clique para ir para a página principal

Consórcios preenchem lacunas dos bancos e auxiliam na modernização do agronegócio brasileiro

Atualizado em -

Consórcios preenchem lacunas dos bancos e auxiliam na modernização do agronegócio brasileiro Pixabay
► Setor agropecuário tem maior geração de emprego formal desde 2011, segundo CNA► Ministra da Agricultura confirma grande expectativa para safra de grãos no Brasil em 2021

A alta nos preços das commodities agrícolas tem levado produtores rurais a pegar mais empréstimos com intuito de ampliar seus negócios. Uma prova disto são os dados mais recentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que apontam que as contratações de crédito rural somaram R$ 125,3 bilhões entre julho e dezembro de 2020, crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2019. A tomada de recursos para investimento foi a que mais cresceu, com alta de 44%, para R$ 39,57 bilhões. Os financiamentos de custeio seguem na liderança em volume de recursos e alcançaram R$ 67,86 bilhões (+12%), enquanto o crédito para industrialização atingiu R$ 7,18 bilhões (+2%). Somente os financiamentos para comercialização recuaram, na casa de 9%, a R$ 10,67 bilhões, conforme dados do Balanço de Financiamento Agropecuário da Safra 2020/2021.

O diretor do Departamento de Crédito e Informação do Mapa, Wilson Vaz de Araújo, afirmou que os financiamentos feitos a partir de recursos da emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) - título de crédito emitido por instituições financeiras públicas ou privadas (bancos) para obter recursos para financiar o setor agrícola - totalizam R$ 14,5 bilhões, aos quais se somam os valores referentes às aquisições de Cédulas do Produtor Rural (CPRs) e às operações com agroindústrias. Entre as fontes de recursos, a LCA aparece em segunda posição, com participação de 23%, atrás apenas da poupança rural (35%).

"A LCA continua sendo uma importante contribuição para o funding do crédito rural, pois não resulta em ônus para os cofres públicos. A LCA é um título de renda fixa privado. Os recursos investidos na LCA são usados para financiar o agronegócio", disse Vaz.

Concentrando 55,2% do crédito rural no país, o Banco do Brasil (BBAS3) registrou aumento de 35% na demanda por investimentos entre julho e dezembro de 2020. Em novembro do ano passado, o presidente da instituição, André Brandão, disse que o banco pretende se consolidar nos financiamentos a produtores e agroindústrias e ganhar espaço nos “ecossistemas” da atividade, aproveitando o aumento dos recursos captados durante a pandemia provocada pelo novo coronavírus para ofertar empréstimos volumosos, mesmo sem equalização das taxas de juros. Para compra de maquinário, as liberações para pequenos, médios e grandes produtores no período somaram R$ 4,5 bilhões, ou 51% a mais que no segundo semestre de 2019, quando os desembolsos somaram R$ 3 bilhões. Apesar deste aumento, a principal linha do banco para o agronegócio esgotou-se rapidamente na atual temporada. Os R$ 2,5 bilhões de sua linha própria similar ao Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) terminaram antes do período vigente.

“É muito ruim ter no agro só um ou dois bancos. É bom ter mais, pois conseguimos diluir o risco, desenvolver melhor as soluções e chegar a mais mercado”, afirmou o vice-presidente de Agronegócios do BB, João Rabelo, que ainda reclamou dos custos para operar com o setor em relação a uma taxa básica de juros (Selic) em mínima histórica.

Com a limitação das linhas de crédito rural no Brasil, os consórcios crescem nas lacunas deixadas pelos bancos. Segundo a Associação Brasileira dos Administradores de Consórcios (ABAC), o número de participantes ativos chegou a 126,71 mil em dezembro de 2020, alta de 8,38% em relação ao ano anterior. Se levado em consideração os últimos cinco anos, o crescimento foi de 82,3%.

text

Fonte: ABAC

Para o presidente-executivo da associação, Paulo Roberto Rossi, as linhas de financiamento têm limite para liberação dos volumes, além de custos mais altos. Na modalidade consórcio não há limitação, sendo os custos mais baixos, competitivos com outras formas de empréstimo. Segundo ele, a utilização de créditos apresenta procura de acordo com as necessidades dos usuários. A decisão de qual utilizar depende unicamente da necessidade e do planejamento feito pelo produtor rural, que opta pelo mecanismo mais adequado ao seu momento.

"O destaque fica para o planejamento que leva o produtor a considerar também a redução de custos, maior lucratividade e ampliação da produtividade, gerando mais competitividade para quem comercializa no mercado interno ou exporta. Aderir ao consórcio para a compra de bens é uma decisão planejada. Isso significa que as decisões de compra não são tomadas quando há urgência na aquisição do equipamento, o que acarreta custos maiores. Decidir antecipadamente, visualizando o futuro, reduz custos", explica.

Os bons números das contratações de crédito rural chamaram a atenção do Consórcio Magalu, que pertence ao Magazine Luiza (MGLU3). Em um cenário de linhas restritas, a empresa começou a oferecer cartas de crédito para os produtores rurais adquirirem máquinas agrícolas por meio de suas 1,3 mil lojas espalhadas pelo país, além de forte atuação em seus canais digitais. Em 2020, a companhia dobrou o número de gestores dedicados ao setor e a área de consórcios para máquinas e caminhões cresceu 152% em relação ao ano anterior. Além disso, a varejista decidiu elevar a faixa de crédito para R$ 120 mil a R$ 300 mil por cota, contemplando mais facilmente os valores das máquinas agrícolas, já que cada produtor pode comprar até três cotas, somando R$ 900 mil se contemplado em todas.

"Vimos a necessidade de o setor adquirir seu maquinário sem os juros do financiamento, com segurança e liberdade de escolha do cliente. Hoje, o produtor tendo acesso ao seu maquinário com custo menor, toda cadeia em sua volta se movimenta. O consórcio não tem juros e sim uma taxa de administração, que é diluída durante todo o seu plano, o que torna uma forma bem mais viável do produtor rural se programar e expandir seu negócio", explica o diretor operacional do Magazine Luiza, Alexandre Luis dos Santos.

Na avaliação de Santos, a dependência dos bancos para o produtor rural será menor no futuro, já que ele terá mais uma alternativa de financiamento à disposição. Com isso, a estimativa do Magazine Luiza é de crescimento ainda maior em 2021. Além dos créditos do agro, a empresa também deseja expandir em todos os segmentos, uma vez que o consórcio possibilita inúmeras oportunidades para o cliente.

"Ele pode conquistar desde sua casa própria, carro, moto, móveis, eletros, maquinários agrícolas e náuticos e até realizar uma festa de casamento, fazer uma viagem, cirurgia estética e muito mais. O nosso posicionamento atual é 'Consórcio É Pra Tudo' porque entendemos e possibilitamos que cliente realize seu sonho, seja ele qual for, com segurança, credibilidade e valores acessíveis dentro da sua realidade", finaliza.

click aqui para falar com um especialista

Relacionados:

► Setor agropecuário tem maior geração de emprego formal desde 2011, segundo CNA► Ministra da Agricultura confirma grande expectativa para safra de grãos no Brasil em 2021

Leia mais: