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Educação e conhecimento financeiro fazem brasileiros ficarem mais seguros nos seus investimentos

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Educação e conhecimento financeiro fazem brasileiros ficarem mais seguros nos seus investimentos Pixabay
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As incertezas provocadas pela pandemia da Covid-19 fizeram diversos setores da economia entrarem em recessão em 2020. Apesar disso, os investimentos realizados por brasileiros cresceram 13,4%, maior percentual da série histórica iniciada em 2014. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontam que o volume financeiro acumulado pelas pessoas físicas chegou a R$ 3,7 trilhões no ano passado. Em dezembro, o número destes investidores na bolsa de valores subiu 1,7% na comparação com novembro, fechando o mês em 3,2 milhões de CPFs. Em comparação a 2019, o número disparou 93%. Os resultados robustos colocaram, por exemplo, o país na 11ª posição entre as maiores indústrias de fundos do mundo, de acordo com a Associação Internacional de Fundos de Investimento (IIFA).

Em estudo divulgado no fim do ano passado, a B3 traçou o perfil dos mais de 2 milhões de pessoas que iniciaram sua jornada de investimentos na bolsa de valores entre abril de 2019 e abril de 2020. O perfil da nova safra é jovem (média de 32 anos), sem filhos (60%), com renda mensal de até R$ 5 mil (56%) e com trabalho em tempo integral (62%). Apesar da maioria (74%) ainda ser formada por homens, o número de mulheres (26%) investindo na bolsa saltou de 179.392, em 2018, para 809.533 em 2020. Uma das constatações no período de análise foi que o sobe e desce do mercado, que costuma ser associado à fuga de pequenos investidores, teve impacto menor nessa nova safra. Dentre as pessoas ouvidas para o estudo, 64% afirmam que resgatariam os valores aplicados na bolsa apenas se precisassem do dinheiro. A queda na rentabilidade dos ativos seria o motivo para sacar o valor para apenas 28% dos entrevistados.

O diretor de Relacionamento com Clientes-Pessoa Física da B3, Felipe Paiva, avalia que a educação e conhecimento financeiro proporcionaram a mudança deste comportamento, já que a decisão de resgatar os investimentos fica muito mais atrelada à liquidez (eu preciso do dinheiro agora para alguma emergência) do que à volatilidade (vou resgatar porque o mercado está em baixa).

“A educação e a busca por mais informações sobre os produtos levam à diversificação, o conhecimento do investidor sobre o perfil dele e do seu apetite para o risco. Esse dado de manutenção das posições e contas mesmo nos períodos mais críticos de volatilidade comprova que não é uma questão pontual. É uma mudança de mentalidade que está se consolidando entre os jovens brasileiros e, por isso, uma mudança geracional na forma de investir no país”, destaca.

A mudança de paradigma do investidor brasileiro se deve à democratização do acesso a conteúdos específicos que não existiam anteriormente. Segundo a B3, 73% dos entrevistados obtêm informações sobre aplicações na internet e 60% o fazem por meio de influenciadores digitais. Ainda que sejam uma das fontes prioritárias para informação, somente 32% afirmam que tomam decisões de investimento baseadas em recomendações de Youtubers.

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Fonte: B3

Na pesquisa, a maioria dos investidores (73%) ressalta que suas decisões de investimento são feitas por conta própria, a partir de conclusões obtidas depois da análise de diversas fontes. Diante do leque amplo de informações disponíveis, Paiva pontua que é "essencial que as pessoas estejam cada vez mais atentas não só à qualidade dos dados como, também, à credibilidade, reputação e histórico de suas fontes". Ele lembra que instituições financeiras como bancos e corretoras autorizados a operar pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) oferecem conteúdo para educação e orientação dos investidores.

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Fonte: B3

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Segurança nos investimentos

O head B2B da Xpeed School (escola de finanças e investimentos da XP) e especialista em investimentos pela Anbima, Gustavo Pitta, acrescenta que o número de investidores no país subiu muito em função do cenário de juros baixos (o menor patamar da série histórica), o que levou as pessoas a buscarem alternativas mais rentáveis para realização de aplicações financeiras. Somado a isso, Pitta afirma que o acesso à informação no meio digital tem um papel de destaque neste movimento, uma vez que possibilita uma série de conteúdos especializados que auxiliam e dão maior segurança nas tomadas de decisões.

"O Brasil tem uma lacuna de educação financeira enorme, que aos poucos vem sendo preenchida. A partir do conhecimento, as pessoas se sentem seguras em buscar outras alternativas. O conteúdo online e o ensino pelo meio digital contribuem para este movimento. Nós vemos hoje uma oferta muito grande de materiais sobre finanças pessoais e investimentos sendo entregue através de lives e influenciadores. Com certeza, a gente consegue atrelar esse crescimento ao maior acesso à informação por meio desses canais", explica.

Pitta pontua ainda que até pouco tempo não existia a possibilidade de uma pessoa em um estado remoto ter acesso a grandes analistas e gestores, que, muitas vezes, estão concentrados no eixo Rio-São Paulo. Através do acesso online, diz, é possível encontrar relatórios confiáveis de renomados especialistas, casas de análises e corretoras de todo o mundo.

"Esperamos para 2021 um ano ainda desafiador por causa da pandemia da Covid-19 e as medidas restritivas. Entendemos que o movimento digital passou por um processo de aceleração muito grande no ano passado. O digital já tinha chegado com muita força e agora ele veio para ficar com certeza. Eu acho que o sistema de ensino híbrido deve ganhar muita força daqui para frente e se tornará o novo normal da educação", finaliza.

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