clique para ir para a página principal

Quais mudanças esperar do mercado de trabalho no pós-pandemia?

Atualizado em -

Quais mudanças esperar do mercado de trabalho no pós-pandemia? Pexels
► Brasil encerrou 2020 com mais de 2 milhões de empregos temporários criados ► Setor de turismo estima novas demissões com fim de medidas do governo na pandemia da Covid-19

A crise global causada pelo coronavírus trouxe diversas mudanças no modo como interagimos no dia a dia. Essas mudanças refletiram também na relação da população com o trabalho, seja através da transferência para o home office, ou o teletrabalho, como também na grande quantidade de demissões e fechamentos de empresas e escritórios. As modificações impulsionadas pela tecnologia devem se manter, em maior ou menor grau, e moldar o mercado de trabalho daqui para frente. No fim, o surto da doença acelerou um processo de digitalização das conexões que vinha acontecendo lentamente.

A ampliação do home office é a primeira grande mudança trazida pela pandemia que deve se manter. Antes, o que era uma prática pouco difundida no Brasil se tornou normal para pequenas e grandes organizações. Segundo a Pesquisa Gestão de Pessoas na Crise Covid-19 elaborada pela Fundação Instituto de Administração (FIA), a prática foi adotada por 46% das empresas durante a pandemia. O estudo apontou também que 67% das companhias relataram dificuldades em implantar o sistema, especialmente na falta de familiaridade com as ferramentas de comunicação. Apesar da dificuldade inicial no movimento para o home office, 50% das empresas afirmaram que a experiência superou as expectativas.

Algumas inclusive decidiram que nem todos os funcionários precisarão comparecer diariamente no escritório, como é o caso do Grupo Siemens:

"O objetivo é que funcionários do mundo todo possam trabalhar de forma remota, em média, de dois a três dias por semana – sempre que isso fizer sentido e for viável", anunciou o grupo de tecnologia de Munique em meados de julho.

Interligado com o trabalho remoto vem a diminuição de escritórios em tamanho e quantidade. A pandemia mostrou que o home office é possível numa escala muito maior do que se pensava anteriormente e oferece várias vantagens, como o corte de custos com energia, comunicação, segurança, transporte e viagens. As empresas continuaram em funcionamento, o que gerou o questionamento se precisavam, efetivamente, de espaços tão grandes e gerou a criação de medidas para gastar menos com o aluguel. Dado da Jones Lang LaSalle (JLL), empresa internacional de consultoria imobiliária na área comercial, apontam que a demanda por escritórios de alto padrão caiu em todas as regiões nobres da cidade de São Paulo.

"Na primeira fase da quarentena, muitos escritórios negociaram descontos e diferimentos pontuais, mas agora a gente está entrando num segundo estágio, em que as empresas viram que o trabalho remoto funciona e estão avaliando em que medida cada setor poderá seguir em home office e qual será o efeito disso em suas atividades”, diz Mônica Lee, diretora da JLL.

empreendedor, computador

Pixabay

Uma outra mudança que deve se fazer permanente é o aumento do número de empreendedores, impulsionado pelo desemprego recorde e pela transformação nas relações de trabalho. Segundo o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), foram criados 1,47 milhão de MEIs (Microempreendedores Individuais) entre janeiro e setembro de 2020, aumento de 13,8% ante igual período no ano passado. Além disso, foram criadas cerca de 700 mil micro e pequenas empresas. Isso significa também que os micro e pequenos empreendedores devem passar por uma renovação para manter a sobrevivência do seu negócio, já que cerca de 682 mil empreendimentos se fecharam nos oito primeiros meses, de acordo com o Ministério da Economia.

A tecnologia deve modificar especialmente a relação entre as pessoas. As reuniões virtuais por videoconferência se tornaram indispensáveis para que as empresas se mantivessem em atividades e seus funcionários se comunicassem. Aplicativos que antes eram usados apenas de forma ocasional, como o Zoom, Microsoft Teams, Google Meets e outros, se tornaram parte do dia a dia dos trabalhadores. É fácil imaginar que eles ainda serão necessários, ainda que em menor quantidade, após a pandemia.

As "lives" entrevistando especialistas em diversas áreas também chegaram para ficar. A facilidade de conversar com uma pessoa que está em qualquer lugar do mundo gerou um boom de webinars, abrindo a possibilidade de encontrar profissionais de outras empresas e trocar ideia sobre assuntos em pauta. As palestras e eventos ainda vão existir, porém há agora uma gama de possibilidades para aqueles que querem trazer conteúdos para seu público, sem se preocupar com transporte e estadia dos convidados.

Por fim, as transformações se provarão passageiras ou permanentes na medida em que acontece a volta à normalidade. Porém, é inegável que o mundo não será mais o mesmo e que as pessoas deverão se adaptar para uma rotina de trabalho cada vez mais conectada com o mundo virtual, podendo exigir soft e hard skills diferentes das que vinham sendo valorizadas na rotina presencial do mercado de trabalho.

Relacionados:

► Brasil encerrou 2020 com mais de 2 milhões de empregos temporários criados ► Setor de turismo estima novas demissões com fim de medidas do governo na pandemia da Covid-19

Leia mais: