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Dieese aponta que cesta básica ficou mais cara em todas as capitais ao longo de 2020

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Dieese aponta que cesta básica ficou mais cara em todas as capitais ao longo de 2020 Pixabay
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O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou nesta segunda-feira (11) que o preço médio da cesta básica aumentou em todas as 17 capitais pesquisadas ao longo de 2020. As maiores altas foram registradas em Salvador (32,89%) e Aracaju (28,75%). Em Curitiba foi observada a menor elevação (17,76%).

Entre novembro e dezembro de 2020, o custo da cesta foi maior em nove cidades e menor, em oito; com destaque para as elevações de João Pessoa (4,47%), Brasília (3,35%) e Belém (2,96%). As maiores diminuições foram registradas em Campo Grande (-2,14%) e Salvador (-1,85%).

De acordo com o Dieese, o preço médio mais caro da cesta básica em 2020 foi observado em São Paulo, onde, em dezembro, chegou a R$ 631,46. Este valor correspondeu a 53,45% do salário mínimo vigente, que era de R$ 1.045. Este foi o maior percentual observado desde 2008, quando foi de 57,68%.

Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos

"O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta para o conjunto das capitais, considerando um trabalhador que recebe salário mínimo e trabalha 220 horas por mês, foi, em dezembro, de 115 horas e 08 minutos, maior do que em novembro, quando ficou em 114 horas e 38 minutos", destacou o Dieese.

Itens da cesta básica com maior aumento nos preços:

Carne bovina: O preço médio registrou alta em todas as capitais, por diversos motivos: intenso ritmo de exportação, principalmente para a China; baixa disponibilidade de boi gordo no pasto; elevação nos preços de importantes insumos pecuários importados; e aumento no valor dos insumos de alimentação, como o milho e o farelo de soja.

O leite UHT e a manteiga: tiveram aumento de preços em todas as cidades. Na maior parte do ano, foram verificados baixos estoques nacionais de leite no campo e custos elevados de produção, principalmente de insumos como soja e milho; além de problemas climáticos, como chuvas irregulares e secas extremas.

Arroz agulhinha: também foi “vilão” em 2020 e a alta de preço passou a ser mais intensa após abril desse ano. Os motivos que se destacaram foram a desvalorização do real frente ao dólar, que aumentou o custo de produção e elevou o volume de grão exportado; a diminuição da área plantada nos últimos anos; e, o abandono da política de estoques reguladores por parte do governo.

Óleo de soja: o Brasil exportou um elevado volume de soja e derivados, devido ao real desvalorizado em relação ao dólar e à forte demanda externa, o que fez aumentar o preço do produto no mercado interno.

Batata: produção foi impactada ao longo do ano devido a condições climáticas, que resultou em redução na oferta do produto e, consequentemente, na alta de preços.

Açúcar: também foi impactado pelo grande volume de exportações diante da desvalorização do real frente ao dólar.

Farinha de trigo e pão francês: como o Brasil não produz a quantidade de trigo suficiente para a demanda interna, o país depende da importação do produto, cujo preço foi elevado diante da desvalorização cambial.

Tomate: além da redução de área plantada, houve impacto por fatores climáticos que prejudicaram a produção.

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