clique para ir para a página principal

Como o noticiário influencia a tomada de decisão no mercado financeiro?

Atualizado em -

Como o noticiário influencia a tomada de decisão no mercado financeiro? Pexels

Todos os dias somos bombardeados com milhares de informações, notícias, rumores e opiniões sobre investimentos. Sendo para o lado negativo ou positivo, esse conteúdo influencia diretamente no direcionamento do mercado financeiro ao longo do tempo. É importante ficar de olho nas notícias para tentar antecipar movimentos e fazer a melhor escolha para os seus investimentos, porém, é essencial ter cautela para tomar decisões que não coloquem seu patrimônio em risco.

Um estudo divulgado pela B3, sobre os 2 milhões de investidores que entraram na bolsa entre 2019 e 2020, mostra que 73% se informa sobre investimentos na internet, 60% através de YouTube/Influenciadores, 38% através de e-mails, alertas, notificações de bancos, 38% redes sociais de bancos ou instituições financeiras, 36% redes sociais num geral, 34% em grupos de investimentos no Whatsapp ou Telegram.

Recentemente, por exemplo, podemos citar duas notícias, de diferentes aspectos, que influenciaram o mercado financeiro.

A primeira delas envolve rumores de fusão entre as operadoras de plano de saúde Hapvida (HAPV3) e NotreDame Intermédica (GNDI3). No dia 08 de janeiro, um portal de notícias divulgou que as empresas estariam planejando esta fusão e, como resultado, as ações da Hapvida subiram 24,9%, enquanto as ações da NotreDame Intermédica dispararam 30%. Apesar de terem decidido não fazer comentários naquele momento, as companhias confirmaram as negociações em seguida.

A segunda notícia foi um rumor de que o governo do presidente Jair Bolsonaro estaria considerando a troca da presidência do Banco do Brasil, alocando André Brandão, atual presidente, em outra função estratégica. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) chegaram a cair mais de 4%. No dia seguinte, a instituição negou que o cargo estava sendo ameaçado.

Não só notícias relacionadas à economia influenciam o mercado financeiro. O noticiário político também gera grandes consequências no mercado, sejam informações sobre instabilidades no governo, reformas aprovadas ou lançadas e decisões que afetam diretamente o investidor, como novas regras, leis e impostos.

Um tema recorrente, atualmente, nos jornais que mexe com os investimentos é a pandemia do novo coronavírus. Notícias que divulgam informações de aumentos de casos, novas variantes ou dificuldades gerais na contenção do vírus geram resposta negativa (ou positiva) nas bolsas mundiais. Já reportagens sobre vacinas elevam o ânimo dos investidores. Isso acontece porque uma melhora geral da crise na saúde afeta a maioria dos setores.

As ações são precificadas de acordo com o resultado das negociações nas bolsas de valores, ou seja, da relação de compra e venda entre os investidores. O vendedor lança a sua oferta em um determinado valor com base no mercado, se ele não conseguir vender, ele pode abaixar o valor até conseguir concluir a transação. Ou seja, o preço dos papéis também é determinado pelo desejo dos investidores e uma notícia boa ou ruim para uma empresa ou segmento pode modificar essa vontade e alterar o valor do ativo negociado.

"Os noticiários podem ser um propulsor para os indivíduos tomarem suas decisões de maneira impulsiva, o que chamamos de usar o sistema 1 do cérebro – que são as decisões rápidas e automáticas. Ao conhecer o que nos motiva a fazer certas escolhas e como geralmente nos comportamos, o risco de tomarmos decisões precipitadas diminui, por isso sugerimos as pessoas estudarem o assunto para melhorarem seus processos decisórios na vida pessoal e profissional", ressalta Flávia Ávila, especialista em economia comportamental.

Tipos de notícias e momento de análise

Algumas notícias podem ser pré-agendadas, como as que possuem datas e horários para serem lançadas. É comum empresas que fazem parte da B3 marcarem eventos e conferências para divulgar seus resultados trimestrais e outras informações relevantes para seus investidores. PIB, taxa de juros e balança comercial são exemplos de informações que também são divulgadas em dias específicos por órgãos do governo.

"Olhar apenas uma informação isoladamente não agrega muito para o investidor. No entanto, uma informação relevante, por exemplo, é a movimentação da curva de juros - que é a expectativa dos agentes econômicos com relação ao que vai ser a política monetária do Banco Central daqui para frente. E os agentes econômicos já estão apontando a expectativa de que teremos um aumento da Selic mais adiante. 2021 será um ano de aumento da taxa Selic", adianta Leonardo Milane, Sócio e Economista da VLG Investimentos.

Um tipo muito comum e que vem ganhando cada vez mais força são opiniões. O estudo da B3, citado anteriormente, mostra que uma grande maioria dos novos investidores toma decisões com base em influenciadores na internet. Como ressaltou a CVM em novembro, é importante ficar de olho na atuação de pessoas não credenciadas. A área técnica do órgão alerta que é uma infração administrativa usar as redes sociais para se manifestar sobre valores mobiliários:

“Ainda que em caráter não profissional, com o objetivo criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários, a manipulação de preço, a realização de operações fraudulentas e o uso de práticas não equitativas, para tentar auferir vantagem para si ou para terceiros”, assinala o órgão.

Não é possível se preparar e prever todas as notícias. As que chegam inesperadamente para o investidor merecem ainda mais atenção, pois podem causar movimentos bruscos no mercado financeiro.

Atualmente, o impacto é instantâneo nos preços. Alguns minutos depois, outros veículos publicam essa informação para o público em geral, daí ocorre a massificação da informação. Em seguida, é possível verificar se a notícia terá um impacto temporário ou permanente. Se o preço se estabilizar acima do preço de publicação, há chances de ser uma notícia que o mercado não precificava integralmente, porém, se o preço não se manter acima, a possibilidade é que a notícia já havia sido antecipada pelo mercado.

click aqui para falar com um especialista

Relacionados:

Leia mais: