência”, analisa o economista.

Pensando nisso, algumas pessoas tendem a adotar medidas para evitar de terem que recorrer a empréstimos podendo, assim, adquirir mais dívidas. Diversas famílias começam a economizar e cortar alguns custos para não terem “dor de cabeça” com as despesas que estão por vir.

A pesquisa ainda evidenciou que 26% dos entrevistados tiveram de abrir mão de gastos nas festas de fim de ano para ficar em dia com suas dívidas. Outros 21% dos participantes reservam parte do 13º salário para os pagamentos e 17% ainda afirmam que fizeram sua reserva durante o decorrer do ano.

Em muitos casos, quando não há um planejamento, famílias entram em um ano pagando dívidas referentes ao ano anterior e isso acaba se tornando recorrente.

O economista também ressalta que o orçamento familiar é comprometido para os meses seguintes, fazendo com que a partir daí as despesas que apareçam se tornem mais problemáticas do que seriam.

“Um percentual do orçamento familiar é destinado à quitação de obrigações fiscais, impostos cuja responsabilidade de pagamento ocorre nos primeiros meses, como IPVA, IPTU, entre outras taxas. Além disso, famílias com crianças e jovens em idade escolar também destinam parcela do orçamento para o pagamento das matrículas e compras de materiais escolares. O comprometimento da renda costuma ser ainda mais elevado do que o habitual, em virtude das compras de fim de ano e do pagamento dos compromissos obrigatórios”, explica o representante da Fecomércio-MG.

Fato é que, em função disso, a economia é diretamente impactada nesse período do ano. Guilherme Almeida atribui a questão a fatores como o período de férias escolares e corporativas e por ser um período em que a regularização dos compromissos financeiros compromete a renda familiar, como impulsionadores para os resultados no cenário econômico no início do ano.

“Historicamente, o início do ano tende a ser menos aquecido para a atividade econômica. Essa canalização da renda para compromissos acaba por reduzir a disponibilidade orçamentária para aquisição de outros bens, seja no comércio varejista, seja na prestação de serviços”, analisa Guilherme Almeida.

Pandemia

Outro fator que também pode impulsionar números negativos nesse período que se aproxima é a pandemia do coronavírus, já que muitas pessoas foram desligadas de seus empregos, passaram por uma readequação na carga horária de trabalho e na remuneração.

Ao contrário do que se esperava, durante a pandemia a inadimplência tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas, registrou baixa. Segundo dados divulgados pelo Serasa, no mês de julho 63,5 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, uma redução de 2,5 milhões em relação ao número registrado em abril deste ano.

Para os estudiosos, esse cenário se fez em função do auxílio emergencial, dos programas que beneficiaram as pequenas e microempresas e também da taxa de juros no piso histórico, que possibilitou a renegociação de dívidas. Um exemplo foram os bancos que, segundo informações da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), chegaram a adiar um montante de R$ 110,5 bilhões em dívidas.

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