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Inflação de alimentos e queda na renda provocam migração para “atacarejos”

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Inflação de alimentos e queda na renda provocam migração para “atacarejos” Assaí | Divulgação
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Por ser um serviço essencial, os supermercados seguiram funcionando durante a pandemia, que completou um ano este mês. Em 2020, o setor registrou aumento de 9,36% nas vendas, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Para 2021, de acordo com a entidade, a expectativa é de crescer 4,5%. O perfil das vendas e os hábitos dos consumidores, no entanto, refletem a redução do poder de compra da população com a alta consistente nos preços dos alimentos. O resultado são o crescimento dos produtos de marca própria (geralmente mais baratos) e o crescimento dos atacarejos – chamados pelo setor de mercados de autosserviço -, em que é possível comprar quantidades maiores de cada item por preços mais baixos.

Já nos últimos meses de 2020, com a interrupção nos pagamentos do auxílio emergencial, o setor começou a perder fôlego. Embora tenha registrado em janeiro um crescimento real (descontada a inflação) de 12% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma queda de 18,45% na comparação com dezembro.

Pelo lado dos preços, nos últimos 12 meses, o Abrasmercado – cesta composta pelos 35 produtos mais vendidos nos supermercados – acumulou uma alta de 24,40%. Apenas em janeiro, a alta foi de 0,22%, em linha com os índices oficiais da inflação IPCA (0,25%) e IPCA Alimentos (1,02%).

A combinação entre inflação dos alimentos, restrições de circulação e corte de gastos por parte dos consumidores deve impulsionar ainda mais os atacarejos, que vêm em crescimento constante desde 2015. Uma das principais características deste tipo de estabelecimento é venda em escala: quanto mais de um mesmo produto você leva, menos você paga por cada unidade.

”É um canal que tem vantagem competitiva. Não é só ser barato. O diferencial tem a ver com a relação de custo-benefício da compra”, diz Roberto Butragueño, diretor de atendimento ao varejo da Nielsen, empresa que compila dados do setor.

Em relatório sobre a recuperação do varejo publicado em dezembro, a agência de classificação de risco Fitch Ratings aponta que, para 2021 é esperada uma normalização no consumo de alimentos, “com o segmento de atacarejo sendo o principal foco de expansão das grandes redes”. Em seus balanços mais recentes, os grupos Carrefour e Pão de Açúcar (GPA) já apontaram um crescimento do segmento. No terceiro trimestre do ano passado, as vendas do Atacadão, controlado pelo grupo Carrefour, cresceram 15% ante o trimestre anterior, enquanto no braço do varejo a queda foi 4,75%. No GPA, a receita bruta do atacarejo Assaí subiu 12%, enquanto nas lojas Pão de Açúcar e Extra houve queda de 10% no terceiro trimestre.

O movimento observado é similar ao do período da crise de 2015 a 2017, quando a recessão provocou uma migração para os atacarejos, que viraram foco de expansão do varejo, como nos casos das redes Assaí (GPA) e Atacadão (Carrefour).

Marcas próprias

Outro fenômeno característico dos tempos de crise são as marcas próprias. Já no começo da pandemia, em março do ano passado, houve um aumento de 74,6% nas vendas deste tipo de produto, apenas na semana entre os dias 9 e 15 de março, segundo relatório da Nielsen.

Ao longo do ano passado, as vendas totais de produtos de marca própria avançaram 5,9% no Brasil. De acordo com a NielsenIQ, relatório com perspectivas para o segmento em toda a América Latina, a perspectiva é de novos produtos com marcas próprias, inclusive com produtos ‘premium’.

”Adicionalmente, será reforçada a promessa de valor e inserção em segmentos mais premium, destacando-se que a marca própria não se baseia apenas em preços baixos. Além disso, haverá um foco maior nos produtos da cesta básica e na comunicação sobre a origem da marca”, destacou relatório da NielsenIQ.

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