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Setor da soja mantém cenário positivo para próxima safra, mesmo com ano atípico

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Setor da soja mantém cenário positivo para próxima safra, mesmo com ano atípico Ouro Safra/Divulgação
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Mesmo com um ano diferente em função da pandemia, a agropecuária brasileira conseguiu manter bons resultados. Um dos destaques foi o setor da soja que, mesmo com a alta do preço do grão - fator que fez com que alguns países compradores do produto optassem pela compra em outros mercados - e um desentendimento com alguns países europeus em função da questão ambiental, registrou bons números na produção e na exportação. Além disso, o cenário para o ano que está começando segue positivo.

O Brasil fechou 2020 com excelentes números para o setor. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a safra de soja do país ficou acima da expectativa inicial. A produção da safra no ano deve ficar em mais de 127 milhões de toneladas. Já em relação à exportação, a previsão é de que o resultado feche em cerca de 82,3 milhões de toneladas de soja.

Para o futuro, as expectativas seguem positivas. Uma previsão realizada pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) aponta que a produção na Safra 2020/2021 de soja no Brasil deve atingir a marca de 134,45 milhões de toneladas. Esse valor histórico caminha de acordo com a avaliação divulgada pelo Ministério da Economia que garante que mesmo com uma maior diversificação do mercado de soja, o setor não deve sofrer grandes impactos.

Em relação ao cenário das exportações, a previsão da companhia é de que os resultados alcancem as 85 milhões de toneladas. Ainda segundo a projeção da Conab, os resultados vão ser influenciados por uma forte demanda do mercado chinês e pela expectativa da alta demanda interna em função do aquecimento da economia, do aumento da produção de carnes e da mistura no biodiesel.

China

Em 2020, em função da menor oferta, o preço do grão brasileiro registrou alta. Esse fator fez com que a China, país que é o maior comprador de soja do Brasil, optasse pela compra da soja dos Estados Unidos. Ainda foi divulgado que o pico de vendas dos grãos para o país asiático aconteceu entre os meses de março e julho. Segundo alguns especialistas, devido ao período de entressafra era natural que essa queda acontecesse depois desse período.

Um exemplo disso é que, em outubro, as exportações da soja para o país asiático tiveram redução de 49,8% em relação ao resultado do mesmo mês de 2019. No entanto, a previsão é que para o ano de 2021 a China volte com os altos registros de compra da soja brasileira com a chegada da nova colheita.

A expectativa de grande procura da China pelo produto, juntamente com a alta do dólar, colaboram para o otimismo em relação ao setor. O cenário positivo para o futuro da soja faz com que os grãos da safra que só vai ser colhida em 2022 já estejam sendo comercializados pelos produtores.

O Ministério da Economia afirmou que, mesmo que a China busque por outros fornecedores de soja, o setor de vendas dos grãos não deve ter suas vendas impactadas.

"Ao mesmo tempo em que é esperada uma busca por diversificação de fornecedores por parte da China, é improvável que haja impactos de curto a médio prazo no que diz respeito às exportações brasileiras de soja em razão dessa diversificação", afirmou Herlon Brandão, subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior.

Países europeus

Alguns países europeus vêm cobrando do Brasil uma postura que implemente políticas ambientais de preservação. No entanto, as relações foram sendo estremecidas ao longo do ano com questões ambientais que o país enfrentou, como os incêndios que atingiram fortemente a Amazônia.

Ambientalistas explicam que os incêndios foram agravados em função do desmatamento e das queimadas na área amazônica para o plantio de soja. Com isso, os países que compram os grãos do país brasileiro estariam indiretamente colaborando para a destruição da natureza.

Em setembro, alguns países europeus haviam enviado uma carta ao vice-presidente, Hamilton Mourão, explicando que em função do desmatamento e da pressão popular, a compra de produtos brasileiros seria dificultada.

A previsão é de que a partir do próximo ano os países europeus façam uma inspeção maior sobre os produtos comprados do Brasil. As empresas que comercializam produtos para a Europa teriam de provar que sua produção não contribuiu para a destruição de biomas.

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