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Pandemia acelera uso de tecnologias de comando por voz e abre caminho para o voice commerce

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Pandemia acelera uso de tecnologias de comando por voz e abre caminho para o voice commerce Getty Images
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Durante a pandemia, o número de usuários de assistentes por voz aumentou 47% no Brasil. A estimativa está em pesquisa realizada pela Ilumeo, consultoria de Data Science brasileira. Ainda de acordo com o levantamento, 66% dos entrevistados responderam que gostariam de usar mais dispositivos com assistentes virtuais a curto prazo.

No mundo corporativo, a necessidade de distanciamento e os protocolos sanitários catalisaram alguns processos internos. A AeC, empresa de tecnologia e outsourcing, já usava o recurso de comandos por voz, mas passou a aplicá-lo para validar a entrada no sistema de funcionários em home office.

”Com a pandemia, a gente começou a não querer tocar nas coisas, o que intensificou ainda mais o desenvolvimento de tecnologias por comando de voz. Além do screenless, o touchless. Daqui para frente a gente vai começar a ver cada vez mais esse uso, tanto no ambiente doméstico quanto no corporativo”, diz o diretor de Soluções Digitais da AeC, Marco Aurélio Machado.

A tecnologia por voz abre possibilidades infinitas. Uma delas é para o varejo. A prática já tem até nome: voice commerce. De acordo com dados apresentados durante o Global Retail Show, maior evento de varejo e consumo do mundo, realizado em setembro do ano passado, a expectativa é que, até 2025, 300 milhões de pessoas no mundo usem sistemas de voz para fazer compras.

Segundo a consultoria norte-americana Gartner, os pioneiros a usar voz no e-commerce podem aumentar o faturamento em até 30%, se comparados aos que não usam a funcionalidade.

Experiências

No começo deste ano, a rede de pizzarias Domino’s lançou no Brasil a opção de pedidos por voz. A primeira fase do projeto permite fazer pedidos dos sabores mais populares (calabresa, pepperoni e frango com requeijão) usando os aplicativos Google Assistant e Alexa ou smartspeakers compatíveis com essas duas funcionalidades.

Segundo a empresa, a possibilidade do pedido por comando de voz foi a evolução das inovações que a marca já vinha desenvolvendo no contato com os clientes, como pedidos via Whatsapp e até a criação de um aplicativo próprio. Para o lançamento do novo serviço, a empresa contratou a cantora Jojo Todynho, que empresa sua voz para ser a interface da ferramenta.

”Os assistentes de voz tornam o contato com o cliente muito mais próximo. A tecnologia é um dos principais pilares da Domino’s e seguimos atentos às transformações da sociedade para oferecer ao nosso público experiências cada vez mais interessantes”, explica, em nota, Flávia Molina, CMO da rede.

Quem também começa a se aventurar neste universo é a Natura. Pelo Google Assistant ou via Alexa (tem de ser assinante Amazon Prime), o usuário pode buscar produtos, colocar no carrinho e finalizar a compra, com o pagamento via boleto bancário. A intenção da marca de cosméticos é expandir a funcionalidade para outros países onde mantém operação.

”A experiência de comércio por voz ainda é uma ferramenta muito nova, tanto para empresas, quanto para consumidores. Por isso, nosso foco é seguir ampliando a utilização em nosso negócio, seja acelerando outros caminhos, seja pela criação de novos serviços e experiências para toda a nossa rede e seus diferentes públicos”, diz Agenor Leão, vice-presidente da plataforma de negócios da Natura.

Em setembro do ano passado, a Riachuelo e a Midway, braço financeiro do grupo Guararapes (GUAR3), lançaram uma skill na Alexa que permite, via comando de voz, consultar transações, informações sobre seguros, locais para pagamento de faturas e o status de pedidos feitos pelo e-commerce.

No Brasil, a Amazon já oferece algumas funcionalidades por voz, como fazer uma lista de compras no formato de lembretes e até efetivar uma compra, que precisa ser confirmada no site da Amazon Prime.

"O acúmulo desses dados é algo que a Amazon faz se baseando na navegação por voz ou por texto, e a inteligência artificial refina a experiência a partir do uso de várias pessoas ao redor do mundo. Um detalhe para o sucesso é permitir que pessoas com diferentes sotaques e idades consigam facilmente utilizar assistentes como a Alexa", disse Ricardo Garrido, gerente geral da Alexa na Amazon, durante painel no Global Retail Show de 2020.

Inclusão

Um dos desafios dessa tecnologia é a inclusão. Ronaldo Tenório, presidente da startup Hand Talks, voltado para pessoas com deficiência auditiva, lembra que os assistentes de voz precisam considerar que nem todas as pessoas oralizadas têm o mesmo entendimento da fonética e que é preciso pensar ferramentas para a inclusão.

”Sites mais acessíveis são melhores posicionados na busca do Google, assim o varejista passa ter mais chance de alcançar um número maior de pessoas, seja ela deficiente ou não”, disse Tenório, durante painel do Global Retail Show.

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