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Marcas esportivas brasileiras se reorganizam em meio a presença de gigantes estrangeiras

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Marcas esportivas brasileiras se reorganizam em meio a presença de gigantes estrangeiras Divulgação / Clube Curitibano
► Rede NWB é comprada pelo Grupo SBF por R$ 60 milhões ► Adidas anuncia intenção de vender a Reebok

O mercado de produtos esportivos no país é concentrado nas mãos de duas grandes marcas internacionais: Adidas e Nike. No último ano, o setor foi marcado pela movimentação das grandes empresas e pelos impactos causados pela pandemia, que fizeram com que alguns grupos realizassem aquisições e vendas.

Um exemplo disso foi o anúncio feito pela Adidas de que pretende vender a Rebook. A empresa alemã trata essa negociação como um processo formal de desinvestimento, parte de um plano de recuperação de cinco anos. Atualmente, a Reebok está avaliada em cerca de US$ 970 milhões.

A Adidas comprou a Reebok em 2005, quando a marca estava valorizada devido aos negócios firmados com as duas ligas esportivas de mais destaque nos EUA, a National Basketball Association (NBA) e a National Football League (NFL).

Outra mudança no seguimento é por parte da Vulcabras (VULC3), que vem buscando cada vez mais focar seus negócios no esporte. Isso foi evidenciado com o licenciamento da marca Azaleia à Grendene (GRND3) para produção e venda de calçados femininos.

“Licenciamos a Azaleia para nos dedicarmos totalmente ao desenvolvimento do mercado de esportivos, uma vez que o mercado feminino não estava mais em sinergia com nossa estratégia", diz Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras.

Além disso, outra medida que mostra o foco da companhia, diz respeito a aquisição da Mizuno. A empresa pagou R$ 200 milhões para Alpargatas (ALPA4), e agora conta em seu portfólio com o licenciamento dos produtos da Under Armour e também da Olympikus.

“Há tempos, Vulcabras vem investindo no esporte e com as aquisições da Under Armour, e agora, da Mizuno fica com um portfólio de marcas bastante completo, que terá dedicação total das suas modernas fábricas e do seu Centro de Desenvolvimento e Tecnologia, o maior da América Latina", disse Bartelle.

No primeiro semestre do ano passado, os calçados esportivos representaram 51,3% das vendas da companhia. No período, a receita líquida foi de R$ 337,3 milhões, baixa de 46,2% na comparação com o resultado de 2019. O grupo espera que a aquisição da Mizuno impulsione os números, já que a marca japonesa teve um faturamento de R$ 444 milhões no Brasil, em 2019.

Marcas brasileiras

Com o passar dos anos e o fortalecimento de marcas internacionais no país, famosas empresas brasileiras de artigos esportivos foram perdendo espaço e recorrendo a novos projetos para conseguir sobreviver.

Algumas das marcas nacionais recorreram a voltar seu foco para modalidades diferentes e outras se reinventaram para não perder o seu market share (fração do mercado controlada pela empresa).

As principais produtoras de artigos esportivos decidiram patrocinar confederações, federações, torneios e outras modalidades, conseguindo assim se manter em destaque no cenário esportivo brasileiro.

Topper e Rainha

A Topper e a Rainha , que até 2015 eram da Alpargatas, foram compradas pelo valor de R$ 48,7 milhões por um grupo de investidores liderados pelo empresário Carlos Wizard.

Com isso, as marcas passaram por mudanças e se moldaram para encontrar seu espaço no seguimento desportivo. A Rainha, que foi criada em 1934, está buscando explorar sua origem, apostando na versatilidade. Atualmente, a empresa concentra sua produção nos esportes de salão: basquete, vôlei, handebol e futsal, além do atletismo.

Por sua vez, a Topper, que sempre concentrou suas ações nos patrocínios em grandes clubes de futebol, hoje em dia volta seu foco patrocinando as divisões de acesso do futebol brasileiro, a Confederação Brasileira de Rugby, as federações estaduais de futebol e a Copa do Nordeste.

Nos dias atuais, a Topper também concentra sua produção de artigos para diferentes modalidades. Um detalhe é que, mesmo com as mudanças, a empresa ainda patrocina três clubes brasileiros: o Íbis (PB), Pouso Alegre (MG) e o Guarani (SP).

Penalty

A Penalty, criada em 1970, pertence à empresa Cambuci (CAMB3) e atua em várias modalidades esportivas. A marca fabrica produtos e artigos para modalidades como: futebol, vôlei, basquete, handball e futsal.

A empresa também se reinventou após a entrada dos grandes grupos estrangeiros no Brasil. Atualmente, a marca está focada no Futsal, chegando a patrocinar até equipes estrangeiras. Além disso, a Penalty viu na arbitragem uma grande possibilidade de continuar divulgando seu produto, patrocinando os árbitros da Conmebol e da CBF. Outra medida adotada foi a de estampar sua marca em várias confederações, federações e ligas, nacionais e internacionais.

Centauro

Um destaque nacional nesse seguimento tem sido a Centauro, que vem fazendo investimentos para se fortalecer no mercado. A empresa , além de ter exclusividade nos produtos da Nike, após a compra do Grupo SBF das operações da Nike Brasil por R$ 900 milhões, expandiu seu público com a aquisição da rede de canais de mídia digital NWB.

Além desse investimento, o Grupo SBF também adquiriu a rede de canais Network Brasil (NWB), detentora da rede de canais que produzem conteúdos esportivos para mídias digitais. A compra girou em torno de R$ 60 milhões.

“A transação marca a entrada da companhia no universo do conteúdo e do entretenimento, dando acesso a novas expertises que vão aprofundar a relação do grupo e suas empresas com toda a audiência do esporte”, afirmou o Grupo SBF.

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