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Comerciantes acreditam que vacinação contra a Covid-19 vai colaborar para recuperação do varejo

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Comerciantes acreditam que vacinação contra a Covid-19 vai colaborar para recuperação do varejo Pixabay
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O setor do comércio foi um dos mais impactados pela pandemia do coronavírus. Devido ao momento enfrentado, muitos estabelecimentos tiveram de fechar as portas e isso acarretou em uma queda nos resultados do setor.

De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que monitora 1,4 milhão de varejistas credenciados aos serviços da companhia, o comércio varejista fechou 2020 com queda de 13,9% nas vendas e atingiu seu pior resultado desde 2014. Ainda segundo o levantamento, as vendas no varejo nacional apontaram baixa de 9,8% no mês de dezembro, na comparação com o resultado obtido no mesmo mês em 2019.

Dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que em novembro de 2020, o seguimento fechou com uma leve queda de 0,1%. Esse resultado rompeu a sequência de seis taxas positivas consecutivas.

"A pandemia do novo coronavírus acabou gerando impacto em toda sociedade e também em toda cadeia produtiva. O comércio acabou sentindo isso de forma direta e indireta. Diretamente, via impossibilidade de operar, devido a alguns decretos municipais. Temos também o impacto do isolamento social, redução de pessoas na rua e a consequente redução de clientes nos estabelecimentos. Temos ainda os impactos indiretos, observados via a deterioração do mercado de trabalho", analisa Guilherme Almeida, economista-chefe da Fecomércio-MG.

Um dos principais problemas enfrentados pelo setor foi o desemprego. Devido à crise enfrentada, muitos proprietários tiveram de recorrer ao desligamento de funcionários. Esse foi o caso de Élisson Flexa, dono do bar Barfão, em Belo Horizonte.

"O principal impacto no meu bar foi a dispensa de funcionários. Pois, todos eles, precisavam desse dinheiro, eles têm família, eles sustentam uma família. Eu também tenho, mas para mim foi diferente, pois eu ainda tenho um salão de beleza que funciona na minha casa. O que mais impactou foi isso. Saber que as pessoas precisam e eu não posso fazer nada", lamenta Élisson.

Por outro lado, o momento fez com que outros comerciantes mudassem seu planejamento e optassem por novos métodos para a realização de seus trabalhos. Marco Túlio Nascimento, dono da Casa do Bolo Vovó Elza, também localizada na capital mineira, ressalta a importância das entregas via delivery.

“Em março de 2020, quando estourou a pandemia no Brasil, foi bem turbulento pelas incertezas econômicas e medidas adotadas pelo governo. Eu e meu time pensamos em formas para continuar com nossas atividades e conseguir passar por esse momento tão difícil. Nós já trabalhávamos com o delivery e ele foi crucial nesse período de incertezas”, afirma o proprietário.

Vacinação

Com a aprovação da vacina existe uma expectativa de melhora no cenário. Com o início do processo de imunização, as normas a serem cumpridas, como fechamento de estabelecimentos e isolamento social devem ser flexibilizadas e, consequentemente, as pessoas devem voltar a frequentar esses locais.

Com o início da aplicação das vacinas no país, os comerciantes Marco Túlio e Élisson Flexa começam a vislumbrar um cenário positivo para quem vive do comércio.

"Com a aprovação da vacina a gente pensa num cenário positivo. Porque as pessoas já vão ter mais liberdade de sair de casa. E isso faz com que as pessoas possam se divertir e percam o medo de ir para a rua", diz Élisson Flexa.

“O último ano foi muito caótico e com muitas vidas e negócios perdidos, mas em 2021, com a vacina saindo e os negócios em geral se adaptando cada vez mais, quem sabe possamos ter uma economia que comece a andar novamente, criando novos empregos e fazendo a engrenagem girar novamente”, explica Marco Túlio.

Cenário 2021

Dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) apontam uma perspectiva de maior crescimento da economia no ano atual. Esse fator, juntamente com uma possível baixa nos juros, leva a entidade a projetar um avanço do seguimento de 4,2% em 2021.

"As projeções seguem cautelosas, uma vez que o setor do comércio é bastante sensível aos indicadores de emprego e renda. Ainda que tenhamos uma efetividade no processo de vacinação, teremos um legado deteriorado no mercado de trabalho. A tendência é que o desemprego continue alto em 2021. Nós ainda temos um achatamento na renda, proporcionado pelo fim do auxílio emergencial e ainda pela crescente das pessoas em trabalhos informais", afirma o economista da Fecomércio-MG.

Segundo Guilherme Almeida, o grande destaque para os próximos anos do setor são as mudanças que foram implementadas pelas empresas durante o período da pandemia e devem se manter.

"Nós temos uma expectativa positiva em relação a gestão das empresas. Os empresários que passaram por esse momento difícil acabaram adotando posturas de gestão cada vez mais efetivas em seus estabelecimentos e ampliaram suas modalidades de atuação. O que pode acontecer com o comércio nos próximos anos vai estar diretamente ligado a essas novas formas de gestão e essa nova forma de pensar as atividades operacionais", finaliza o economista.

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