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Mercedes-Benz suspende produção no Brasil por agravamento da pandemia

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Mercedes-Benz suspende produção no Brasil por agravamento da pandemia Pixabay
► Falta de insumos, câmbio e carga tributária comprometem fabricação de veículos no país► Volkswagen suspende produção no Brasil em razão do agravamento da pandemia da Covid-19

A Mercedes-Benz do Brasil informou nesta terça-feira (23) que vai suspender a produção em suas fábricas no país por conta do agravamento da pandemia da Covid-19. A paralisação atinge as fábricas de veículos comerciais de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG).

A montadora destacou que pretende parar suas máquinas do dia 26 de março até 5 de abril, dando férias coletivas para grupos alternados de funcionários, com o objetivo de reduzir a circulação de pessoas dentro das plantas da fábrica. Os funcionários da área administrativa não serão afetados, uma vez que estão em regime de trabalho remoto. De acordo com a empresa, as concessionárias e oficinas permanecem em funcionamento normal, seguindo medidas preventivas contra a Covid-19.

"O nosso intuito, alinhado com o Sindicato dos Metalúrgicos, é contribuir com a redução de circulação de pessoas neste momento crítico no país, administrar a dificuldade de abastecimento de peças e componentes na cadeia de suprimentos, além de atender a antecipação de feriados por parte das autoridades municipais", informou em comunicado da Mercedes-Benz.

Volkswagen

A Volkswagen foi a primeira montadora a informar que suspendeu a produção de veículos no Brasil por causa do agravamento da pandemia. A medida vale para todas as unidades da empresa no país, localizadas nos estados de São Paulo e Paraná, entre os dias 24 de março e 4 de abril.

"Com o agravamento do número de casos da pandemia e o aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI nos estados brasileiros, a empresa adota esta medida a fim de preservar a saúde de seus empregados e familiares. Nas fábricas, só serão mantidas atividades essenciais. Os empregados da área administrativa atuarão em trabalho remoto. A medida foi tomada em conjunto com os Sindicatos locais", informou a montadora alemã.

O presidente e CEO da Volkswagen na América Latina, Pablo Di Si, falou com o Mercado1Minuto sobre como a falta de insumos estava afetando a produção da montadora. O principal gargalo, no momento, segundo ele, é a escassez de semicondutores.

"Desde a virada do ano, toda a indústria automotiva foi atingida pela falta deste insumo. O resultado são adaptações/reduções em toda a indústria na produção de automóveis, o que também afeta as marcas do Grupo Volkswagen. A questão cambial também é um fator preocupante, uma vez que os preços dos produtos são influenciados pela variação do dólar", pontuou o executivo.

Dos 12 grupos fabricantes de carros de passeio em atividade no Brasil, 4 foram obrigados a paralisar total ou parcialmente suas fábricas por períodos que vão de cinco dias a dois meses. Na segunda-feira (8), por exemplo, a fábrica da Fiat em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, determinou férias coletivas para 10% dos seus funcionários. A empresa não divulgou o número de trabalhadores que participam da medida, mas o Sindicato dos Metalúrgicos da região informou que 602 pessoas vão sair de férias.

A Renault também passou por uma situação similar em sua fábrica em São José dos Pinhais (PR). No início do mês, a fabricante francesa anunciou que fará investimentos de R$ 1,1 bilhão em seu complexo fabril no Paraná, mas ressaltou, em nota enviada ao Mercado1Minuto, que fatores como alta carga tributária e os elevados custos logísticos e de fabricação comprometem a competitividade para fabricar no país.

"A escassez de componentes eletrônicos não poupou o Grupo Renault, que fez o possível para limitar ao máximo o impacto da situação sobre a produção. O pico da escassez destes componentes deve ser atingido no segundo trimestre. Nossa estimativa mais recente, que leva em conta uma recuperação da produção no segundo semestre, aponta para um risco da ordem de 100.000 veículos em todo o mundo. No Brasil, estamos monitorando o cenário e até o momento não tivemos impactos", destacou a Renault.

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