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Pandemia faz setor automotivo ter previsão de crescimento gradativo para os próximos anos

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Pandemia faz setor automotivo ter previsão de crescimento gradativo para os próximos anos Washington Alves/Reuters
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Vários setores da economia nacional foram impactados pela pandemia da Covid-19 e o automotivo não foi diferente. A influência da pandemia nos resultados fez com que analistas estimem que a área só vai conseguir atingir seus melhores números daqui alguns anos, já que os próximos devem ser de um crescimento gradual.

Para alguns analistas, os registros de 2019 só devem ser alcançados no ano de 2025. Já para os melhores números que o setor registrou na história, que foram obtidos no ano de 2012, a previsão é de que só se repitam em 2030.

O impacto foi tão grande que a área chegou a ficar praticamente parada no mês de abril e alcançou seu pior resultado na história. Isso ocorreu devido ao fechamento de muitas fábricas no intuito de preservar a saúde dos funcionários no início da pandemia.

A medida foi defendida pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes.

“Isso exige um engajamento coordenado de toda a sociedade e também do Estado brasileiro, com foco absoluto na saúde e na economia. Não é hora de ruídos políticos que só desviam as atenções do que realmente interessa à população brasileira no momento de uma crise sem precedentes”, afirma o presidente da associação.

Segundo dados divulgados pela Anfavea, no quarto mês do ano, o setor chegou a registrar queda de 99% no número de veículos produzidos na comparação com o mês anterior. Foram produzidos apenas 1.847 veículos em abril, pior registro desde 1957.

O economista Eduardo Coutinho apresentou dados referentes ao setor que comprovam o que já era esperado: o pior resultado da indústria automobilística brasileira em mais de uma década.

"Entre janeiro e novembro a produção de veículos no país foi de aproximadamente 1,8 milhão de veículos. Esse número é inferior ao que foi produzido em 2004", comenta o economista

A redução da circulação das pessoas, por conta da pandemia, afastou possíveis compradores de carros e motos. A desvalorização do real e a incerteza do cenário econômico fez com que o valor dos veículos aumentasse e, consequentemente, as compras caíssem.

Mesmo com esse cenário, o fato de a aquisição de um veículo ainda ser tratada como uma conquista faz com que o setor automotivo feche o ano com uma estimativa de venda de 2 milhões de veículos novos. Resultado bem abaixo do patamar histórico do setor, registrado em 2012, quando os preços mais competitivos e os incentivos governamentais colaboraram para a venda de 3,8 milhões de automóveis.

Outro fator que é preocupante para a área diz respeito aos insumos utilizados no processo de produção. As montadoras vêm encontrando dificuldades para adquirirem materiais como aço, borrachas, materiais plásticos e pneus. O presidente da Anfavea se pronunciou afirmando que a situação é preocupante e essa escassez de insumos pode fazer com que, a qualquer momento, as montadoras tenham de parar em função da falta de material.

Recuperação

No segundo semestre de 2020, a indústria automotiva passou a apresentar uma leve recuperação. Dados divulgados pela Anfavea mostram que a partir de julho os resultados da área passaram a evidenciar uma volta do crescimento de forma contida. O mês de novembro foi o que registrou os melhores resultados no ano, chegando à marca de 238.200 autoveículos produzidos.

Para Eduardo Coutinho, esse crescimento em 2020, em meio a todas essas adversidades, aponta para um cenário de recuperação para os próximos anos.

"O setor deve recuperar-se à medida que as coisas começarem a caminhar de forma mais natural. O grande desafio para o setor automotivo será a mudança de matriz energética, mas isso é uma coisa muito lenta. Deve acontecer ao longo de algumas décadas", explica Coutinho.

O economista destacou ainda a mudança pela qual o setor deve passar com a substituição de combustíveis fósseis por energias mais limpas. Esse é um dos fatores que também deve corroborar para que a recuperação do setor aconteça de forma mais lenta.

“É uma questão muito mais tecnológica do que econômica. Há uma pressão muito grande de substituição de combustível fóssil por energia limpa e já estão investindo nisso, criando carros híbridos”, finalizou Coutinho.

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