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Pesquisas voltadas para área da saúde atraem maior interesse de financiadores durante pandemia

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Pesquisas voltadas para área da saúde atraem maior interesse de financiadores durante pandemia Freepik
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A pandemia trouxe mudanças para toda a sociedade e as instituições de ensino foram obrigadas a se reinventar com aulas em formato remoto. Além disso, as universidades tiveram de se adaptar também em relação à produção científica.

Com o isolamento social alguns estudos tiveram que ser interrompidos, outros foram mudados e alguns seguiram acontecendo segundo as medidas sanitárias e de segurança que haviam sido estabelecidas. Outro problema enfrentado pela ciência, foram os vários cortes feitos em investimentos destinados para estudos científicos no país.

Segundo a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai sofrer uma redução de 8,3% em seus recursos, no atual ano, contando, com apenas R$ 22 milhões para fomento à pesquisa. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) vai ter um corte de R$ 1,2 bilhões em seu orçamento de 2021. O cenário fica ainda mais grave em relação ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) que terá redução de R$ 4,8 bilhões. Ainda neste ano, o Governo Federal estipulou um corte de 34% na verba anual do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Essas baixas são prejudiciais nesse momento em que se faz tão importante o papel da ciência. Pesquisadores, por todo o mundo, estão trabalhando para contribuir no combate à Covid-19.

O professor e coordenador de pesquisas da PUC Minas, na unidade São Gabriel, Wanderley Novato, explica que os estudos voltados para áreas que visam auxiliar no enfrentamento a pandemia do coronavírus, neste momento, tiveram maior interesse por parte dos pesquisadores e dos financiadores.

“Como professor e pesquisador, no entanto, estou em contato com pessoas dessa área em várias instituições, e posso dizer que, se você pergunta sobre pesquisas que foram iniciadas após o início da pandemia, é normal que o interesse tanto dos pesquisadores quanto dos financiadores seja deslocado para a resolução de problemas ligados a essa urgência. Seria estranho se isso não acontecesse,” explica o coordenador de pesquisas.

Os estudiosos vêm enfrentando outros desafios para a realização de seus trabalhos. As medidas que foram adotadas no período interfiram diretamente em alguns projetos acadêmicos. Os responsáveis tiveram de se adequar à nova realidade. Pesquisas que envolviam um grande número de pessoas foram as mais atingidas.

“Algumas pesquisas foram interrompidas em algum momento, mas puderam ser retomadas atendendo a vários protocolos sanitários. Alguns pesquisadores tiveram que adaptar sua metodologia às novas condições de distanciamento social, outros adiaram o início das suas investigações, alguns abandonaram temporariamente suas linhas de pesquisa para se dedicarem a pesquisar algo mais urgente, como testes para identificar o coronavírus”, afirma o professor.

As instituições privadas com o passar dos anos vêm apresentando crescimento em sua participação na produção científica do país, que ainda é dominada com folga pelas universidades públicas.

Segundo o último Ranking de Universidades, divulgado pela Folha de São Paulo, em 2019, no quesito pesquisa científica, entre as 100 primeiras universidades, 75 são públicas e apenas 25 particulares.

Um ponto que evidencia esse crescimento nas universidades privadas é a atenção e organização que vem sendo dadas a ciência. O coordenador de pesquisas da PUC Minas explica que cada projeto foi observado e analisado visando que as melhores ações fossem adotadas para que os estudos não fossem comprometidos.

“Alguns alunos da PUC Minas envolvidos em algumas formas de pesquisa, como TCCs, por exemplo, tiveram que fazer entrevistas à distância. Na pós-graduação algumas pesquisas foram interrompidas para serem retomadas quando a situação apresentasse melhoras. Mas existem casos, nas Ciências Biológicas, por exemplo, em que as pesquisas não podem ser interrompidas e isso levou os pesquisadores a trabalharem em condições extremamente delicadas, para que todo o trabalho feito no período anterior ao início da pandemia não fosse perdido”, relata Wanderley Novato.

Neste período, foi possível observar que as pesquisas se reformularam e tiveram mais destaque. Um exemplo pode ser notado na produção das vacinas, que em um curto espaço de tempo já estavam sendo fabricadas, testadas e atualmente aplicadas em massa na população em todo o mundo.

Além dos estudos voltados para saúde, projetos ligados a outros seguimentos, tão importantes quanto, ganharam espaço. Segundo Wanderley, é importante que as pessoas entendam que as pesquisas visam o desenvolvimento e o bem-estar social e que para elas se fortalecerem é preciso de apoio e recursos financeiros.

O professor encerra sua fala afirmando que espera uma mudança de visão da sociedade em relação à pesquisa científica. Ele defende que a valorização desse trabalho pode fortalecer vários setores do país.

“Eu realmente espero é que a importância da pesquisa científica para a sociedade tenha ficado mais evidente, porque o que todos esperamos agora são formas de prevenção ou cura dessa doença, e isso só poderá vir através da pesquisa científica. Um país que privilegia a pesquisa terá sempre mais condições para encontrar soluções para os problemas que enfrenta. Por isso, no Brasil, precisamos de muito mais pesquisas, e de qualidade, porque embora a saúde seja sempre uma preocupação importante, precisamos também de pesquisa sobre transportes, mobilidade urbana, construção civil, psicologia, gestão, direito e muitos outros campos”, completa Novato.

Podcast +Q1Minuto

Segundo o Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, as companhias do setor de Saúde tendem a não sofrerem tanto com os impactos durante crises econômicas. E, no caso da pandemia do coronavírus, muitas companhias que atuam no seguimento tiveram uma alta valorização devido ao aumento pela demanda.

Aprenda mais sobre como aproveitar o crescimento perene de empresas que atuam na área da Saúde ouvindo o episódio do podcast +Q1Minuto sobre o assunto. O Sócio e Economista da VLG Investimentos, Leonardo Milane, mergulha no tema e explica de forma mais ampla como os investidores podem se orientar na escolha de papéis que tornem a carteira de ativos mais resistente ao sobe e desce da bolsa de valores.

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