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Mercado de ações pode crescer ainda mais em 2021, afirma presidente da B3

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Mercado de ações pode crescer ainda mais em 2021, afirma presidente da B3 Pexels
► B3 pretende realizar investimentos de R$ 420 a R$ 460 milhões no próximo ano► Novos investidores da B3 são jovens que começam com valores menores e visão de longo prazo

Mesmo em um momento de crise, que acabou por provocar quedas nas bolsas e afugentou companhias que estavam prestes a abrir capital, a B3 registrou 27 novos IPOs e 23 follow ons (ofertas subsequentes de ações) este ano, dos quais, 14 acumularam queda até o fechamento do pregão em novembro. O lançamento de ações, incluindo follow ons, resultou na captação de R$ 112 bilhões. Lembrando que ainda existem pedidos em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O presidente-executivo da B3, Gildon Finkelsztain, afirmou que a expectativa de vacinação em massa contra a Covid-19 pode impactar positivamente o mercado fazendo com que haja uma injeção de recursos e, consequentemente, um aumento do número de negócios. Ou seja, o ano de 2021 pode manter o ciclo de IPOs iniciado este ano no Brasil.

“Se no Brasil houver clareza na agenda do governo para manter a inflação baixa e priorização das reformas e das privatizações, o otimismo do mercado vai se materializar em 2021”, afirmou Finkelsztain durante evento online.

Enquanto em 2019, a média de negociações na B3 foi de 4 milhões por dia, em 2020, este valor chegou a 12 milhões. A queda da taxa Selic, que atualmente está em 2%, impulsionou a entrada de novos investidores que acabaram buscando ativos de mais risco. Neste ano, houve a entrada de 1,5 milhão de novos investidores pessoas físicas.

Um estudo realizado pela B3, afirmou que o número de contas ultrapassou 3,2 milhões e que os novos investidores estão mais propensos a diversificar seus investimentos com maior disposição à tomada de risco. Na pesquisa, 78% dos entrevistados se posicionaram nos perfis “realizador” e “ousado”, enquanto apenas 18% se mostraram avesso a riscos.

“É uma oportunidade que a gente tem cada vez mais no Brasil de ter o mercado de capitais como motor propulsor das empresas e do crescimento econômico”, afirmou o presidente da B3.

IPOs 2021

O presidente da CSN mineiração, Benjamin Steinbruch, afirmou que o IPO da empresa pode ocorrer já no início de 2021, utilizando os dados do terceiro trimestre de 2020.

“Estamos determinados a fazê-lo. Os números do quarto trimestre são muito melhores. É uma determinação nossa fazer o IPO o mais rapidamente possível. Agora, é claro que com a melhora de mercado, somada ao desconhecimento que o mercado tinha dos dados e potenciais números da operação de mineração, fez com que tivéssemos que dar mais tempo", afirmou.

Já a Companhia Brasileira de Offshore (CBO), que não aguarda na lista da CVM, colocou, em live organizada pelo InfoMoney, a possilidade de haver IPO da empresa em 2021.

"A nossa expectativa é que não demore muito. Eu entendo e a gente discute isso [o IPO] muito dentro da companhia com os nossos acionistas também, com os bancos. Atravessamos um período recente agora de muita volatilidade. A pandemia atrelada às eleições americanas, que não acabaram ainda, isso traz essa volatilidade toda. Vários IPOs ficaram represados. Do lado de cá, nós confiamos muito na nossa tese. Acreditamos muito no nosso modelo”, disse o CEO Marcos Tinti.

