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Volkswagen suspende produção no Brasil em razão do agravamento da pandemia da Covid-19

Atualizado em -

Volkswagen suspende produção no Brasil em razão do agravamento da pandemia da Covid-19 Divulgação/ Volkswagen
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Em comunicado ao mercado nesta sexta-feira (19), a Volkswagen anunciou que suspenderá a produção de veículos no Brasil por causa do agravamento da pandemia da Covid-19. A medida valerá para todas as unidades da empresa no país, localizadas nos estados de São Paulo e Paraná, entre os dias 24 de março e 4 de abril.

"Com o agravamento do número de casos da pandemia e o aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI nos estados brasileiros, a empresa adota esta medida a fim de preservar a saúde de seus empregados e familiares. Nas fábricas, só serão mantidas atividades essenciais. Os empregados da área administrativa atuarão em trabalho remoto. A medida foi tomada em conjunto com os Sindicatos locais", informou a montadora alemã.

Na semana passada, o presidente e CEO da Volkswagen na América Latina, Pablo Di Si, falou com o Mercado1Minuto sobre como a falta de insumos estava afetando a produção da montadora. O principal gargalo, no momento, segundo ele, é a escassez de semicondutores.

"Desde a virada do ano, toda a indústria automotiva foi atingida pela falta deste insumo. O resultado são adaptações/reduções em toda a indústria na produção de automóveis, o que também afeta as marcas do Grupo Volkswagen. A questão cambial também é um fator preocupante, uma vez que os preços dos produtos são influenciados pela variação do dólar", pontuou o executivo.

Dos 12 grupos fabricantes de carros de passeio em atividade no Brasil, 4 foram obrigados a paralisar total ou parcialmente suas fábricas por períodos que vão de cinco dias a dois meses. Na segunda-feira (8), por exemplo, a fábrica da Fiat em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, determinou férias coletivas para 10% dos seus funcionários. A empresa não divulgou o número de trabalhadores que participam da medida, mas o Sindicato dos Metalúrgicos da região informou que 602 pessoas vão sair de férias.

A Renault também passou por uma situação similar em sua fábrica em São José dos Pinhais (PR). No início do mês, a fabricante francesa anunciou que fará investimentos de R$ 1,1 bilhão em seu complexo fabril no Paraná, mas ressaltou, em nota enviada ao Mercado1Minuto, que fatores como alta carga tributária e os elevados custos logísticos e de fabricação comprometem a competitividade para fabricar no país.

"A escassez de componentes eletrônicos não poupou o Grupo Renault, que fez o possível para limitar ao máximo o impacto da situação sobre a produção. O pico da escassez destes componentes deve ser atingido no segundo trimestre. Nossa estimativa mais recente, que leva em conta uma recuperação da produção no segundo semestre, aponta para um risco da ordem de 100.000 veículos em todo o mundo. No Brasil, estamos monitorando o cenário e até o momento não tivemos impactos", destacou a Renault.

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