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Mourão afirma que Macron externou "interesses protecionistas" ao criticar soja brasileira

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Mourão afirma que Macron externou "interesses protecionistas" ao criticar soja brasileira Antonio Cruz/ Agência Brasil
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O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira (13) que o presidente da França, Emmanuel Macron, não conhece a produção de soja no Brasil e que as críticas feitas por ele externaram "interesses políticos de agricultores franceses". Segundo o general, a presença de soja na Amazônia "é ínfima", mas que a capacidade de produção brasileira é "imbatível."

"Monsieur Macron n’est pas bien (o senhor Macron não está bem, em tradução literal)", disse Mourão, em francês. "Macron desconhece a produção de soja do Brasil. Nossa produção de soja é feita no cerrado ou no sul do país. Então, eu acho que nada mais, nada menos, [Macron] externou aí aqueles interesses protecionistas dos agricultores franceses. Faz parte do jogo político", afirmou.

Ontem, o presidente francês fez uma postagem nas redes sociais apontando problemas na política ambiental brasileira e na dependência do grão, que é importado do Brasil, defendendo plantação local da soja. De acordo com Macron, ao importar a soja produzida em um ritmo rápido a partir da floresta destruída no Brasil, a Europa é incoerente. E se o continente precisa de soja brasileira para sobreviver, os países devem produzir soja europeia ou algo equivalente.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (13), o Ministério da Agricultura divulgou uma nota na qual informou que a produção de soja no país é sustentável e que o grão "não exporta desmatamento".

"A declaração do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a soja brasileira mostra completo desconhecimento sobre o processo de cultivo do produto importado pelos franceses e leva desinformação a seus compatriotas. O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo, abastecendo mais de 50 países com grãos, farelo e óleo. Detém domínio tecnológico para dobrar a atual produção com sustentabilidade […]. A soja brasileira, portanto, não exporta desmatamento", destacou a pasta.

Macron é um dos principais defensores da não assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia por afirmar que os países locais, especialmente o Brasil, não seguem os rígidos protocolos ambientais que os produtores europeus precisam seguir. Em junho do ano passado, ele afirmou que a União Europeia não deve fazer nenhum acordo comercial com países que não respeitarem o Acordo de Paris.

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