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Você conhece as taxas que está pagando no seu cartão de crédito?

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Você conhece as taxas que está pagando no seu cartão de crédito? Unsplash
► Governo mantém IOF zerado para operações de crédito até 31 de dezembro► Pagamentos por aproximação aumentaram 330% no Brasil no primeiro semestre de 2020

Se você fosse parado na rua e te perguntassem se conhece as taxas do seu cartão de crédito, o que você falaria? Saberia dizer quais são e por que você as paga? Se a sua resposta for não, você não está sozinho.

Uma pesquisa realizada de 2019 pelo SPC Brasil mostra que cinco em cada dez consumidores que utilizam o cartão de crédito já ficaram com o nome sujo por falta de pagamento da fatura. O conhecimento dessas taxas ajuda no planejamento financeiro e também a evitar endividamento, é o que afirma o economista da Universidade de Brasília, Lucas Ribeiro:

"É importante saber as taxas do cartão de crédito para saber quanto será pago no futuro. Não pagar um valor hoje implica que será necessário abrir mão desse valor acrescido da taxa de juros amanhã. Essa folga nos gastos hoje não vem de graça, há um custo nela e se a taxa do cartão de crédito for alta, o custo é alto."

O Banco Central (BC) divulgou em setembro as Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartão no Brasil em 2019 que mostram que, no fim do ano passado, havia 123 milhões de cartões de crédito e 132 milhões de cartões de débito ativos, representando aumento de 18% e de 14%, respectivamente, em relação a 2018. Na comparação interanual, houve crescimento de 33% no número de transações com cartões de crédito e de 20% com os de débito.

A atual crise sanitária fez com que os hábitos de consumo da população mudassem para se adaptar à nova realidade. Pagamentos por aproximação, por exemplo, aumentaram 330% no primeiro semestre do ano, e o comércio teve que sustentar uma rápida digitalização e melhora do serviço, com as gigantes do varejo, como Magazine Luiza e Via Varejo, reportando um aumento de mais de 100% das vendas digitais durante a black friday deste ano.

Tipos de taxa

Existem dois grupos principais de taxas, as da manutenção - que servem para serviços e produtos do próprio cartão, e as de juros - geralmente representa o custo financeiro, que aparece quando os clientes atrasam o pagamento de uma fatura ou passam do limite estipulado.

  • Anuidade - é a taxa cobrada para custear os gastos de manutenção do cartão. Cada instituição financeira decide o valor que vai ser cobrado e o valor é geralmente negociável. Há algumas instituições que não cobram anuidade nos seus cartões de crédito.

  • Saque - alguns cartões de crédito permitem que você saque um valor, este é como um empréstimo que você faz e paga no mês seguinte. Além de uma taxa de juros, há a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

  • Segunda via - a cobraça de uma segunda via do cartão também fica a critério da operadora. Em caso de perda e roubo, é comum as instituições cobrarem uma taxa para a emissão da nova via, em casos onde o próprio banco possui responsabilidade na perda, esta não é cobrada.

  • Aumento emergencial do limite - esta recai quando você tenta realizar uma compra que ultrapassa o limite do seu cartão. Por isso, é importante conhecê-lo.

  • Pagamento de contas - alguns bancos permitem que você pague outras contas com o cartão de crédito, seja a conta de água, luz, ou algum boleto, no entanto esse é um serviço que pode ser cobrado.

  • Parcelamento da fatura - esta taxa recai quando você não consegue pagar a totalidade da conta do mês e pede para parcelar o valor. Além do valor parcelado, será preciso pagar juros sobre o parcelamento e o IOF. Esse custo se torna ainda maior quanto mais parcelas você faz.

  • Juros do rotativo - deixamos esse daqui por último para dar uma atenção maior a esse tipo de cobrança. O juros do rotativo é um tipo de empréstimo que o banco oferece quando o cliente não consegue pagar com totalidade a fatura. Segundo o Banco Central (BACEN), em maio deste ano, eles estavam em 298,6% ao ano. Desde 2017, a regra para o crédito rotativo mudou. Antes disso, o cliente pagava uma parcela da fatura e, no mês seguinte, a fatura vinha com esses juros, porém, o cliente que não conseguia arcar com a dívida total, pagava novamente somente uma parcela do valor, e isso virava uma bola de neve com as pessoas se endividando. A nova regra coloca que o crédito rotativo só pode ser usado por, no máximo, 30 dias. Ou seja, se no mês seguinte ele não consegue quitar o valor que inclui o crédito rotativo, a instituição financeira deve passar a dívida para alguma opção mais vantajosa, como o crédito parcelado.

"Embora o ideal seja sempre pagar a fatura do cartão inteira todo mês, caso seja necessário fazer o parcelamento, alguns cartões permitem que seja feito um acordo o que rende juros mais baixos e diminui os gastos advindos de juros", conclui Lucas Ribeiro.

Algumas dicas para você se programar e planejar suas compras são:

  1. Conheça todos os cartões de crédito que você possui e mantenha somente os que considerar necessários, evitando possuir vários cartões de crédito e o descontrole financeiro.
  2. Ao pedir um cartão, não aceite um limite que seja muito alto em relação ao seu salário ou às receitas do seu negócio. Ter uma grande quantidade de crédito pode levar você a gastar uma quantia que não conseguirá pagar.
  3. Caso você receba uma renda extra, sendo esta oriunda de 13º, férias ou outros serviços, analise a possibilidade de antecipar parcelas. Algumas operadoras de cartão de crédito chegam a oferecer desconto por antecipação de compras parceladas.
  4. Procure evitar emprestar o seu cartão para amigos ou parentes, pois esta se torna uma dívida sua.

Quem regula esses valores?

O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é o responsável por criar e supervisionar as redes para operações financeiras no Brasil. Ele é responsável pelo mercado monetário, de crédito, de capitais e cambial. Cada um destes mercados conta com regras específicas que são regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo BACEN.

O cartão de crédito, por ser parte do mercado de crédito, é totalmente regulamentado pelo CMN.

Essas informações estão no contrato de prestação de serviço de cada operadora do cartão. Para o custo financeiro em específico, há o Custo Efetivo Total (CET), e é nele que se encontram todos os encargos, taxas, tributos e outras despesas.

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