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Ações da Petrobras e outras estatais despencam com cenário de intervenção do governo

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Ações da Petrobras e outras estatais despencam com cenário de intervenção do governo Jorge Araújo | Folhapress
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Na manhã desta segunda-feira (22), as ações da Petrobras (PETR4) despencavam em decorrência da intervenção do governo federal no comando da estatal e uma série de rebaixamentos na recomendação da compra dos papéis da petroleira por parte de casas de investimento e grandes bancos.

Por volta das 10h20, as ações ordinárias e preferenciais caíam, respectivamente, 16,51% e 16,17% (negociadas a R$ 22,53 e R$ 22,98), enquanto o ADR (NYSE:PBR) na bolsa de Nova York recuava 18% (a R$ 8,23).

Minutos antes da abertura da B3, o presidente Jair Bolsonaro questionou, em conversa com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada: "O petróleo é nosso? Ou é de um pequeno grupo no Brasil?"

Bolsonaro voltou a criticar a política de definição de preços da Petrobras, reclamou do trabalho feito pelo ex-presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e afirmou que a Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que, em estado de calamidade, a companhia deve "olhar para outros objetivos".

"Não consigo entender num prazo de duas semanas ter reajuste em 15% [no diesel]", disse. "Não foi esta a variação do dólar aqui dentro e do barril lá fora, tem coisa que tem que ser explicada. Eu não peço, eu exijo transparência de quem é subordinado meu, a Petrobras não é diferente", declarou o presidente da República.

Em relatório divulgado pela XP Investimentos, no final de semana, a corretora rebaixou a classificação das ações de Neutra para Venda, apontando que "não há mais como defender a estatal pelos riscos de que as incertezas para a política de preços de combustíveis impliquem numa menor correlação das ações em relação aos preços do petróleo daqui para frente".

Outras estatais têm reflexos negativos

O noticiário recorda que, em janeiro passado, o presidente Jair Bolsonaro tomou a decisão de afastar o presidente do Banco do Brasil (BBAS3), André Brandão, após a instituição financeira anunciar cortes de funcionários e fechamento de agências. Neste episódio, o ministro Paulo Guedes (Economia) conseguiu segurar a intervenção do governo no banco. No entanto, não conseguiu reverter a decisão de agora com o caso da Petrobras.

Nesta manhã, as ações da Eletrobras (ELET3), do Banco do Brasil (BBAS3), entre outras estatais brasileiras, também caíam com receios de que a interferência do governo no comando da Petrobras (PETR4) possa seguir para outras estatais.

Por volta das 11h25, os papéis preferenciais da Eletrobras desvalorizavam 5,26%, a R$ 27,72, enquanto os do Banco do Brasil recuavam 9,29%, chegando a R$ 29,36.

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