Atualmente, as empresas que estão que com seus pedidos de oferta inicial de ações em análise pela CVM e a data em que realizaram a solicitação são:

  • Kallas (06/08)
  • CFL (24/08)
  • Mosaico (25/08)
  • Emccamp (26/08)
  • Açu Petróleo (01/09)
  • Cruzeiro do Sul (07/10)
  • Focus Energia (15/10)
  • Grupo Big Brasil (19/10)
  • CSN mineração (19/10)
  • Grupo Fatura (20/10)
  • Estok (19/10)
  • Paschoalotto (21/10)
  • UNI.co (21/10)
  • Oleoplan (21/10)
  • Boa Safra Sementes (22/10)
  • Bemobi (22/10)
  • CTC (22/10)
  • Método Engenharia (23/10)
  • MPM (09/11)
  • Vittia (17/11)
  • Cortel (23/11)
  • Intelbras (26/11)
  • Jalles Machado (02/12)
  • Westwing (03/12)
  • Kalunga (04/12)
  • Mobly (07/12)
  • Iguá (07/12)

Balanço de 2020

Entre as maiores desvalorizações, as cinco empresas que mais sofreram após sua estreia na bolsa este ano foram: Moura Dubeux (MDNE3), D1000 (DMVF3), Mitre (MTRE3), Lavvi (LAVV3) e Enjoei (ENJU3).

A construtora Moura Dubeux, desde sua estreia no dia 12 de fevereiro, viu suas ações despencarem 47,42% até o final de novembro. Antes da pandemia, as ações foram precificadas a R$ 19. A D1000, rede de drogarias, lançou-se na B3 no dia 10 de agosto com preço definido de R$ 17, porém, dois dias após, as ações já registravam queda de 12%. Até o dia 30 de novembro, a empresa acumulou queda de 34,65%.

A seguir, estão as construtoras Mitre, Lavvi e Plano & Plano. A Mitre começou a ser negociada antes da pandemia do coronavírus, em fevereiro, chegando a disparar 8% em sua estreia, porém registrou queda de 25,34% após nove meses. Já a Lavvi estreou na bolsa no dia 02 de setembro e acumula queda de 18,63% em dois meses.

Em quinto lugar está o brechó online Enjoei. A empresa estreou em setembro após levantar R$ 1,1 bilhão em seu IPO, com preço de R$ 10,25 por ação. Entretanto, no final de novembro, as ações acumularam queda de 10,73%.

O setor imobiliário foi um dos mais prejudicados. O IMOB, índice que conglomera as companhias do setor imobiliário na B3, saiu de 1500 pontos em janeiro para 989 no final de novembro. Dos 24 IPOs deste ano, 6 são construtoras, além de 5 terem sido cancelados.

Do outro lado, temos as empresas que mais se valorizaram após estreia na bolsa. Mesmo com a crise causada pelo Covid-19, alguns empreendimentos conseguiram valorização de mais de 200%. As cinco companhias com maior valorização este ano até agora foram: Locaweb (LWSA3), Sequoia (SEQL3), Petz (PETZ3), Grupo Soma (SOMA3) e Quero Quero (LJQQ3).

Com alta de 283,45%, a empresa de hospedagem de sites Locaweb encabeça o ranking de maiores valorizações, ou seja, quem entrou na oferta inicial de ações da companhia mais que dobrou o capital investido. Seu IPO aconteceu no dia 06 de fevereiro, antes da pandemia, e movimentou R$ 1,18 bilhão, sendo precificada a R$ 17,25. A Sequoia, empresa de logística e transportes, viu suas ações dispararem após divulgação do seu balanço do 3T20, conseguindo acumular alta de 57,66% até o final de novembro.

A Petz foi negociada pela primeira vez na B3 em 11 de setembro e, logo no seu primeiro pregão, já registrou alta de 21,8%. Mesmo com a pandemia, a empresa vem apresentando crescimento dos seus números, como aumento no volume de vendas, receita bruta e, principalmente, receita digital. No final do mês seguinte a sua estreia, as ações da Petz acumulavam alta de R$ 38,18%.

O Grupo Soma estreou na bolsa brasileira em julho com preço de IPO R$ 9,90 e acumula valorização de 30,40%. Em quinto lugar estão as Lojas Quero Quero, que estreou em agosto, mas já acumula alta de 30,04% até novembro.

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