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Crise internacional gera oportunidades de investimentos para empresas brasileiras

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Crise internacional gera oportunidades de investimentos para empresas brasileiras Pixabay
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As medidas sanitárias, o isolamento social e as incertezas em relação às vacinas para combater a pandemia do novo coronavírus trouxeram prejuízos incalculáveis para o Brasil. Do total de 1,3 milhão de empresas que encerraram suas atividades na primeira quinzena de setembro no país, 39,4% apontaram como causa predominante a Covid-19 e suas consequências, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra ainda que a pandemia teve um impacto negativo em todos os setores, mas afetou especialmente o setor de Serviços (74,4%), seguido por Indústria (72,9%), Construção (72,6%) e Comércio (65,3%).

A Mercedes-Benz é uma das empresas que decidiram fechar seus negócios no país. Inaugurada há apenas quatro anos, a fábrica de Iracemápolis (SP) era responsável por fabricar automóveis nos modelos Classe C e GLA. Apesar do anúncio surpreendente, a decisão já era esperada. Fruto de um investimento de R$ 600 milhões, o complexo tinha capacidade produtiva de 20 mil unidades por ano, mas nunca se aproximou deste número. Com isso, a montadora mantém apenas duas fábricas no país: a de São Bernardo do Campo (SP), responsável por fazer caminhões e chassis de ônibus, e a de Juiz de Fora (MG), onde são feitas cabinas de caminhões.

“A situação econômica no Brasil tem sido difícil por muitos anos e se agravou devido à pandemia da Covid-19, causando uma queda significativa nas vendas de automóveis premium. Ao longo do nosso processo de transformação, continuamos a reestruturar a nossa rede de produção global. Aumentar nossa eficiência, otimizando a nossa capacidade de utilização é um facilitador importante. Por isso, decidimos encerrar a produção de automóveis premium no Brasil" , disse Jörg Burzer, membro do conselho da Mercedes-Benz AG, Produção e Cadeia de Suprimentos.

Também está de partida outra gigante alemã. Em setembro, o CEO e presidente da Audi, Johannes Roscheck, anunciou que a fabricação do modelo A3 Sedan, feita no Paraná, seria paralisada, com previsão de interrupção por um ano. Além da crise ocasionada pela pandemia, um dos argumentos da montadora do Grupo Volkswagen é de que “boa parte da decisão passa pela definição do que irá ocorrer com os créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) acumulados durante o programa Inovar-Auto (programa do governo brasileiro que cria condições para o aumento de competitividade no setor automotivo) que não foram integralmente devolvidos".

Apesar do cenário desolador, algumas companhias viram na crise uma oportunidade de crescimento. No grupo das 2,7 milhões de empresas que permaneceram em atividade no país, 13,6% relataram que a Covid-19 propiciou novas fontes de investimentos. A Mondial, líder brasileira na fabricação de eletrodomésticos portáteis, é uma dessas firmas que conseguiram avançar na pior crise do século XXI. Com o crescimento das vendas impulsionado pelo isolamento social, a companhia anunciou, recentemente, que comprou a fábrica da japonesa Sony, em Manaus. Com a aquisição, a fabricante baiana entrará na disputa em novos segmentos de eletroeletrônicos, onde já estão gigantes como a LG, Samsung e Whirlpool. A Sony não detalhou os motivos que a levaram a tomar a decisão de fechar a fábrica na Zona Franca. Ela afirmou apenas que "sempre adota medidas para fortalecer a estrutura e a sustentabilidade de seus negócios, para responder às rápidas mudanças no ambiente externo".

Na avaliação do fundador da Mondial, Giovanni Cardoso, este cenário de recuo das empresas estrangeiras no país pode gerar oportunidades para algumas empresas nacionais, bem como para as multinacionais que conseguirem superar a crise internacional.

"Devido ao evento de impacto mundial causado pela pandemia, as multinacionais estão com problemas em suas sedes centrais. Nesse caso, procuram fortalecer as matrizes em detrimento das subsidiárias. A Mondial é uma empresa nacional que conhece profundamente a necessidade do consumidor brasileiro e a aquisição da Sony vai possibilitar a entrada da empresa em novos segmentos de eletroeletrônicos, como microondas, aparelhos de ar condicionado e televisores", pontuou.

Outra empresa que está dentro do percentual de crescimento na pandemia é a Pathfind, empresa brasileira de tecnologia que oferece soluções para entregas e distribuição de cargas. Segundo o engenheiro logístico da companhia, Antonio Wrobleski, as empresas que mantiveram o crescimento na crise têm em comum: planejamento, coragem para inovar em meio à crise, análise de resultados e ação.

"2020 foi um ano de muitos aprendizados, precisamos olhar para o nosso planejamento diversas vezes e adaptá-lo, mas fizemos para nós exatamente o que oferecemos aos nossos clientes: utilizamos a tecnologia para estruturar processos, otimizar a operação e analisar dados. Crescer em um ano tão atípico só foi possível porque tivemos coragem para seguir investindo mesmo em tempos conturbados", explica Wrobleski.

O engenheiro da Pathfind afirma ainda que é comum as empresas brasileiras acharem que são pequenas demais para investir em tecnologia, planejamento e em análise de dados e que esse equívoco pode comprometer o futuro de uma companhia.

"Precisamos parar de tratar 2020 como um ano místico e sair da letargia. Com certeza foi um ano difícil, mas ninguém consegue sobreviver a uma crise parado. Quais foram seus resultados em 2020? Quais são as oportunidades para 2021? Qual seu plano de ação para alcançar essas oportunidades?", questiona.

Este pensamento está alinhado com as estratégias da Mondial para o ano que vem. Segundo Giovanni Cardoso, a fabricante baiana tem como objetivo se fortalecer no mercado, expandir ainda mais suas linhas de produção e entrar em novos segmentos. "Acreditamos que essa tendência dos brasileiros de investir em seus lares deve permanecer em 2021, portanto estamos otimistas", finaliza.

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