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Mudança no comportamento dos jovens faz aluguel de carros virar tendência entre as empresas

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Mudança no comportamento dos jovens faz aluguel de carros virar tendência entre as empresas Freepik
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Com a crescente tecnologia dos smartphones e a popularização dos aplicativos de transporte, a maneira como nos deslocamos nas grandes cidades mudou. Embora ter um automóvel do ano represente um status social no Brasil, o interesse em adquirir esse bem durável tem caído à medida que a cultura de compartilhamento cresce. Uma prova disto são os dados globais divulgados pela Auditoria e Consultoria Empresarial Deloitte que apontam que 55% dos brasileiros questionam a necessidade de ter seus próprios carros. Essa tendência é ainda mais evidente quando considerada apenas a opinião dos mais jovens, que pertencem às chamadas gerações Y e Z: 62% acham dispensável possuir um veículo no futuro.

“Nossos jovens estão cada vez mais inclinados a abrir mão de ter a propriedade de um carro, preferindo vivenciar esse movimento do compartilhamento, o que é um indicativo muito importante da tendência futura de consumo. Cabe à indústria automotiva acompanhar muito de perto essa nova realidade”, afirma Reynaldo Saad, sócio-líder da área de Bens de Consumo e Produtos Industriais da Deloitte Brasil

Para o diretor-executivo de Aluguel de Carros da Localiza, Elvio Lupo, a sociedade está se transformando e os jovens, principalmente, estão percebendo os benefícios da economia compartilhada, o que valoriza mais a experiência de uma viagem. Essa tendência pode ser percebida em diversos setores, desde o carro, serviços de streaming de filmes, séries e músicas e até no compartilhamento de utensílios domésticos.

"Com o aluguel, o condutor escolhe o carro que quiser, de acordo com suas necessidades de mobilidade, seja para uma viagem curta de turismo ou trabalho, uma locação com um prazo maior, como acontece com os motoristas de aplicativo, ou mesmo para aqueles que decidem não ter mais um veículo e fazer a assinatura de um carro. Ao alugar um automóvel, o condutor opta pela economia de tempo e de recursos, como impostos, licenciamentos, seguros, manutenções, revisões, preocupação com vendas, depreciação, entre outros", explica o executivo.

Apesar da queda de 90% no aluguel de automóveis nos meses mais críticos da pandemia provocada pelo novo coronavírus, as locadoras enfrentam uma forte demanda nos últimos meses. Em algumas delas, a taxa de aluguel atingiu 86% da frota em outubro, um recorde histórico. Em novembro, a demanda seguiu aquecida: as buscas cresceram até 35%. Como as montadoras reduziram a produção e as locadoras menores venderam seus carros para suprir os prejuízos por conta da Covid-19, a fila de espera está alta no momento.

Elvio Lupo avalia que o novo movimento, que preza o uso em detrimento da posse, veio para ficar. Segundo ele, especialistas vêm apontando a tendência de o turismo interno crescer paulatinamente ao longo dos meses, com viagens mais curtas e de carro, em função das restrições por conta dos cuidados com a pandemia.

"Independentemente de cenários, continuamos investindo continuamente em tecnologia para qualificar a experiência de mobilidade dos nossos clientes e estamos otimistas na contínua retomada de nossos negócios. Temos nossas expectativas embasadas em uma visão de longo prazo, que continuam válidas e promissoras", destaca o direto-executivo da Localiza.

Atentas ao crescimento deste segmento, as montadoras começaram a investir e criar concorrência com as locadoras. Com a produção de carros encolhendo globalmente, a expectativa é que cada vez mais fabricantes mudem seu modelo de negócio. A Toyota e a Volkswagen, por exemplo, já lançaram serviços de locação no país. Na semana passada foi a vez do grupo FCA, que tem entre as marcas Fiat e Jeep, anunciar o lançamento de uma empresa de assinatura de veículos no Brasil.

Uma outra empresa que está investindo neste ramo é o Itaú Unibanco, que anunciou recentemente a criação do seu serviço de aluguel de carros elétricos. A ideia, neste caso, é a cobrança de uma tarifa inicial fixa e um valor por minuto de uso dos veículos, como é feito no serviço de compartilhamento de bicicletas, ofertadas pelo próprio banco. O piloto do projeto para veículos elétricos do Itaú se chama Vec Itaú e está previsto para fevereiro de 2021, mas apenas bancários de São Paulo terão direito ao aluguel neste primeiro momento.

Na avaliação de Elvio Lupo, o core business das montadoras é a produção e venda de carros. Segundo ele, as fabricantes de veículos já ingressaram no negócio de locação no passado e agora estão se reinventando para oferecer outras soluções de mobilidade para a sociedade.

"O mercado de aluguel de carros ainda tem muitas oportunidades para novos entrantes e a concorrência é fundamental para todos ao estimular novas e variadas soluções. De nossa parte, seguimos investindo para gerar mais valor e resultados extraordinários para os nossos clientes", finaliza.

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