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Sebrae: Micro e pequenas empresas criaram 75% das vagas formais de emprego em janeiro

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Sebrae: Micro e pequenas empresas criaram 75% das vagas formais de emprego em janeiro Arquivo/ Agência Brasil
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O Sebrae divulgou nesta sexta-feira (19) que as micro e pequenas empresas (MPE) geraram, no último mês de janeiro, quase o dobro do número de empregos (aproximadamente 195,6 mil) criados pelo segmento no mesmo mês do ano passado (cerca de 103,9 mil). Com isso, pelo sétimo mês consecutivo, os pequenos negócios lideraram a geração de postos de trabalho no país. O saldo positivo alcançado pelas MPE correspondeu, em janeiro, a 75% de todos as 260,3 mil vagas criadas ao longo do mês. Já as Médias e Grandes Empresas (MGE) saíram de um saldo negativo, em 2020, de 2.887 postos de trabalho encerrados, para 41,6 mil novos empregos criados em janeiro (cerca de 16% do total).

Nos últimos 6 meses, os pequenos negócios apresentaram um saldo total de 1,1 milhão de novos empregos contra 385,5 mil novos postos de trabalho criados pelas MGE. No último mês de janeiro, os setores que mais contribuíram para os saldos positivos foram Serviços, Indústria de Transformação e Construção. Esses resultados valem tanto para as MPE quanto para as MGE. A divergência ocorreu no setor do Comércio. Enquanto as MPE apresentaram saldo positivo de 27,4 mil, as médias e grandes tiveram um saldo negativo de 21,3 mil vagas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comemorou a criação de 260,3 mil vagas no mercado de trabalho formal em janeiro e voltou a defender a vacinação em massa para assegurar a continuidade do processo de retomada da economia. Na avaliação do ministro, os dados do Caged e a alta de 1,04% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) são sinais de que a economia está em processo de retomada forte e acima das projeções.

Para o presidente do Sebrae, Carlos Melles, o resultado do Caged de janeiro e a performance dos pequenos negócios confirmam a força e a importância desse segmento para a economia brasileira.

“Em 2020, foram as micro e pequenas empresas que sustentaram o nível de emprego no país. Esse ano não deve ser diferente. Por isso é tão importante a continuidade do trabalho que o governo federal e o Congresso têm feito com o desenvolvimento de novas políticas públicas de apoio ao empreendedorismo”, comenta Melles.

Em janeiro deste ano, as cinco unidades da federação que proporcionalmente mais geraram empregos foram Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina, Roraima e Rio Grande do Norte. Todos esses estados geraram pelo menos 17 novos empregos a cada 1.000 postos de trabalho já existentes. Os estados que proporcionalmente menos geraram empregos foram São Paulo, Minas Gerais, Amapá, Rondônia, Rio de Janeiro e Amazonas. Tirando Amazonas, que apresentou saldo negativo, os demais geraram menos que sete novos empregos a cada 1.000 postos de trabalho existentes.

Emprego formal pode ter sido maior que o reportado no 2º e 3º trimestres de 2020

A redução do número de entrevistas realizadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), devido à pandemia do novo coronavírus, pode ter resultado em dados subestimados de emprego formal no segundo e terceiro trimestres de 2020. É o que revela um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada nesta sexta-feira (19). A análise estima que a razão entre empregos formais e população em idade ativa nos dados observados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenha sido menor em 0,85 e 0,69 pontos percentuais – no 2º e 3º trimestres, respectivamente – se comparados a um cenário em que a queda de entrevistados não alterasse a composição da amostra.

Para ter uma ideia aproximada do número de postos de trabalho formais representados pela diferença de 0,85 p.p, os autores do estudo multiplicaram esse número pela população em idade ativa registrada no segundo trimestre de 2020. Essa estimativa equivale a uma redução de cerca de 1,5 milhão de empregos formais motivada pela mudança na composição da amostra oriunda da redução de entrevistas realizadas com os grupos que seriam ouvidos na Pnad Contínua pela primeira ou pela segunda vez no segundo trimestre de 2020. A mesma aproximação foi realizada para o terceiro trimestre do ano passado e resultou em uma disparidade de 1,2 milhão de empregos formais.

A Pnad Contínua é feita trimestralmente pelo IBGE, que promove uma visita por trimestre a cada domicílio selecionado, por cinco períodos consecutivos. Com a chegada da pandemia, em março de 2020, a coleta de dados deixou de ser realizada por entrevistas presenciais e passou a ser feita por telefone. Essa mudança causou uma queda no número de entrevistas. De acordo com os pesquisadores do Ipea, se a redução não for distribuída de maneira uniforme pela população, mudanças na composição da amostra podem ocorrer. Dessa forma, a representatividade dos indivíduos com maior ou menor propensão de ocupar postos de trabalho formal é alterada.

"Com esses resultados, torna-se plausível a hipótese de que a queda no número de entrevistas foi decorrente da dificuldade do IBGE em obter um cadastro de telefones para conduzir as entrevistas por esse meio durante a pandemia. Essa ideia é respaldada pelo fato de a queda estar concentrada, sobretudo, no grupo de indivíduos que seriam entrevistados pela primeira vez no segundo trimestre de 2020", informa o Ipea.

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