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Sucesso do Clubhouse aponta um futuro com cada vez menos telas e comandado pela voz

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Sucesso do Clubhouse aponta um futuro com cada vez menos telas e comandado pela voz Getty Images
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Usuários separados por salas em que podem falar (quase) livremente. Uma rede social em que o que vale não é o número de amigos nem as fotos da festa do último fim de semana. O único apelo é a conversa. A ideia nos leva de volta para os primórdios da internet, com as salas de bate-papo e os debates livres, mas a descrição é do aplicativo Clubhouse. Lançado no ano passado, o aplicativo para iOS (iPhone) chegou com força no mundo corporativo e das celebridades no último fim de semana e pode significar o (re)começo de uma era.

O serviço foi criado por Rohan Seth, ex-funcionário do Google, e pelo engenheiro industrial Paul Davidson. No blog oficial da companhia, os fundadores contam que se conheceram em 2011 por meio de um amigo em comum e testaram diferentes ideias até chegarem ao modelo atual do aplicativo. Há um mês o aplicativo contava com dois milhões de usuários. Atualmente, especialistas estimam que esse número tenha chegado a seis milhões. E, como tudo que viraliza na internet, os números crescem exponencialmente.

Um dos grandes responsáveis pelo impulso que a rede teve nos últimos dias foi o bilionário Elon Musk (sempre ele). Ele entrou ao vivo em uma sala para conversar com Vlad Tenev, CEO do aplicativo de investimento Robinhood, que suspendeu limites para negociações das ações da GameStop na plataforma (entenda a história da GameStop aqui). No dia seguinte à participação de Musk, a rede ganhou 1 milhão de novos usuários.

Debate

A rede social reúne diversas salas de bate-papo com uma duração pré-determinada. Não há fotos ou vídeos, a não ser imagens da foto de perfil do usuário. Os ambientes podem ser definidos por temas ou serem livres. Quando entra em uma sala, o usuário já tem o seu microfone automaticamente ligado e o criador da sala, que é também o moderador, decide quem vai poder falar ou quem vai estar lá só para ouvir. É possível, com um emoji de mão levantada, pedir a palavra. Qualquer usuário pode entrar em qualquer sala e criar suas salas próprias. Podem ser alunos de um curso, ouvintes de uma palavra, amigos assistindo juntos a um jogo de futebol ou a um filme. Ou até um músico profissional fazendo um show privado. A única limitação é o limite de cinco mil ouvintes em cada sala. Além disso, não há opção de gravar as conversas, que não ficam armazenadas dentro da plataforma.

Em entrevista para a Forbes Brasil, Tiago Alves, CEO da Regus, disse que a ferramenta tem a capacidade de revolucionar a comunicação online.

”O Clubhouse favorece o ecossistema, não o egossistema. Quem entrar no aplicativo e ficar palestrando sozinho sem se preocupar com os ouvintes vai perder audiência. As salas que mais têm adesão são as que têm muitos speakers, diz Tiago Alves.

Marco Aurélio Machado, diretor de Soluções Digitais e Sistemas da empresa de contact center AeC, acredita que a tecnologia vai se desenvolver cada vez menos nas telas e cada vez mais nos comandos de voz.

“Nada mais natural para o ser humano do que interagir por voz. Quando a gente é criança a gente aprende a falar, a gente não aprende a digitar e ler. Então, resgatar essa comunicação intuitiva é natural para o ser humano e isso justifica em parte o que a gente tá vendo agora de uma explosão no consumo de devices acionados por voz. Um dado relevante é que 40% das buscas no Google já são feitas por voz e a gente vem observando agora o surgimento do voice commerce, que são as empresas que estão trabalhando estratégias para realmente fazer venda por dispositivo de áudio”, diz Machado.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, em conversa com a Forbes, aponta as fragilidades em segurança que chegam junto com as novas tecnologias. Sobre o Clubhouse, ele alerta para o risco de golpes e vazamento de informações sensíveis.

”Por ser um aplicativo tão exclusivo, muitas pessoas já estão se movimentando nas redes sociais pedindo convites. Com isso, há a possibilidade de golpes por SMS ou Whatsapp fingindo uma possível aprovação na plataforma. Além disso, o conteúdo não fica arquivado, mas pessoas podem gravar e vazar informações”, destaca Igreja.

Na China, os usuários começaram a relatar instabilidade no fim da semana passada e, já no domingo, o aplicativo foi banido. No país, redes sociais ocidentais, como Twitter, Facebook e Youtube, já são bloqueadas e, como não havia sanção contra o Clubhouse, o aplicativo estava sendo usado para tratar temas que incomodam a ditadura chinesa, como a independência de Taiwan e a Lei de Segurança Nacional de Hong Kong.

Como entrar

Atualmente, o aplicativo só está disponível no iOS (apenas para usuários de iPhone). Também só dá pra entrar com o convite de alguém que já esteja na rede.

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