clique para ir para a página principal

Queiroga pede por "união da nação" e diz que sozinho não fará mágica no combate à Covid-19

Atualizado em -

Queiroga pede por "união da nação" e diz que sozinho não fará mágica no combate à Covid-19 Geraldo Magela/Agência Senado
► Bolsonaro escolhe médico Marcelo Queiroga como ministro da Saúde► Treze países europeus interrompem uso da vacina AstraZeneca após relatos de pacientes com coágulo

Escolhido para substituir o general Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga defendeu nesta terça-feira (16) uma "união da nação" contra a Covid-19, disse que quer trabalhar "em parceria" com secretários estaduais e municipais e ressaltou que sozinho não vai "fazer nenhuma mágica".

Queiroga falou sobre a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) no combate à pandemia, defendeu as “evidências científicas” na formulação de políticas para frear o avanço da Covid-19 e se mostrou favorável à adoção de medidas simples de prevenção, como o uso de máscaras e a higienização frequente das mãos.

"Fui convocado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde do Brasil. Sei a responsabilidade que tenho. Sei que sozinho não vou fazer nenhuma mágica e não vou resolver os problemas da saúde pública que temos. Mas tenho certeza que teremos ajuda dos brasileiros", disse Queiroga.

O ministro falou sobre a importância da vacinação transcorrer de "maneira eficiente" e disse que, no momento atual de segunda onda da Covid-19, é necessário melhorar a qualidade da assistência dos hospitais, sobretudo nas UTIs.

Queiroga e Pazuello passaram o dia tratando da transição dos trabalhos. O tom adotado por ambos, no entanto, é o de continuidade das políticas. O novo titular da pasta ressaltou que eventuais novas medidas serão adotadas com base na ciência.

"Já conversei com equipes do Ministério da Saúde para que possamos reforçar as medidas que já estão sendo colocadas em prática em todo o Brasil para termos novas contribuições baseadas com o melhor das evidências científicas", destacou, ao elogiar o fato de brasileiros publicarem em renomadas revistas científicas.

Astrazeneca

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, disse nesta terça-feira (16) que a decisão de alguns países europeus de suspender temporariamente o uso da vacina da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca deve ser vista com cautela. A vacina é fabricada no Brasil pela Fiocruz. Segundo Nísia, não há evidência de que o imunizante tenha elevado o risco de efeitos colaterais, conforme casos relatados no continente europeu.

Durante reunião virtual da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha as medidas de enfrentamento da Covid-19, Nísia disse que a suspensão faz parte dos procedimentos de cautela adotados na avaliação das vacinas.

“É importantíssimo dizer que faz parte da cautela essa avaliação de todas as vacinas. Nós, na Fiocruz, temos ampla experiência com esse tipo de farmacovigilância e frisamos que tanto a agência europeia EMA quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendaram a interrupção da vacinação”, ressaltou. “São cautelas dos países que, naturalmente, têm que ser não só respeitadas, mas observadas”, acrescentou.

A suspensão da vacina em países do continente europeu teve início após o relato de trombose venosa profunda e embolia pulmonar, na Dinamarca e na Áustria. Após esses casos, países como Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal suspenderam a aplicação do imunizante. Os países argumentam agir por precaução para verificar se os casos têm relação com a vacina. Apesar disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) defende a continuidade da aplicação da vacina.

Na reunião, Nísia explicou que 17 milhões de pessoas foram vacinadas na União Europeia e no Reino Unido, das quais 7 milhões com a vacina da Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca e que, até o momento, não há evidência de risco do surgimento de coágulos no sangue tenha aumentado.

Nísia disse ainda que foram registrados na Europa 15 eventos de trombose venosa profunda e 22 de embolia pulmonar. Testes adicionais também estão sendo conduzidos pela AstraZeneca e por autoridades de saúde europeias.

“Os eventos são em número menor do que seria observado na população ou em outros grupos que têm esses eventos independente da vacinação”, afirmou. “Nos ensaios clínicos [da vacina], o número de eventos tromboembólicos foi menor no grupo vacinado; e sem evidência de sangramento em mais de 60 mil participantes dos estudos”, acrescentou.

A presidente da Fiocruz ressaltou ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou um comunicado reforçando a eficácia da segurança da vacina. Ela também tratou da validade da vacina em relação à variante brasileira do coronavírus, a P.1 e ressaltou que há um estudo sendo desenvolvido entre a fundação e a Universidade de Oxford, na Inglaterra, para verificar se a atual vacina é eficaz contra essa variante.

Segundo Nísia, é importante reforçar a necessidade de vacinação no país. Ela afirmou que, caso a vacinação tivesse iniciado mais cedo, haveria uma probabilidade menor de aparecimentos dessas variantes do vírus.

“Quanto mais vacinarmos, menos risco de desenvolvimento de novas variantes, mais proteção nós teremos inclusive em relação a esse aspecto que é comum aos vírus”, disse.

Relacionados:

► Bolsonaro escolhe médico Marcelo Queiroga como ministro da Saúde► Treze países europeus interrompem uso da vacina AstraZeneca após relatos de pacientes com coágulo

Leia mais: